Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroCDU sempre teve no Barreiro a prática política de partilhar a gestão com os vereadores da “oposição"
Por António Sousa Pereira
BARREIRO
Para o PS está tudo em aberto, mas, continuo a pensar que, será um erro político não aceitar pelouro ou até mesmo um pelourinho.
Hoje o PS perdeu poder negocial de exigir seja o que for, por um lado porque a CDU tem maioria absoluta, por outro lado, porque a prática do PS, com a sua actual liderança tem sido marcada por uma postura, muitas vezes, eivada de um anticomunismo balofo e demonstrativa de ser incapaz de dialogar com as diferenças.

Por Jornal Rostos
Tomaram posse os novos autarcas que vão assumir as responsabilidades políticas nos próximos quatro anos no concelho do Barreiro.
No Barreiro, contrariamente ao que acontece aqui no vizinho concelho da Moita, a CDU sempre teve a prática política de partilhar a gestão com os vereadores da “oposição” atribuindo por vezes pelouros, outras pelourinhos, mesmo nos períodos que exercia, como agora volta de novo a exercer o poder com maioria absoluta.
O PSD, sublinhe-se foi sempre um partido que, desde a primeira hora assumiu responsabilidades na autarquia, gerindo de forma inteligente, essa sua posição, numa primeira fase com uma “gestão de influência”, e, numa segunda fase no período de maioria relativa com uma posição de “gestão de partilha de decisões”.
O PSD, na sua fase de política de charneira, influenciou, até, algumas políticas locais, nomeadamente, nas decisões de políticas sociais, contribuindo para a implementação do PER ou a prestação de serviços de refeições nas Escolas do Ensino Básico, assim como na área do Ambiente, dando visibilidade a esta área com acções concretas.
Neste contexto, é natural que o PSD, no novo executivo municipal aceite pelouro. Outra coisa não será de esperar.
Naturalmente que, devido à história autárquica deste partido, será justo que seja atribuído um pelouro à dimensão da disponibilidade e da postura política, na vida local, sempre assumida pelos sociais democratas.
Pelo que já é público será atribuído a Nuno Banza, um tempo inteiro para o exercício do seu cargo, falta saber se ficará com o Ambiente, o que deve ser o mais provável, pois, será juntar o útil ao agradável e disso beneficiara o concelho do Barreiro, dando continuidade a um projecto que nos últimos anos colocou o Barreiro na linha da frente em matéria de Ambiente e Energia.
Quanto ao Partido Socialista sabemos que também foi atribuído o tempo inteiro ao vereador Nuno Santa Clara Gomes que, referiu ao “Rostos” que está disponível para participar, acrescentando que na sua opinião - “a questão essencial é a forma de participação”.
No entanto, os socialistas ainda não clarificaram se vão, ou não, aceitar pelouro.
Aliás, nesta matéria, ao longo dos anos o PS tem sido muito ambíguo, joga de forma permanente na ambiguidade e, por vezes, quando aceitou pelouro, até era uma forma de abrir uma “frente de combate” – estar com pelouro para depois largar através de um processo de vitimização.
Por outro lado, em mandatos que exerceu, plenamente, os seus pelouros, por exemplo, noutros tempos de maioria absoluta, até deixou marcas da sua acção politica, por exemplo, deu contributos decisivos, iniciáticos na implementação de politicas de Protecção Civil, num concelho onde há empresas de alto risco industrial.
Hoje, no PS, há duas linhas de pensamento, os que defendem, como aconteceu no mandato anterior, que os vereadores socialistas não devem assumir pelouros.
Esta uma posição que até, politicamente poderia ser aceitável se, depois, na prática existissem posturas politicas demonstrativas de uma acção política de critica construtiva e de criação de politicas alternativas.
Não foi isso que aconteceu no mandato anterior. O PS não existiu politicamente. O ponto antes da ordem do dia era um “muro de lamentações” e de politica de “terra queimada”.
Depois, na discussão de questões concretas, que podiam ser exemplares de uma oposição atenta e critica, nunca, mesmo nunca se sentiu que o PS soubesse o que estava ali a fazer, até mesmo em dossiers que tinha sido abertos na gestão PS e foram fechados na gestão CDU – o exemplo mais flagrante foi o dossier de critérios de apoio ao associativismo.
A outra linha defende que o PS aceite pelouros e que assuma de forma activa a intervenção na vida municipal.
Talvez, neste processo que, pelo que sabemos vai estar, hoje à noite, em discussão da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista, faltasse, também uma clarificação, nomeadamente se o líder dos socialistas iria assumir um lugar no parlamento, após concluída a fase de instalação do novo Governo.
Eduardo Cabrita não vai assumir qualquer pasta no novo Governo e, portanto, o líder socialista não irá assumir lugar na Assembleia da República, assim, ficará mais disponível para assumir pelouros e trabalhar numa segunda linha com Nuno Santa Clara Gomes.
Portanto, para o PS está tudo em aberto, mas, continuo a pensar que, será um erro político não aceitar pelouro ou até mesmo um pelourinho.
Hoje o PS perdeu poder negocial de exigir seja o que for, por um lado porque a CDU tem maioria absoluta, por outro lado, porque a prática do PS, com a sua actual liderança tem sido marcada por uma postura, muitas vezes, eivada de um anticomunismo balofo e demonstrativa de ser incapaz de dialogar com as diferenças.
Atribuir pelouro ao PS, não será, certamente pelos protagonismos do PS, mas, sim e acima de tudo, pelo respeito e valorização de uma cultura democrática, caminho pelo qual o PS tem que fazer, com alguma humildade, uma caminhada longa e serena.
Sou defensor de um poder local multicor. E, sei que é, aí, na cultura da partilha de diferenças que nós, todos nós, seremos capazes de aprofundar a democracia que conquistámos com o 25 de Abril.
Ficamos à espera dos próximos capítulos…
António Sousa Pereira













