InferênciasEntre a “partidolatria” e o “bullying partidário”
Por António Sousa Pereira
BARREIRO
Afinal, quer queiram quer não queiram – os senhores do “bullying partidário” e da “partidolatria” - há sempre alguém que diz…Abril está no coração!

Por Jornal Rostos
Há dias que chego a pensar como tenho saudades de algumas conversas, pela noite dentro, de antes do 25 de Abril e dos tempos do PREC, onde na conflitualidade de contrários, que gerava um confronto maniqueísta – de quem não é por nós é contra nós – afinal, apesar de tudo isso, nesse tempo, de tantos estigmas, até existia uma brecha por onde se respirava e emergia o confronto de ideias, de valores e princípios.
Naqueles tempos a conflitualidade era marcada pelas diferenças de caminhos que se pretendiam percorrer, o azedume dos confrontos era a expressão de opções.
Vivíamos por ideias. Lutávamos por ideais.
Num tempo, antes de Abril, o nosso sonho era uma caminhada pela conquista da LIBERDADE.
Depois de Abril acontecer era uma caminhada na busca de caminhos, no rasgar as portas da esperança, com diversidade de opções, com conflitualidades, por vezes, levadas ao extremo do confronto armado.
Eram ideias que marcavam os dias. As diferenças partidárias eram ideológicas. Ter partido era ter uma opção por um caminho.
Tenho saudades desse tempo. Onde, de facto, ter partido era não ser neutro. Era escolher um lado da barricada, com convicções e valores.
Hoje sinto que vivemos tempos diferentes.
A diversidade ideológica esbate-se no dito pragmatismo.
A conflitualidade partidária, muitas vezes, não é um confronto de diferenças, é, isso sim, um verdadeiro “bullying partidário”.
O debate de ideias é marcado por uma verdadeira “partidolatria”.
Parece que voltámos ao pior dos tempos de “quem é não é por nós é contra nós”, do “pensar a preto e branco”, só que, de facto, hoje, há uma grande diferença – já não vivemos num clima de “guerra fria”, de busca de caminhos, mas, sim, de facto, vivemos num clima de “guerrilha urbana”!
Na «guerra fria», ao menos, sabia-se quem estava de um lado, e, também, quem estava de outro lado das barricadas.
Na «guerrilha urbana» nunca sabe quem está do lado de quem, o que conta é a forma de chegar ao poder, manter o poder e «matar» quem estiver com opinião diferente.
Na «guerrilha urbana», vemos muitas vezes, quem ontem era adversário, hoje, estar de mãos dadas, cultivando o dito «inimigo comum».
Até parece que queremos construir uma cidade com guettos, onde uns, aqueles que optam pela «partidolatria» são bons e os outros, aqueles que optam apenas por ter apenas e somente «partido» são maus.
Ter «partido» é ter ideias, ter valores, ter opções e ser capaz de respeitar as diferenças.
Quem tem «partido» e não respeita as diferenças, não tem «partido», é um «partidolotra». Um partido tem que ser antes de mais um exemplo de vivência da democracia e uma escola de democracia.
Um partido tem que ser um exemplo para a cidade.
A melhor energia de um partido é a sua afirmação no respeito pelas diferenças.
Uma cidade constrói-se com as diferenças. O respeito pelas diferenças começa na valorização e preservação da cultura democrática.
Ter partido com convicções é ter força para combater o “bullying partidário”.
Ter partido com convicções é ter a energia da liberdade para crescer acima da “partidolatria”.
Felizmente que, apesar de tudo, ainda há por aí quem vá alertando para o esvaziamento de «ideário» e, também, há quem cultive a «participação».
Porque, de facto, o “bullying partidário” e a “partidolatria” são meras emergências transitórias de um tempo de mudança, próprio de um tempo que vive e gere a acção política pelo «marketing politico».
Felizmente, hoje, os promotores do “bullying partidário” e da “partidolatria” contam, no outro lado, com um adversário poderoso – a democracia e a liberdade!
Como sou daqueles que acredita que a LIBERDADE É O MOTOR DA HISTÓRIA…cá estou, como sempre, pronto para viver Abril.
Afinal, quer queiram quer não queiram – os senhores do “bullying partidário” e da “partidolatria” - há sempre alguém que diz…Abril está no coração!
António Sousa Pereira













