Tertúlia à Sexta-FeiraComeço da vida política do Século XXI em Portugal
BARREIRO / SETÚBAL
Imaginem o impacto de tudo isto na política local do Barreiro e do distrito de Setúbal.

Por Jornal Rostos
Todas as semanas, às sextas-feiras, um grupo de barreirenses, entro os quais me encontro, almoçamos numa TERTÚLIA animada, agora, no Restaurante “A Transmontana”.
A «Tertúlia» tem como lema – “Aqui ninguém se cala».
Num dos últimos encontros, após o Congresso do PSD, ficou bem expresso, que ali não queremos que impere a lei da rolha.
Na TERTÚLIA fala-se de tudo um pouco, da vida politica local, da vida politica nacional, de cultura, de cidadania – recordam-se memórias do passado, trocam-se experiências de vida.
É um agradável convívio.
Um verdadeiro encontro inter-geracional.
Um verdadeiro encontro de pluralidade e de vivência democrática.
Na última sexta-feira, naturalmente um dos temas foi a conversa em torno das eleições do PSD.
Olga Paredes, presidente da Comissão Politica da Secção do Barreiro do PSD, apoiante de Pedro Passos Coelho, expressava a sua confiança na vitória.
Sublinhava que Pedro Passos Coelho era um homem que tinha como principais características – “uma cultura de frontalidade”, a “honestidade” e uma forte capacidade de “liderança”.
No meio daquela conversa comentei – “Então, registem que, hoje, dia 26 de Março de 2010, marca o começo da vida política do século XXI em Portugal”.
Perguntaram-me porquê. Respondi – “Porque hoje, ganhe Passos Coelho ou ganhe Rangel, isto vai mudar de rumo e entra uma nova geração na vida politica. Mas, mais se vencer Passos Coelho”.
Senti um silêncio. A Olga, naturalmente, sorriu.
Vejamos agora, que já são conhecidos os resultados das eleições do PSD, aquilo que é o meu sentimento e, longe dos grandes palcos da vida politica nacional e dos grandes comentadores, qual o sentimento que tenho registado.
Noto que o arrumar de casa no PSD – com mais ou menos baronatos ( quem os não tem), foi gerada uma sensação que, finalmente, o PSD pode começar a colocar-se como uma «alternância» ou «alternativa» ao PS.
O PS a partir de agora já não está só e conta com um adversário de peso, um adversário que é capaz de fazer a mesma politica.
Sinto que o PSD pode ser capaz de libertar este país de viver a «esquizofrenia politica», ou seja ter no poder um partido de esquerda que governa com constantes cedências às politicas de direita.
Sinto que o PSD e o seu novo líder Passos Coelho já tem sobre si a responsabilidade de gerar uma alternativa ao PS.
Sinto que José Sócrates já não está sozinho e tem que se preparar para um duro e forte combate.
Sinto que há, nas pessoas um sentimento, real, que a realização de eleições antecipadas são uma inevitabilidade – antes ou depois das presidenciais.
Sinto que essas eleições realizarem-se antes das presidenciais apenas não interessa a Cavaco Silva ou a Manuel Alegre, para os portugueses é indiferente.
Sinto que o PSD a partir de agora não vai brincar em serviço.
Sinto que no PS, naqueles que não vivem do aparelho - há uma onda de perda de confiança e que quase, já acreditam que agora chegou o tempo do PSD avançar no «assalto» ao Estado.
Sinto que Pedro Passos Coelho, como futuro1º Ministro, não vai por ponto final no projecto TGV, nem na construção da Terceira Travessia do Tejo, vai limitar-se a adiar e todos, directa ou indirectamente, aceitam pacificamente esse eventual adiamento.
Sinto que Pedro Passos Coelho, por muito que queira reduzir a força do Estado na sociedade portuguesa vai ter que prolongar no tempo, por duas ou três décadas essa mudança, inadiável.
Sinto que Pedro Passos Coelho vai querer fazer as mudanças do papel do Estado, negociando e não em confronto com grupos e classes sociais. O exemplo da gestão socialista é uma lição.
Por outro lado, ele sabe que, no poder, vai ter o PS à esquerda a gritar contra aquilo que agora no poder considera inadiável.
Sim, o BE que se cuide. Porque a chegada do PSD ao poder vai arrastar muitos daqueles que agora andam pelas suas margens.
E, o PS na oposição, não vai deixar espaço para o BE se afirmar como partido de causas de esquerda.
Porque o PS, mais que o BE, é um partido com um ideário de causas e valores.
Pena que, por vezes, fiquem na gaveta!
O PCP está como peixe na água, a vitória do PSD, fará o PS regressar as causas da esquerda, factor que poderá reforçar a presença do PCP.
A luta entre o PCP e o PS vai fazer-se no plano autárquico e no plano regional.
Sim, porque um dos caminhos para mudar o centralismo do Estado, a redução do seu peso estrutural, quer se queira quer não, passa pela implementação da regionalização.
Pois, não é por mero acaso que Pedro Passos Coelho se afirma como um grande adepto da regionalização.
É por tudo isto…e mais não digo que acho que a vida politica do século XXI, em Portugal, começa agora…
O PS terá que perceber tudo isto se quer continuar a ser poder…mas com a «esquizofrenia politica» que tem sido a sua marca dos últimos anos, não vejo que encontre energias para travar a «onda laranja» que está anunciada.
Pode fazer muitas inaugurações. Pode anunciar muitos pacotes.
O problema real reside apenas no ser capaz de mostrar que pode, no poder, ser diferente do PSD. Acho que já é tarde, porque tem faltado ideário e motivação política.
Imaginem agora o impacto de tudo isto na politica local do Barreiro e do distrito de Setúbal.
Até para a semana na Tertúlia…
S.P.













