Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroSim, o Barreiro Primeiro…
Por António Sousa Pereira
Na prática, enquanto se brinca com o futuro, vamos sendo, cada vez mais, empurrados para um «guetho» da AML.
É isto que dói, que alguns dos «nossos» políticos locais, não sejam capazes de se emancipar, afirmar o Barreiro, lutar pelo Barreiro, colocar o Barreiro Primeiro.

Por Jornal Rostos
O Barreiro é uma terra que sempre gostou de debater, discutir os problemas, avaliar resultados. A vida política sempre agitou o quotidiano, quer antes do 25 de Abril, quer depois do 25 de Abril. O Barreiro é um concelho com uma forte consciência política e social.
O sentimento de participação sempre fez parte do modo de estar e viver no Barreiro. Participar nas associações. Participar nas Escolas. Podemos discutir a importância de aprofundar, dinamizar os modelos de participação, mas, aqui, nunca, ninguém, nem antes, nem depois do 25 de Abril, foi impedido de se organizar, discutir, arranjar espaços de discussão, por vezes, com acesos confrontos de ideias e opções. Recordo o caso da ETRI.
As discussões, muitas vezes, começam nas esquinas e, nas esquinas, aprende-se tanto…
Por essa razão, não admira que, sempre, quando decorrem eventos que proporcionam uma abordagem de temas de interesse local, regional ou nacional, os cidadãos se envolvam e, naturalmente, isso acontece muito mais quando, pela diversidade de prelectores, existe a possibilidade de ser efectuada uma abordagem dos temas, de forma diferenciada.
Aliás, fico admirado quando alguém expressa surpresa pelos barreirenses gostarem de participar e discutir os temas da cidade, sublinhando, este facto, como se fosse uma novidade. Enfim.
O «Jornal do Barreiro» promoveu um debate tendo como tema « Os investimentos Públicos no contexto da crise».
Naturalmente, foram muitos os barreirenses que ocorreram ao debate, oriundos dos mais diversos partidos, do CDS, BE, PCP, PSD, PS, aliás, outra coisa não seria de esperar, dada a presença de um amplo leque de convidados, como prelectores e deputados daquelas forças políticas.
Os deputados comentaram e expressaram a satisfação, por registarem uma presença alargada de cidadãos, numa sexta-feira à noite, para assistir a um debate de natureza política.
Assisti ao debate e gostei do nível com que o mesmo decorreu, com seriedade intelectual, com respeito pelas diferenças e, mesmo, com alguns “piropos cordiais”, a marcar pontos, na altura própria, no diálogo entre os prelectores, como foi o caso de Paulo Pedroso estar a falar do automóvel, como não sendo um “animal perigoso” e, em àparte, Fernando Negrão comentar, que não era “uma animal feroz”. Proporcionando umas boas gargalhadas.
Foi um debate civilizado, com qualidade, elevado, onde ficaram claras as diferenças de pontos de vista, as opções políticas e estratégicas, cabendo a cada um retirar as devidas leituras.
Naturalmente, que estando na actualidade a temática da Ponte Barreiro-Chelas, sendo este um dos grandes investimentos que tem originado algum debate e reflexão, nos últimos tempos, obviamente, que o assunto entrou no debate.
Entre os prelectores o assunto esteve muito óbvio, quanto às suas opções, concordâncias ou discordâncias.
Aliás, ficou claro, que todos os prelectores, de uma forma ou outra, estão de acordo, com a importância e necessidade de ser construída a Terceira Travessia do Tejo, no corredor Barreiro-Chelas.
Portanto, este facto, um verdadeiro “facto político”, é na minha opinião, o aspecto positivo para o concelho do Barreiro e para a região de Setúbal que este debate proporcionou, e, sem dúvida, colocando a “pedra angular” no debate, contribuiu para que todos possamos reconhecer que, independentemente das opções políticas ou ideológicas, devemos unir vontades e esforços na valorização da importância da Ponte Barreiro-Chelas, seu contributo para o progresso da nossa região e papel na estratégia de desenvolvimento do projecto do Arco Ribeirinho Sul e construção da “cidade de duas margens”.
Este é o dado que abre um novo rumo e perspectivas, talvez, não para nós, nos tempos actuais, mas para o que, hoje, devemos legar a gerações futuras.
Depois, numa segunda parte, a reflexão desceu para o nível dos “bons e dos maus”, não pelos prelectores, mas por algumas intervenções que, de facto, não colocam em “primeiro o Barreiro”, mas, sim as estratégias partidárias.
Sou de opinião que a Ponte Barreiro-Chelas não deve ser um elemento de debate político usado para dividir os barreirenses, mas, antes pelo contrário, deve ser uma referência de todas as forças políticas – como ficou claro pelas intervenções dos prelectores – numa aposta estratégica de promover a centralidade do concelho, na região.
Mas, há quem considere que na discussão de hoje, o importante será sublinhar que a Ponte do Montijo foi construída porque o PCP e o PSD, apostaram naquela opção.
Mas, também, há quem esqueça que, não há muitos meses atrás, o Governo PS, pela voz do ministro Mário Lino, falava da Margem Sul como sendo um deserto, “onde não há hotéis”…
Para que serve, levar o debate para este nível, dos bons e dos maus, que uns é que gostam do Barreiro e outros não gostam do Barreiro, quando, neste caso da Ponte, todos nos devíamos unir na defesa do projecto e “enterrar” os pseudo-machados de guerra do perfeccionismo político.
Coloquei uma pergunta aos prelectores, de forma acalorada, sobre a importância estratégica da construção da Ponte Barreiro-Chelas, como sendo indissociável do planeamento estratégico do Arco Ribeirinho Sul e da construção da “cidade de duas margens”.
E, considero que a resposta a esta temática deve ser a linha de força que deve unir os barreirenses e os políticos. Depois, que haja divergência, que as há, na forma ou na substância.
Os «estados maiores» dos partidos estão, pelos vistos, cada vez mais distantes do pulsar da cidade.
Na verdade, escutamos muitas vezes a frase – “Barreiro Primeiro” - e, depois, na prática, sem dúvida, o Barreiro está em segundo plano, não passando de uma arma de esgrima, em «estratégias partidárias» de poder pelo poder.
Na prática, enquanto se brinca com o futuro, vamos sendo, cada vez mais, empurrados para um «guetho» da AML.
É isto que dói, que alguns dos «nossos» políticos locais, não sejam capazes de se emancipar, afirmar o Barreiro, lutar pelo Barreiro, colocar o Barreiro Primeiro.
Tem sido esta a posição, objectiva, que tenho registado em políticos como Carlos Humberto, Eduardo Cabrita, Bruno Vitorino ou Mário Durval, pena é que, na realidade, outros políticos, não tenham esta visão e teimem em fazer do Barreiro uma mera plataforma de ambições que nada têm a ver com o nosso futuro imediato, nem com a construção do Barreiro do século XXI.
Sim, o Barreiro Primeiro! E não vale a pena continuar a tese dos bons e dos maus, já não pega, porque os barreirenses, como dizia a canção cantada pelo Francisco Fanhais, estão conscientes – “Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar”.
A democracia coloca o dever de respeitarmos as diferenças, mas, a democracia também exige que sejamos dignos e tenhamos a coragem de combater a demagogia.
Por mim, estou nesta – Sim, o Barreiro Primeiro !
Mas, este Barreiro Primeiro, é, neste caso, no que diz respeito aos grandes investimentos e à construção da Ponte Barreiro-Chelas, aquele que, sinto, tem sido protagonizado por políticos como Carlos Humberto, Eduardo Cabrita, Bruno Vitorino ou Mário Durval, cujos discursos, sobre esta matéria, optam por colocar sempre – o Barreiro Primeiro – para além de meras estratégias partidárias circunstanciais, ou, até mesmo, em contradição com as posições das lideranças nacionais.
António Sousa Pereira













