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Inferências

InferênciasA política – a credibilidade e a ética
Por António Sousa Pereira
BARREIRO

É muito provável que Nuno Banza, vereador eleito pelo PSD, na Câmara Municipal do Barreiro, vá assumir um tempo inteiro e, é, mais que óbvio que a área do Ambiente vai ficar sobre a sua responsabilidade.

Nuno Santa Clara Gomes, eleito pelo PS, pelo que sabemos, poderá ter pelouro e ter tempo inteiro para trabalhar, com condições e dignidade.

Zélia Silva, se ficar com pelouro, nesta que é a sua primeira experiência política na vereação, tem todas as condições para fazer um bom mandato e no final ser um bom capital político para os socialistas.

Em coerência, Amílcar Romano, presidente da Comissão Politica do Partido Socialista do Barreiro e vereador da Câmara Municipal do Barreiro, deveria assumir a postura ética e com credibilidade de NÃO ACEITAR PELOURO.

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Inferências A política – a credibilidade e a ética Por António Sousa Pereira BARREIRO

Por Jornal Rostos

A próxima semana vai prometer, certamente, alguma agitação na vida política local, dado que vai estar em fase de definição final a atribuição de pelouros na gestão da autarquia para o novo mandato.
A CDU sobre esta matéria, naturalmente, é a força política que está mais tranquila, dado que recebeu do eleitorado a maioria absoluta, ficando com “carta branca” para gerir e, obviamente, tomar as decisões de “partilha do poder” que considere mais justas para implementar a estratégia de desenvolvimento de uma “cultura da participação”.
Quem conhece a “história” da vida autárquica local, sabe, perfeitamente, que ao longo dos anos o PCP/CDU, no Barreiro, mesmo em períodos de maioria absoluta, sempre atribuiu “pelouros” e “pelourinhos”.
Portanto, a atribuição de pelouros que o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro já referiu que pretende fazer, com a atribuição de tempos inteiros aos cabeças de lista do PS e PSD, insere-se nessa tradição.
Ao longo dos anos, o PSD, quer em períodos de maioria absoluta, quer nos períodos de maioria relativa do PCP/CDU, sempre assumiu pelouros e partilhou a gestão municipal.
O PS tem tido fases, umas vezes sim, outras não, outras nim.

PSD vai assumir a área do Ambiente

Quanto ao PSD, tudo indica que as coisas serão pacíficas, dado que existe, como sempre existiu, da parte dos sociais democratas disponibilidade para trabalhar no Executivo Municipal.
Carlos Humberto já clarificou que vai atribuir um tempo inteiro a Nuno Banza.
O candidato do PSD, Nuno Banza, já se disponibilizou para aceitar o tempo inteiro, faltando clarificar qual o pelouro que vai receber para gerir.
Naturalmente, pela experiência acumulada, no anterior mandato pelo vereador eleito pelo PSD, que assumiu a área do Ambiente, com bons resultados para o concelho do Barreiro, hoje, seria dar um tiro nos pés, só pelo facto de existir uma maioria absoluta, não atribuir a Nuno Banza esta área funcional.
Se, na verdade, Carlos Humberto, com maioria relativa, geriu as relações com o vereador social democrata, no anterior mandato, de forma perfeita, dando corda sempre que Bruno Vitorino esticava a corda, naturalmente, agora, com maioria absoluta, nem precisa de ter essas preocupações.
Naturalmente que, a “fasquia” de exigência de lealdade para com o presidente da Câmara, que Carlos Humberto colocou como condição de atribuir pelouro aos vereadores da oposição, não significa subserviência, mas, sim uma cultura de respeito das diferenças.
Portanto, é muito provável que Nuno Banza, vereador eleito pelo PSD, vá assumir um tempo inteiro e, é, mais que óbvio que a área do Ambiente vai ficar sobre a sua responsabilidade.
Neste caso é só questão de aguardarmos.

PS não tem histórico para reivindicar

Bom, mas quanto ao Partido Socialista, aqui é que o “filme” vai ter vários episódios.
No mandato anterior, Emídio Xavier, que perdeu a presidência sublinhou que, por questões éticas, não assumia pelouro.
João Soares, eleito pelo PS, disponibilizou-se para aceitar pelouros, acabando em ruptura com o PS.
João Soares que, nunca abdicou do seu ideal político, demonstrou como pode manter-se numa autarquia uma posição ética e de credibilidade.
Uma demonstração feita com trabalho.
Luis Pedro Cerqueira, também não aceitou pelouro e, pouco depois, partiu para outras funções.
Os vereadores substitutos também, naturalmente, mantiveram-se sem pelouros.
Amílcar Romano, também não aceitou pelouro, aliás, pelo que sabemos, o actual líder do Partido Socialista sempre foi um defensor de uma estratégia de não aceitação de pelouros, porque defende “quem ganha deve governar”.
Assim, o PS passou o último mandato sem assumir pelouros na gestão autárquica, não tendo, nesta fase, um histórico anterior, sobre o qual se possa “escudar” para exigir ou reivindicar seja aquilo que for…

Nuno Santa Clara Gomes disponível para trabalhar

No actual mandato, o Presidente da Câmara já divulgou que vai atribuir um tempo inteiro a Nuno Santa Clara Gomes, cabeça de lista do PS, e, pelo que apurámos, com o autarca socialista, a área que lhe foi proposta terá sido os “Serviços Urbanos”.
Pode portanto, sublinhar-se que, tendo o PCP/CDU a maioria absoluta, com esta atribuição de tempo inteiro e uma área funcional com alguma importância na vida local ao PS, está a dar provas de uma grande abertura e maturidade política.
Nuno Santa Clara Gomes faz depender a sua aceitação de pelouro da decisão política que venha a ser assumida pelo Partido Socialista.
Todos sabemos que, independentemente dos vereadores serem eleitos por partidos, na prática, a atribuição de pelouros é unipessoal e uma competência exclusiva do presidente da Câmara.
Naturalmente, Nuno Santa Clara Gomes, sendo independente, eleito pelo PS, não toma decisões por si próprio e aguarda a definição das opções estratégicas dos socialistas, tanto mais que tem, em segundo lugar na lista autárquica, o presidente da Comissão Política concelhia do PS, Amílcar Romano.
Só que, quem está eleito na Câmara Municipal do Barreiro é o vereador Amílcar Romano e não o Presidente da Comissão Politica do PS.

Carlos Humberto de certeza que tem memória

Carlos Humberto, na verdade, não tem nada a discutir com o PS, nem com o Presidente da Comissão Política do PS, até porque o PS tem assumido no Barreiro, com a sua liderança um anticomunismo primário.
Aliás, Carlos Humberto tem razões políticas de sobra para não querer discutir com o PS, nem com o presidente da Comissão Politica do PS, e, até mesmo, nem com o Vereador Amílcar Romano, pois, mesmo, em termos pessoais tem sido atacado no seu carácter.
Certamente, Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro é um homem com memória e deve recordar a última intervenção do vereador Amílcar Romano, na última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro. Se não recorda, então, que vá ler. É que em política não vale tudo.
Certamente, Carlos Humberto, reeleito presidente da Câmara Municipal do Barreiro, tem memória de algumas intervenções do líder do PS Barreiro, na recente Campanha Eleitoral. Se não recorda, que vá reler. É que em política não vale tudo.
E, naturalmente, Carlos Humberto que não é ingénuo sabe, de certeza, que alguns milhares de eleitores que votaram na CDU, optaram por essa decisão porque o PS não lhes merecia credibilidade.
Em política a credibilidade e a ética, mesmo que alguns considerem que não contam, elas existem e têm valor na vida.

Jogadas partidárias de eventual vitimização do PS

Por estas e outras razões, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro não tem nada a discutir institucionalmente com um PS que o hostiliza de forma permanente.
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, nas suas competências, tem que abordar a temática de distribuição de pelouros com os vereadores eleitos, que, ou aceitam, ou não aceitam pelouros, ou querem, ou não querem trabalhar.
Nuno Santa Clara Gomes, pelo que sabemos, poderá ter pelouro e ter tempo inteiro para trabalhar, com condições e dignidade.
Não aceitar é uma prova que, afinal, não está disponível para trabalhar e está mais disponível para entrar nas jogadas partidárias de eventual vitimização do PS, que parece estar em marcha.
Nuno Santa Clara Gomes, nunca poderá dizer que não lhe foram atribuídas áreas de trabalho com dignidade e, inclusivamente, com condições para exercer as suas funções como autarca.

Zélia Silva poderá ter uma área de grande importância social

Pelo que nos constou, segundo Nuno Santa Clara Gomes e outras informações que obtivemos, na praça pública, os vereadores do PS apresentaram uma contraproposta ao presidente da Câmara Municipal do Barreiro, exigindo mais tempos e mais responsabilidades.
Sabemos que o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, em informações que obtivemos e confirmadas por Nuno Santa Clara Gomes, terá apresentado à vereadora Zélia Silva o “pelourinho” do CIAC.
Dizemos “pelourinho” pela dimensão da área, mas, na verdade, esta é uma vertente onde muito pode e deve ser feito, basta só ler as recentes decisões da Comissão Europeia em matéria de consumidores.
Esta área já foi assumida na Câmara Municipal do Barreiro pelo PS, na altura por Aires de Carvalho, líder do PS, que desenvolveu um bom trabalho e muito ficou por concluir e está por implementar.
Zélia Silva tem aqui uma área de trabalho de grande importância política, que pode dar muita visibilidade à acção dos socialistas na vida autárquica.
Naturalmente, será uma actividade que vai exercer com limitações de tempo, mas tem muita dignidade, e, obviamente, não serão percebidas eventuais razões de recusa deste pelouro que lhe está, eventualmente, atribuído pelo presidente da Câmara.
É que, na verdade, o PS, ou os vereadores eleitos pelo PS, hoje, não tem qualquer capital político acumulado para reivindicar seja o que for do presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Podiam tê-lo feito no mandato anterior, não o fizeram, agora, a vida e os resultados eleitorais demonstram …é tarde para subir mais acima donde o PS pode chegar.
Zélia Silva, com pelouro, nesta que é a sua primeira experiência política na vereação, tem todas as condições para fazer um bom mandato e no final ser um bom capital político para os socialistas.

Amílcar Romano não devia aceitar pelouro

Sabemos também, porque se diz na Praça Pública, que o presidente da Câmara terá apresentado a Amílcar Romano a proposta de assumir o “pelourinho” da Toponímia.
Esta proposta de Carlos Humberto demonstra a seriedade do autarca, porque, pela experiência do mandato anterior o líder-autarca dos socialistas não aceitou pelouro, e, também sabemos que Amílcar Romano é defensor de uma estratégia de não aceitação de pelouros.
Assim, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro dá ao vereador PS, sem dúvida, uma hipótese de dar um pequeno contributo na gestão municipal, sem ter que disponibilizar muito tempo e sem grandes compromissos estruturantes.
É uma proposta que coloca o vereador do Partido Socialista a possibilidade de afirmar uma opção nim.
Aliás, em coerência, o presidente da Comissão Politica do Partido Socialista e vereador da Câmara Municipal do Barreiro, deveria assumir a postura ética e coerente de NÃO ACEITAR PELOURO.
Carlos Humberto está a dar-lhe, de mão beijada, essa solução, propondo-lhe um pelourinho, que o autarca socialista até pode achar curto para as suas capacidades e recusar a proposta.
Amílcar Romano, de facto, até pode recusar este pelourinho e, em seguida, fazer aquilo que na gíria se diz – “um número” – convocando uma conferência de imprensa e fazendo um comunicado acusando Carlos Humberto de “prepotente”.
Amílcar Romano, por tudo o que tem afirmado da gestão de Carlos Humberto, no anterior mandato, não tem condições políticas para aceitar pelouro, e, obviamente, no dia a dia, ser capaz de trabalhar na autarquia com coerência e “lealdade” para com o presidente da Câmara de uma “Ilha Soviética”.
Se Amílcar Romano aceitar pelouro é uma demonstração que tudo o que disse de Carlos Humberto foram meras jogadas políticas, sem significado, mas graves do ponto de vista ético-político.
O líder do PS e vereador da Câmara Municipal do Barreiro só tem uma opção política justa e legitima, não aceitar pelouro.
Esta era uma posição que lhe daria credibilidade, e, ninguém, ficaria indignado por Amílcar Romano, enquanto líder PS, assumir uma posição semelhante ao que fez Emídio Xavier.
A posição ética para Amílcar Romano será, ou aceitar um pelourinho, meramente simbólico, demonstrando alguma humildade e capacidade de diálogo, ou não aceitar pelouro, e, afirmar a sua dimensão política.
É que no cenário actual, quem tem que demonstrar capacidade de diálogo e flexibilidade são os socialistas e não os comunistas.
Parece que querem por o filme a rodar ao contrário…

Carlos Humberto se ceder fragiliza a sua posição de liderança

Aliás, considero que, se Carlos Humberto na atribuição de pelouros der a Amílcar Romano mais que aquilo que, consta na opinião pública, vai dar uma imagem negativa da sua credibilidade e ética politica.
Aliás, se Carlos Humberto proporcionar a Amílcar Romano – vereador e líder do PS - mais que o pelourinho da «Toponímia», está a permitir que o vereador-líder do PS ganhe na Secretaria aquilo que perdeu no terreno eleitoral.
É preciso não esquecer que foi o PS que deu a maioria absoluta à CDU.
É preciso não esquecer que foram muitos eleitores PS, talvez alguns milhares, que não votaram PS e votaram CDU, dizendo não ao PS, permitindo à CDU com maioria absoluta gerir com integridade.
Carlos Humberto se ceder ao vereador Amílcar Romano - líder do PS - está a demonstrar medo perante um adversário com pés de barro e a fragilizar, desde já, a sua posição de liderança.

O PS ou aceita ou fica quatro anos, mais uma vez, sem pelouros

Em conclusão, Carlos Humberto vai atribuir tempos e pelouros aos cabeças de lista do PS e PSD.
O PS pelo que consta fez uma contraproposta, e parece ignorar que, nos dias de hoje, quem tem que demonstrar capacidade de diálogo e humildade politica é o PS, ou os vereadores eleitos pelo PS,
O PCP/CDU ao atribuir pelouros e tempos está a demonstrar que quer partilhar o poder.
O cenário que está a ser criado, para a próxima semana, parece que quer inverter a realidade.
E, obviamente, a discussão da partilha de poder tem limites – quer para um lado quer para o outro. Tudo tem limites.
Mas, também, os resultados eleitorais permitem leituras políticas.
Não estou, na verdade, a ver Carlos Humberto, a dar a outra face, depois de tudo o que Amílcar Romano disse na última reunião pública de Câmara como vereador…
Os vereadores do PS parece que, agora querem inverter o processo e colocar Carlos Humberto entre a espada e a parede, exigindo, pelo que consta, a atribuição de tempo para Amílcar Romano.
Isto é surpreendente! Como é que Amílcar Romano quer ter tempo, na gestão, depois de tudo o que disse do presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Para mim os dados estão lançados. O PS ou aceita a proposta inicial do presidente da Câmara e demonstra humildade politica e vontade de trabalhar, ou recusa e, pronto, fica quatro anos, mais uma vez, sem pelouros, ali, a mandar umas bocas na reuniões de Câmara, como aconteceu no último mandato.

A ética e a credibilidade, ganham-se e perdem-se…com actos

E, de facto, se assim for é pena, porque o Barreiro precisa de um PS a trabalhar na autarquia.
O Barreiro precisa nesta sua fase histórica de envolvimento de todos.
Só que o PS é o PS. Os vereadores eleitos pelo PS são três, e, portanto, o PS não é o vereador Amílcar Romano.
Parece que, em nome do PS, Amílcar Romano, repito, quer ganhar na Secretaria o que perdeu no processo eleitoral.
Não acredito que Carlos Humberto vá para além daquilo que já apresentou como proposta aos vereadores eleitos do Partido Socialista, nomeadamente a Nuno Santa Clara Gomes e a Zélia Silva.
Reconheço que é uma boa proposta, digna, que credibiliza um autarca que venceu com maioria absoluta.
É que, sublinhe-se, não compete a Carlos Humberto, resolver os problemas internos do PS, o presidente da Câmara tem que se preocupar com a gestão da autarquia.
E, em politica, a ética e a credibilidade, ganham-se e perdem-se…com actos.
Carlos Humberto ganhou mais uma vez, com ética e credibilidade, ao apresentar as propostas que colocou aos vereadores da oposição.
Agora, se recuar perante as “pressões dos socialistas” será o seu primeiro gesto de fragilidade política…
Porque, na verdade, é, ao PS, hoje, a quem compete demonstrar que coloca o Barreiro Primeiro.

António Sousa Pereira

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