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Inferências

InferênciasE agora Barreiro? Quo vadis?
Por António Sousa Pereira

O “capital político”, bem óbvio, no resultado eleitoral – chamado Carlos Humberto – tem prazos.
E, na realidade, Carlos Humberto vai ter que gerar uma alternativa credível, porque vai ser muito difícil manter o estado de graça, por mais quatro anos.

O PS foi vitima da sua ineficácia autárquica durante quatro anos. Podia não ter pelouros, mas tinha que demonstrar ao longo de quatro anos que podia ser uma alternativa, apresentando propostas credíveis.

A Oposição no Barreiro, se não for capaz, em primeiro lugar de perceber que o PCP/CDU mudou, que o mundo mudou e, acima de tudo, pensar que vivemos na Europa…então vai deixar o PCP/CDU muitos anos a gerir os destinos do concelho do Barreiro.

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Inferências E agora Barreiro? Quo vadis? Por António Sousa Pereira

Por Jornal Rostos

No decorrer da Campanha Eleitoral, por vezes, em conversa com o candidato da CDU, Carlos Humberto, comentei que não via com bons olhos o cenário de uma vitória da CDU com maioria absoluta.
Disse-lhe, inclusivamente, que, ele, tinha sobre os seus ombros, uma grande responsabilidade, caso esse cenário se confirmasse – “Ser, ele mesmo, o garante de uma cultura democrática e de aprofundamento da democratização e de construção da Cidade da Participação”.
Volto a repetir. Não é porque tema a maioria absoluta. Estamos em democracia e daqui a quatro anos há de novo eleições.
Mas, o “capital político”, bem óbvio, no resultado eleitoral – chamado Carlos Humberto – tem prazos.
E, na realidade, Carlos Humberto vai ter que gerar uma alternativa credível, porque vai ser muito difícil manter o estado de graça, por mais quatro anos.
Carlos Humberto, agora reeleito, não entra, portanto, em estado de graça, tem sobre ele um mandato, que lhe causou desgaste politico, embora, conte com o reconhecimento do eleitorado, por duas razões : pelo trabalho realizado, e, naturalmente, porque o PS não existe como alternativa credível.

Em maioria relativa CDU geriu muito bem as contradições

E, se no actual mandato, Carlos Humberto, com maioria relativa geriu, muito bem, as contradições, sendo exemplar, na forma como deixou esticar a corda às pressões políticas do vereador social democrata – Bruno Vitorino – que foi a única oposição com que, afinal, contou ao longo de quatro anos, apesar de Bruno Vitorino ter pelouro e partilhar a gestão de 1% do Orçamento da autarquia.
Agora, com maioria absoluta, vai ter o grande desafio de ser um exemplo de pluralidade, de afirmação de diferenças, de construção de um Barreiro Novo, que parte para o futuro rasgando os estigmas do passado.
O PCP/CDU tem pela frente, nos próximos quatro anos o desafio de consolidar a sua presença no concelho do Barreiro, ou, se entrar pelo sectarismo, pode abrir as brechas do anticomunismo primário que, como se viu, não funcionou nas recentes autárquicas, mas, que é sempre uma "arma" para desviar o essenciall do acessório e gerar a cultura do "inimigo comum".
Mas, o sectarismo político não existe só no PCP. Por exemplo, não registei, ontem, da parte do PSD, ou do BE, forças que elegem no concelho do Barreiro, uma palavra de saudação ao reeleito Carlos Humberto.
Pelo que me constou, apenas, Nuno Santa Clara Gomes e Eduardo Cabrita, saudaram o reeleito presidente da Câmara Municipal do Barreiro. E, mesmo, ontem à noite, Carlos Humberto, deslocou-se à sede de campanha do Partido Socialista a cumprimentar os socialistas.
É que não basta exigir aos outros que sejam democratas: são os actos e não as palavras que fazem a vida. As palavras valem quando se transformam em actos.

Deus ajude o Barreiro!

Mas, já agora, referir que, também, comentei, com Carlos Humberto, no último dia da campanha eleitoral, que, num hipotético, mas pouco provável cenário de o PS vencer as eleições que – ele estaria tranquilo, no plano pessoal, pois ficava livre de uma grande dor de cabeça quotidiana – mas, acrescentei, que nesse hipotético cenário de vitória socialista, então, seria caso para dizer : “Deus ajude o Barreiro!”.
Naturalmente, que este “Deus Ajude o Barreiro”, nada tinha a ver com Nuno Santa Clara Gomes, pois, pelo que tive oportunidade de conhecer do candidato socialista senti-o como um homem puro, com convicções, com espírito de missão, e, também, verifiquei que esteve sempre, como um homem só, sem staff, e, portanto, que estava ali, a ser meramente usado como “moeda de troca de tricas” – se ganhasse era o herói de Abril, se perdesse, como perdeu, é a cara da derrota, da qual ele é, na verdade, quota parte, pelas suas próprias insuficiências ao nível discursivo, mas acima de tudo, é, na realidade, o bode expiatório de um Partido Socialista, que localmente, está mais apostado em funcionar como plataforma de gestão de conquista de lugares no Parlamento, no Governo ou em instituições locais e regionais, sendo o Barreiro, portanto, uma mera “coisa política” de gestão de “interesses individuais e de grupos.

Para pior já basta assim

As autárquicas, afinal, são um mero espaço para o PS, no Barreiro, marcar presença e afirmar que existe, não se afirmando, na realidade, nem como alternativa, nem como alternância, apesar de o seu tecido eleitoral, real, lhe “exigir” essa postura ética e política.
Aliás, já agora, dizer, que a nível nacional, o Partido Socialista que apostou em dar a cara no Barreiro, com José Sócrates, nas eleições legislativas, vendo o Barreiro como um território onde podia conquistar capital politico, e, de facto, conquistou, agora, nas autárquicas, não contou com qualquer rosto nacional, em nenhuma circunstância, limitando-se a usar a “prata da casa”, Eduardo Cabrita, que, diga-se, até, obteve na Assembleia Municipal maior votação que a candidatura para a Câmara Municipal do Barreiro.
Aliás, o PS, até conseguiu, nas freguesias um resultado superior aos 12 mil votos.
Estes números, só por si, significam que o Partido Socialista tem, de facto, no concelho do Barreiro, uma base social de apoio, sendo óbvio, que muitos, que votaram na AMB ou nas freguesias no PS, obviamente, recusaram votar na Câmara, optando, talvez pela ideia – “para pior já basta assim”.

PS foi vitima da sua ineficácia autárquica

Ficando, por aqui, dado que irei de novo analisar estas matérias, após uma abordagem dos números.
O que registo é que nestas eleições autárquicas, o PS foi vítima de si próprio, do seu “bolchevismo” ( bom há quem me diga que não é o PS, é algum PS, mas o facto é que o PS, na opinião pública é, isso, e apenas isso o PS).
O PS foi vitima da sua ineficácia autárquica durante quatro anos. Podia não ter pelouros, mas tinha que demonstrar ao longo de quatro anos que podia ser uma alternativa, apresentando propostas credíveis.
Foi vitima da colagem à ponte e aos projectos do Governo, algo que de nada lhe servia, pois, como Eduardo Cabrita, reconheceu na Assembleia Municipal do Barreiro – Carlos Humberto foi um protagonista destes projectos.
E agora Barreiro? Sei que o PCP/CDU, em cenários de maioria absoluta, no Barreiro, sempre partilhou pelouros e responsabilidades políticas com a oposição. Não vejo razões para que isto mude.
O PS agora tem o desafio de voltar de novo para o banco e sentar-se durante quatro anos, que é o mais provável que vá fazer se, a sua actual liderança, mantiver a mesma estratégia – quem ganhou que governe.
Ou, aceitar pelouros, trabalhar e fazer como a formiguinha trabalhar, demonstrando que pode ser, mais não seja, uma alternância.
No entanto, a liderança do PS, tem demonstrado que está mais vocacionada para um papel de cigarra, mandar umas bocas sobre bolcheviques, ilhas soviéticas e cultivar o “anticomunismo” primário, do que construir a esperança e demonstrar quais as possíveis diferenças qualitativas de uma gestão autárquica PS, para uma gestão autárquica CDU.
Em, primeiro lugar começando por pedir desculpa aos barreirenses, pelo trabalho que não fez em quatro anos, e, colocar os olhos em Coina...
Em segundo lugar, respeitar o voto democrático dos barreirenses – que, contrariamente aos medos de comer criancinhas deram ao PCP/CDU uma vitória confortável para gerir, sem estar dependente de muletas ou forças charneira.

Uma oposição que está a ficar residual

Algumas notas finais, desta reflexão que vai continuar…
Mário Durval, mais uma vez não alcançou a meta da sua eleição. E, até, o BE obteve menos votação na Câmara que na Assembleia Municipal ou Assembleias de Freguesia.
Portanto Mário Durval esgotou. O BE tem que pensar numa alternativa ao seu líder nas próximas autárquicas.
O BE deu a maioria absoluta ao PCP/CDU, de facto, ao não consolidar o seu eleitorado no concelho do Barreiro.
E, na verdade, o candidato do BE, nem pode queixar-se de falta de apoios nacionais, contou com a presença de Francisco Louçã.
Nuno Banza, foi eleito à tangente, também, na verdade, com menos votação que o PSD obteve na Assembleia Municipal, ou nas freguesias.
Nuno Banza que naturalmente vai aceitar pelouro, como sempre foi prática do PSD, pode, desde já potenciar-se como o próximo candidato dos sociais democratas, num futuro cenário político que, certamente, será muito diferente nas condições quer a nível local, quer a nível nacional.
O CDS/PP esteve à beira de eleger, pela primeira vez, na Assembleia Municipal do Barreiro, consolidou eleitorado e, certamente, é, na prática, uma das causas da perda eleitoral do PSD, dado que abriu uma alternativa à direita no concelho do Barreiro.
Bom , por agora ficamos por aqui...voltaremos depois de “olhar” com mais calma para os números e reapreciar as campanhas eleitorais.
A Oposição no Barreiro, se não for capaz, em primeiro lugar de perceber que o PCP/CDU mudou, que o mundo mudou e, acima de tudo, pensar que vivemos na Europa…então vai deixar o PCP/CDU muitos anos a gerir os destinos do concelho do Barreiro.

António Sousa Pereira

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