Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroPS no Barreiro é mais “bolchevique” que o PCP na concepção de cidade e de cidadania
Por António Sousa Pereira
Barreiro
Nesta reflexão, o que parece óbvio é que a CDU tem todas as condições para continuar a liderar a Câmara Municipal do Barreiro. Porque é poder. Porque comparativamente a outros números de outros processos eleitorais anteriores, naquilo que tem sido o “ciclo pendular” ( quebrado com Emídio Xavier) que sempre aconteceu no Barreiro – PS vence as legislativas, CDU vence as autárquicas. A CDU está em vantagem.

Por Jornal Rostos
Está a decorrer a Campanha para as Autárquicas. Faltam 5 dias para os eleitores exercerem o seu direito de voto.
No Barreiro os dados, no essencial, estão lançados. São conhecidos os candidatos. São conhecidos os programas.
A Campanha está na rua. A pergunta que me fazem todos os dias, nos mais diversos locais é esta : Que achas que vai acontecer no Barreiro?
Tenho recusado, pelas mais diversas razões escrever, aqui, no Rostos, as opiniões que vou transmitindo em conversas de amigos.
Mas, na verdade, há momentos na vida que nós, como cidadãos e como jornalistas, não devemos “meter a cabeça na areia como a avestruz”.
Portanto, aqui ficam, algumas notas soltas, sobre as reflexões que me ocorrem da vivência deste processo eleitoral e da campanha.
Entrevistei, um a um, todos os candidatos à presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Acompanhei o debate conjunto de todos os candidatos, promovido pelo jornal “Rostos”.
São conhecidas as propostas eleitorais.
E, agora…que dizer!
Em primeiro lugar, considero que há duas forças políticas com condições de discutir a presidência da Câmara Municipal do Barreiro, se avaliármos o comportamento do eleitorado, quer nas Europeias, quer nas Legislativas.
Nesta reflexão, o que parece óbvio é que a CDU tem todas as condições para continuar a liderar a Câmara Municipal do Barreiro. Porque é poder. Porque comparativamente a outros números de outros processos eleitorais anteriores, naquilo que tem sido o “ciclo pendular” ( quebrado com Emídio Xavier) que sempre aconteceu no Barreiro – PS vence as legislativas, CDU vence as autárquicas. A CDU está em vantagem.
E, digo mais, nos dias de hoje, por muito que isto custe a certas pessoas, nas próximas autárquicas, pode estar em “discussão” um cenário de maioria absoluta para a CDU. O que digo pode não ser uma coisa boa para o Barreiro.
As forças da oposição têm a responsabilidade política de conseguirem demonstrar ao eleitorado que podem ter um papel na gestão autárquica.
Vejamos, uma eventual novidade, a possibilidade do Bloco de Esquerda eleger pela primeira vez vereador.
Mas a eleição do vereador do BE carece que o voto das legislativas se consolide nas autárquicas, coisa que não aconteceu em processos anteriores.
A eleição do vereador do BE se esta força política se confirmar como terceira força eleitoral no concelho do Barreiro, ao nível autárquico – o que não é fácil – pode significar, quer a retirada da maioria absoluta à CDU, quer, até impedir a eleição do vereador social democrata.
Mas, é muito pouco provável que o PSD, que tem um eleitorado mais consolidado ao nível local que o BE, perca a sua posição eleitoral.
Assim, o que prevejo como cenário, tal como já o escrevi anteriormente é que a composição da autarquia fique – 4 eleitos/CDU: 3 eleitos/PS; 1 eleito PSD e 1 eleito BE.
O PS nesta campanha não se apresenta como uma força de mudança, parece mais o porta voz do Poder Central.
Como slogan de campanha até usa o mote – “Um Governo. Uma Câmara. O mesmo projecto de desenvolvimento”.
O discurso eleitoral assenta no anticomunismo, na critica pela critica. Por vezes até parece que vale tudo. E, de facto, em política não vale tudo.
O PS quando venceu a CDU no Barreiro apresentou-se como a “esperança”, um discurso de “mudança”, uma alternativa na construção de um novo modelo de cidade.
Hoje o PS vive encostado ao Governo e aos projectos do Governo, coisa que a CDU também está a fazer e muito melhor, porque o faz com o direito de afirmar a diferença e não ser uma mera “correia de transmissão” ou “voz do dono”.
O BE tem todas a s condições de eleger vereador, mas, simultaneamente, parece que não está muito interessado nesse cenário, porque, tal, de facto, vai exigir que na autarquia partilhe o “governo local”, ou com o PS, ou com a CDU.
Ficando só pela Assembleia pode manter melhor a sua posição de “grilo falante”.
É que elegendo um vereador o BE tem que participar – como permanente defensor, que é, da participação.
O BE não pode optar pelo modelo que o PS usa de recusar pelouros e passar quatro anos na vereação a falar dos buracos das ruas e nunca ter apresentado uma proposta para confrontar a CDU, fosse no que fosse… o que não aconteceu com o vereador social democrata.
O BE está numa encruzilhada. Se eleger vereador vai deixar a posição de quem está de fora e acaba o mito de blá, blá, blá… tem que trabalhar.
É que no Barreiro – a tal ilha soviética – na experiência autárquica, de 35 anos, a CDU/PCP, mesmo quando tinha maioria absoluta, sempre atribuiu pelouros à oposição, e sempre contou com trabalho válido de vereadores da oposição : Mendes Costa, João Pintassilgo, Luis Mateus, só para recordar alguns.
Esperemos para ver se o Bloco de Esquerda concretizar a eleição de um vereador.
O PSD tem uma base eleitoral autárquica sólida. Mesmo o eventual eleitorado mais à direita, certamente não vai dar o seu voto fútil, ao CDS/PP, porque esta força politica está muito longe de um cenário de eleger vereador.
O PSD tem trabalho feito na vida autárquica local. Tem sabido gerir uma acção de charneira pela positiva.
Aliás, o PSD se continuar por este caminho, ainda um dia pode vir a conquistar espaço que o PS deixa vazio ao nível do centro esquerda.
O PSD tem sido um partido responsável. O candidato Nuno Banza, apesar da sua juventude, tem condições de exercer um bom cargo e enriquecer a acção da vereação.
O PSD elegendo, todos sabemos, pela experiência, elege para trabalhar.
Penso que dificilmente o PSD não vai eleger e, talvez, até vá ficar, como é habitual à frente do BE nas autárquicas. Embora…
O CDS/PP ao nível da Câmara não vejo que vá eleger, mas, pode dar-se o cenário de pela primeira vez esta força politica eleger para a Assembleia Municipal, o que é difícil, pois teria que consolidar o eleitorado que duplicou, no concelho nas últimas legislativas. Uma tarefa árdua.
No entanto, é caso para dizer, neste Barreiro do século XXI, talvez, seja a altura de a cidade vermelha se habituar a contar com a presença política do CDS/PP.
Aliás, nos últimos tempos ,o CDS/PP tem vindo a intervir na vida politica local, com alguma agilidade.
O PCTP/MRRP só aparece na vida política local nas eleições. Tem pouca expressão.
Será, mais uma vez, um marcar presença e levar por arrasto alguns votos do PCP, pelas confusões de logótipos.
Voltando ao PS, que quer discutir a presidência da Câmara e tem condições para o fazer, dado que as bases eleitorais do PCP/CDU e PS, no concelho do Barreiro estão muito próximas, na verdade, tem uma tarefa árdua, perante uma CDU que mudou, está mais ágil e aprendeu com alguns erros cometidos, coisa que o PS foi incapaz de fazer.
Nuno Santa Clara Gomes, num eventual cenário de ser eleito presidente da Câmara Municipal do Barreiro, iria ter pela frente uma “trabalheira”,
Em primeiro lugar, como independente ser capaz de ter “autoridade politica” perante o PS que todos conhecem – um partido balcanizado.
Em segundo lugar, ser capaz de ser a expressão da liberdade e atenuar as “ondas de exclusão” que caracterizam o discurso socialista.
É que, contrariamente, ao PCP/CDU que hoje procura desenvolver na cidade um discurso de inclusão, o PS, parece que, quer construir uma cidade excluindo, quem não estiver com o governo ou contra o PS.
Por vezes fica a sensação que o PS é mais “bolchevique” que o PCP, na concepção de cidade e de cidadania.
Este seria um grande desafio para Nuno Santa Clara Gomes, um homem de Abril.
Em conclusão, não sendo o PS uma alternativa que se tenha vindo a afirmar com credibilidade.
Sendo o PSD um mero cenário de futuro, se o PS continuar a ser uma força politica sem força para renovar a esperança.
Se o BE, é apenas uma projecção e com um longo caminho para andar.
Se a CDU foi capaz de dar a volta á cidade ( sim digam que fez tudo o que herdou do PS, que eu digo-vos que o PS, no poder, fez tudo o que herdou do PCP e nalguns casos aprendeu a fazer o pior, do pior, que o PCP fazia, nomeadamente com o Movimento Associativo).
Por isso, é que acho que a CDU vai vencer as autárquicas e…o sentimento que encontro em muita gente é que não existe alternativa, e, no futuro, é preciso continuar a exigir à CDU – mudanças, uma cidade participada e o desenvolvimento de um Plano Estratégico para o Barreiro, que não pode limitar-se a ser…aquilo que o Governo está a projectar.
Há mais cidade e concelho para além da TTT e do Arco Ribeirinho Sul – há uma cidade para construir que seja, como foi no século XX - a Cidade da Liberdade.
Ser Cidade da Liberdade é ser uma cidade criativa, competitiva…
Mas, já agora, quanto ao PCP/CDU se ganhar as eleições tem pela frente a tarefa de cultivar a democracia, de cultivar um Barreiro europeu.
De avançar. De ser capaz de galvanizar a cidade. De deixar de pensar que o Barreiro é o PCP e que a história do Barreiro começa e acaba no PCP.
Tem que continuar este projecto de renovação da cidade, como foi feito no centro e vai avançar na Cidade Sol.
Tem que olhar para o concelho como um todo e deixar de olhar o Barreiro para lá da passagem desnivelada.
Tem que acreditar nos barreirenses.- sejam CDS’s, PSD’s, PS, ou BE’s.
Por aqui me fico…eu que não queria falar!
António Sousa Pereira













