Saltar para o conteúdo
Inferências

Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroA autarquia não quer o Barreiro como dormitório
Por António Sousa Pereira

Hoje ficam aqui algumas notas para reflexão, nomeadamente, a ligação da cidade ao rio. A forma como o rio pode e deve ter um papel central no futuro da cidade e da região.

Existe, ou não, uma visão estratégica de cidade e do papel da cidade na região que é transversal à visão de cidade das diferentes forças políticas?

As «Opções Participadas» podem, ou não, ter um papel mais relevante numa estratégia de valorização da cidadania?

6 min de leitura
Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro A autarquia não quer o Barreiro como dormitório Por António Sousa Pereira

Por Jornal Rostos

Pelas mais diversas razões não tem sido editada com regularidade esta rubrica «Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS DO BARREIRO». Não é que não hajam assuntos, porque, esses existem todos os dias.
Mas, parafraseando o poeta, é caso para dizer :«escrever todos os dias também cansa».
E, por vezes, até, de facto, nem apetece entrar em polémicas ou exprimir opiniões, tantas são as convicções e os convictos, que proliferam no viver quotidiano, na pluralidade de «esquinas».
Bom, mas estou também cansado deste «sossego» que acaba por me incomodar.

Uma ideia pragmática e uma ideia estratégica

José Junqueiro, Secretário de Estado da Administração Local, esteve de visita ao Barreiro.
No final da sua visita foi realizado um breve encontro com os órgãos de comunicação social.
Registei as suas palavras, tendo referido que, com esta visita, tomou conhecimento do Barreiro «de forma privilegiada», e, também que se apercebeu que a Câmara Municipal do Barreiro tem uma – “uma ideia pragmática e uma ideia estratégica” para o concelho, através da qual visa a organização do território – “entre a habitação e a indústria, a frente ribeirinha e aquilo que é a matriz do Barreiro,”.
“A autarquia não quer o Barreiro como dormitório, mas como cidade onde se pode viver e trabalhar” – sublinhou José Junqueiro.
O Secretário de Estado da Administração Local, no diálogo com os órgãos de comunicação social, garantiu que todos os projectos relativos à Terceira Travessia do Tejo e planos de mobilidade – “estão a organizar-se no terreno e nada faz prever que possam sofrer qualquer atraso”.
De facto, este dia, mais uma vez deu-me o sentimento que, sobre um eventual modelo ou estratégia de «gestão do território» pouca coisa, ou quase nada, separa as forças políticas a nível local
Aliás, nesse mesmo dia, na reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, foi apresentada pelo vereador Nuno Banza, eleito pelo PSD, uma moção,onde é solicitado «ao Governo da República que torne o projecto do Arco Ribeirinho Sul num projecto prioritário, tomando todas as medidas necessárias para a mais rápida operacionalização e início dos trabalhos, que conduzirão à requalificação ambiental, nomeadamente do espaço industrial da antiga Companhia União Fabril, sito nas Freguesias do Barreiro e Lavradio.»
Em conclusão fiquei a pensar : afinal o que é que, no sentir e pensar o Barreiro, pode fazer a diferença entre as forças politicas locais?
Fica a pergunta. E, na verdade, como todas as perguntas trazem no seu seio a procura de resposta, deixo esse exercício aos leitores.

As «Opções Participadas» e a valorização da cidadania

Participei na sessão das «Opções Participadas» em Santo António da Charneca. Gostei. Gostei da forma interveniente e irreverente como os munícipes colocaram perguntas e lançaram sugestões.
Senti um clima de plena liberdade. Não registei quaisquer espécie de tiques de «tentativas de silenciamento» por perguntas mais incómodas, como já aconteceu em determinadas situações.
Registei os elogios ao trabalho autárquico, sem sentido de «bajulação» pelo trabalho realizado na Rua dos Pinheiros, na Vila Chã, onde foi solucionado um problema de saneamento com décadas.
O que me parece que falta nestas sessões de Opções Participadas, é que não fique o sentimento que são meras sessões sem qualquer retorno ou resultado.
A Rua dos Pinheiros é um exemplo. Este foi um tema abordado de forma critica numa sessão de Opções Participadas realizada no União de Vila Chã. Agora resolvido.
Portanto, se em cada sessão são colocadas diversos assuntos, deveria existir a preocupação de, na abertura de cada sessão, dar uma visão global de assuntos colocados em reuniões anteriores naquela freguesia – dando a conhecer os que foram solucionados, ou como foram tratados os assuntos e sua eventual evolução, de forma a existir a consciência que as «Opções Participadas», de facto, na prática, contribuem para melhorar e enriquecer a gestão autárquica e não são um mero – “tubo de escape de opinião-comentário».
Já era tempo, de ser efectuado um balanço politico-autárquico, sobre a importância das «Opções Participadas» numa estratégia de valorização da cidadania.
Eu gostei da sessão de Santo António da Charneca porque senti troca de ideias, confronto de opiniões e motivação nos participantes.
Mas, as «Opções Participadas» não podem e não devem começar e acabar…têm que se um ponto de partida e importante na promoção de uma cidadania activa.

De costas voltadas para o Rio Tejo…

Realizou-se uma visita à ETAR, na qual participaram autarcas e órgãos de comunicação social.
Um tema que pareceu polémico naquela visita foi a relação da cidade com o rio.
Mário Durval, Delegado de Saúde, sublinhou que a futura entrada em funcionamento da ETAR, vai contribuir para devolver o rio aos barreirenses, dado que durante anos o rio foi tratado de forma bárbara.
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sublinhou que durante décadas a cidade viveu «de costas voltadas para o rio».
O autarca salientou o esforço que tem vindo a ser feito para aproximar a cidade do rio, recordou o POLIS, as futuras intervenções em Alburrica e nas zonas ribeirinhas, os projectos para o território da Quimiparque.
Luis Pedro Cerqueira, deputado da Assembleia Municipal do Barreiro ( ex- vereador do Planeamento e Gestão Urbanística, na gestão socialista), expressou a sua não concordância com a tese da cidade de costas voltada para o rio e sublinhou que o Barreiro nasceu e cresceu com o Rio Tejo.
Este é um tema interessante de reflexão. A ligação da cidade ao rio.
A forma como a cidade foi sendo «separada» do seu rio, nomeadamente com a conquista de espaços pelo domínio industrial.
Nomeadamente com a poluição acelerada das suas águas, pela actividade industrial.
A forma como o rio pode e deve ter um papel central no futuro da cidade e da região.
Tem, ou não, o Barreiro vivido de costas voltadas para o rio? De que modo a sua relação com o rio marcou o seu desenvolvimento.
Por exemplo, nos anos 70, não foi o rio a «estrada» que marcou o seu desordenado desenvolvimento urbanístico? Gerando um misto de «cidade dormitório» em paralelo com uma «cidade de trabalho» que isolava a cidade do rio?
São perguntas que podem ser o leit-motiv para um interessante seminário.
Aliás, o Bloco de Esquerda, já lançou no Barreiro um interessante debate sobre a importância do Rio Tejo na implementação de uma estratégia de cidade.
Uma coisa sinto, como cidadão – houve um tempo que eu, e muitos, íamos até às margens do rio e sentíamos o rio como nosso, até nadávamos nas suas praias, depois, houve um tempo em queo rio foi ficando distante, distante…ficando apenas como sentimento de uma simples e bela «varanda sobre o Tejo» de onde olhamos para outra margem.

António Sousa Pereira

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção