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Inferências

Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroHá mais Barreiro para além do PCP…

Foi uma noite agradável. Bebeu-se um copo conversou-se. Um encontro inovador nesta cidade tão habituada a que a vida politica só passe pelos estados-maiores partidários. Foi uma noite de cidadania livre. Estiveram muitos, ali, para dar um abraço solidário a Carlos Humberto.

O livro de Armando Sousa Teixeira, dá uma visão da história reducionista, por demasiado partidária e com base numa matriz de leitura-interpretativa da história que só vê em tudo: classe contra classe.

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Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro Há mais Barreiro para além do PCP…

Por Jornal Rostos

Um abraço solidário com Carlos Humberto

Todos os acontecimentos na vida têm leituras. E, nos tempos de hoje, em clima pré-eleitoral, ainda mais, qualquer acontecimento é susceptível de avaliação, critica, comentário, ou até, manobras de diversão.
Tive conhecimento, como cidadão, que um grupo de amigos de Carlos Humberto, estava a promover um encontro-informal, que iria realizar-se junto ao Bar Água e Sal, para expressar um abraço solidário a Carlos Humberto na sua candidatura à presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Este encontro para além do convívio poderia ser um momento para troca de opiniões sobre a vida do concelho.
Estive no local, acompanhado de minha esposa, sem partido, ela, quis estar presente para expressar o apoio a Carlos Humberto. Conversei com várias pessoas.
Registei a presença de pessoas que sei ligadas ao PS, ao PSD, ao BE, sem partido. Registei a presença de pessoas, que, em breve conversa até sublinharam que estavam ali para demonstrar o apoio a Carlos Humberto.
Não escutei, nem notei qualquer reacção de ninguém a expressar desagrado, ou que estava atraído para aquele encontro-convívio levado por uma manobra “habilidosa” de “comer gato por lebre”.
Em conversa com Carlos Humberto até lhe disse : “Olha, noto que tens aqui pessoas, da área do PSD, daquelas que contribuíram para a vitória, no limite, ao Pedro Canário e também, posteriormente, para a vitória de Emídio Xavier”.
Foi uma noite agradável. Bebeu-se um copo conversou-se. Um encontro inovador nesta cidade tão habituada a que a vida politica só passe pelos estados-maiores partidários. Foi uma noite de cidadania livre.
No dia seguinte, alguém, que não esteve no local, dirigiu-se a mim e disse-me : “Então, já sabes da jogada do Carlos Humberto. Convidou as pessoas para um debate sobre cultura e afinal aquilo foi uma manobra política”.
Reagi e disse : “Olha a minha mulher foi convidada para um encontro de amigos que se juntavam para dar um abraço a Carlos Humberto. Eu estive lá com ela. Eu próprio recebi um convite idêntico.”
A conversa ficou por aí…e, até ao momento, ninguém que estivesse no local estabeleceu qualquer contacto comigo ou com o “Rostos” para dizer que foi para ali, participar no convívio, através de um convite que induziu a engano. Se existe que nos esclareça, dado que no local ninguém teceu qualquer comentário dessa natureza…nem senti no ambiente qualquer indignação.
Ah, é verdade! Eu mandei uma boca, quando Carlos Humberto falou que era disciplinado e que o seu partido era disciplinado, comentei : “Sim, de que maneira!”. O pessoal ao redor, na mesa onde eu estava, deu gargalhadas.
Efectivamente, o que aconteceu foi um encontro de amigos, sem qualquer interesse, nem sequer com “grandes intencionalidades politicas” ( embora tudo seja politica), que num encontro-convívio expressaram a amizade a Carlos Humberto, que andou de mesa em mesa, saudando e conversando com os presentes, como cidadão e, ali, despido da sua função institucional.
Foi uma noite agradável e, talvez, um daqueles sinais dos tempos que demonstra como, de facto, “há mais Barreiro para além do PCP”.
É, talvez, isto que está a atormentar algumas mentes…

A visão histórica de um comunista

A segunda nota. Já li o livro de Armando Sousa Teixeira : “Barreiro, Roteiro das memórias da Resistência, do Trabalho e da Luta”.
Não vejo qualquer mal que a autarquia edite uma obra desta natureza, que espelha, um ponto de vista, de um barreirense sobre as suas memórias. Um militante comunista que olha o mundo, os acontecimentos, a vida pelo olhar de um comunista.
Também registo que, numa obra editada pela Câmara Municipal do Barreiro, quem faz o Prefácio é Helder Madeira.
Registei, igualmente, que foi colocada uma nota : “O conteúdo desta edição é da responsabilidade do seu autor”. E, digo-vos, achei muito bem, pois, não há muito dias a Câmara Municipal do Barreiro estava associada com a CUF e Grupo Mello a celebrar o centenário da CUF…e seria, hoje, uma indelicadeza estar a subscrever o conteúdo e as adjectivações utilizadas no discurso ideológico-partidário do autor.
Já agora, esclareço, esta obra é o seu ponto de vista, a sua leitura da história, que deve ser respeitado, pois vivemos numa democracia. Não significando, tal, que tenhamos que estar de acordo. Por vezes, nem estão em causa os factos, mas, sim, as «interpretações» e «visões» sobre os mesmos.
Mas, quanto ao conteúdo não trouxe nada de novo ao que tem sido dado ao prelo por Armando Sousa Teixeira, que, no geral, reflecte a sua consciência cívica e partidária e uma interpretação da história com maus – os capitalistas e todos os que estão ao seu lado, normalmente rotulados de “reaccionários de toda a espécie” e, os outros, os comunistas e os democratas “não comunistas”.
É uma obra de ficção-histórico-literária, que reduz a vida à dimensão política, numa visão permanente de “agit-prop”, cujo principal actor e protagonista da história na vida local e nas fábricas são os comunistas e, por outro lado, onde é feita uma avaliação dos movimentos sociais e de massas, que, na verdade, só entram no bom caminho quando “influenciados pela filosofia comunista”.
É uma visão da história reducionista, por demasiado partidária e com base numa matriz de leitura-interpretativa da história que só vê em tudo: classe contra classe.
Enfim, isto, num concelho onde, recordo muitas pessoas, sempre sublinharam, o operário sentava-se à mesa do café com o doutor, mesmo com os do regime, ou com aqueles que eram rotulados por “reviralho”, construindo um quotidiano solidário e associativo numa dimensão cultural criativa que fez do Barreiro a terra amante da Liberdade.
Quando acabei de ler o livro, reafirmei para mim mesmo, de facto, há, de certeza, mais Barreiro para além do PCP.
Este livro vale “historicamente” por legar aos vindouros a visão de um comunista sobre as memórias da sua terra, mas, é isso, e apenas isso, porque, na verdade, ainda há muita história para escrever…e acredito um dia será escrita.

António Sousa Pereira

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