Navego no horizonte dos sentidosPor Fernando Almeida Reis

Por Jornal Rostos
Navego no horizonte dos sentidos
Um barco imenso atravessa o oceano
e eu navego com ele…
…navego para longe deste horizonte
que alcanço
com a luz a fugir de mim ao fim de um dia
de cansaços
…navego para longe deste horizonte
que alcanço
com o olhar que se persegue a si mesmo
até se me fecharem as pálpebras pesadas
nos teus braços
…navego para longe deste horizonte
que alcanço
com o pensamento apenas e voo distraído
no pairar das gaivotas a riscar o azul
sobre o mar esvaído de pecados
…navego para longe deste horizonte
que alcanço
sem eclipses de misérias e poderes
sem podridões e políticas nojentas
sem palavras labirínticas e promessas
por cumprir
sem cegueiras invejosas e travessias
do deserto complicadas
…navego para longe deste horizonte
que alcanço
sem cidades sem luzes sem gritos
sem corpos que se agridem desvairados
…navego para longe deste horizonte
que alcanço
com o reflexo dos meus olhos tão cansados
Fernando AAlmeida Reis, do projecto “memórias dos sentidos”













