InferênciasTáctica do Castelo» e «Táctica do Campo Aberto» marcas da vida política do Barreiro
Outras vezes o PS, vai a reboque do BE e CDU, como foi o caso do que classificou de «boa ideia» a construção do monumento à família operária. Quando, de facto, o PS devia ter tido coragem de separar as águas e ter exigido que no Barreiro fosse, isso sim, construído um monumento ao «Trabalho».

Por Jornal Rostos
No meu dossier de notas e comentários sobre a vida politica local, onde vou registando as minhas reflexões sobre os sinais dos tempos, um destes dias registei uma nota sobre as duas tácticas, que denominei «Táctica do Castelo» e «Táctica do Campo Aberto».
Tenho reflectido sobre estas duas tácticas e, de facto, recentes factos políticos da vida política local, mais uma vez, confirmam que estas são as duas «tácticas» que modelam os comportamentos políticos locais.
A «Táctica do Castelo» é aquela que motiva as forças politicas a fecharem-se dentro de si próprias, isolam-se das realidades locais, colocam a sua ideologia acima dos interesses da comunidade, olham à sua volta e só encontram inimigos, procuram encontrar fenómenos – circunstancias - que sirvam de agitação politica, como forma de criar uma nuvem de fumo que esconda a realidade, real, que é incapacidade de agirem politicamente e demonstrarem que têm uma estratégia e uma concepção de cidade.
A «Táctica do Castelo» divide a cidade em dois grupos os «bons» e os «maus».
É uma táctica marcada pelo cinzentismo político, pela negação do combate de ideias, que não aceita o respeito pelo direito às diferenças.
É uma táctica que só aceita duas verdades a «nossa» e a «deles».
A «táctica do Castelo» é própria de quem não tem rumo e, apenas vive, confiando no seu mundo e, naturalmente, não acredita que há mais vida para além do castelo e daqueles que estão lá dentro, convictos que o mundo é aquela realidade dominante que os absorve todos os dias.
A «Táctica do Campo Aberto», pelo contrário, motiva à participação, promove o confronto das diferenças, estimula o diálogo com os agentes locais.
Mais que discutir pormenores aponta caminhos, acredita no desenvolvimento de um projecto de cidade e de valorização da cidadania.
A Táctica do Campo Aberto quer que todos, mesmo todos, participem na construção da cidade, porque, acredita, que, o que é de todos por todos deve ser decidido.
A táctica do campo aberto aposta no respeito das diferenças, aceita o confronto de ideias como essencial para o enriquecimento e descoberta de caminhos.
A táctica do campo aberto acredita que, na verdade, o melhor numa cidade, são, sem dúvida, os seus cidadãos e os seus agentes locais.
A táctica do campo aberto acredita na vida democrática como fonte geradora da cidadania, acredita que não há democracia sem participação .
A táctica do campo aberto defende que há mais vida para além dos conflitos de carácter ideológico ou de guerras partidárias.
A táctica do campo aberto não divide o mundo em «bons» e «maus».
A táctica do campo aberto não aceita o cinzentismo politico, os «yes man», a subserviência, como caminho para construção de uma cidade.
Quando penso nestas duas tácticas e olho para aquilo que tem sido a vida política local no Barreiro, nesta nossa democracia pós 25 de Abril, o que concluo é muito simples – sempre que uma força política optou pela acção politica com base na «táctica do castelo», os barreirenses que sempre colocaram a Liberdade como projecto de vida e de afirmação da cidadania, quer antes, quer depois do 25 de Abril, souberam dizer: Não!
Os barreirenses sempre optaram por escolher quem utiliza a «táctica do campo aberto».
Escolheram para liderar os destinos da cidade o PCP/CDU, sempre, enquanto esta força politica demonstrou estar aberta ao diálogo com a cidade, abria pontes com o movimento associativo, com as Comissões de Moradores, percorria as ruas da cidade no «presta contas», com uma «táctica de campo aberto».
Neste tempo, o PS vivia voltado para si próprio e só emergia para a vida local nas eleições autárquicas, numa permanente «táctica do castelo» .
Os barreirenses escolheram o PS quando, na verdade, esta força politica abriu caminho ao diálogo com os cidadãos e, teoricamente, afirmava que era possível construir um modelo de cidade diferente, em debate de ideias em confronto com o autismo da CDU.
Voltaram a escolher de novo a CDU porque, enquanto o PS foi poder, não optou por uma «táctica de campo aberto» mas, antes pelo contrário, cimentou uma forma recauchutada de uma «neo-táctica do castelo».
Entretanto, a CDU, aprendendo as lições de ter vivido o seu tempo de «táctica do castelo», foi para a rua, dialogou com as populações pediu desculpa pelos erros, retomou a «táctica do campo aberto», fez um trabalho de formiguinha, enquanto o PS fazia trabalho de cigarra.
Entretanto, o PS voltou à «táctica do castelo» ao anticomunismo primário, a uma cultura política de bons e maus.
Aliás, o PS passou a dividir a história do Barreiro em duas eras – antes do PS, e depois do PS.
A CDU optou por abrir, dialogar, e, reforçou as suas posições, retomando a sua maioria absoluta.
E agora?
Bom agora, os tais sinais que começo a sentir é que, o PS não aprendeu a lição, nem entende a vida real desta cidade.
O PS na sua acção política local, umas vezes vai a reboque do PSD, copiando ou querendo «roubar» a agenda política do PSD, como está a fazer com o «fait divers» da estátua de Alfredo da Silva.
Este, aliás, pode ser, talvez, um «fait divers», para se penitenciar de uma herança histórica, fazendo a catarse, pelo facto de ter sido a força politica, no Barreiro, que no pós 25 de Abril apresentou propostas para que a Estátua Alfredo da Silva fosse retirada do centro da cidade.
Outras vezes o PS, vai a reboque do BE e CDU, como foi o caso do que classificou de «boa ideia» a construção do monumento à família operária. Quando, de facto, o PS devia ter tido coragem de separar as águas e ter exigido que no Barreiro fosse, isso sim, construído um monumento ao «Trabalho».
Aliás, esse foi, na verdade, o monumento que, sempre, o PCP/CDU defendeu para o Barreiro.
Mas, agora, foi atrás da pressão do BE…
Coisas da vida politica local.
O PS está metido num Castelo e cultiva a «táctica do castelo».
Não se afirma nem, como alternância, nem como alternativa, nem aprendeu as lições da história.
Quanto à CDU, que lançou o repto da «Cidade da Participação», numa plena vontade de afirmação de uma «táctica de campo aberto», criou expectativas, lançando um conjunto de Conselhos e Observatórios que vão para além das suas capacidades de «animação».
Alguns nunca funcionaram, só recordo o caso do Conselho Municipal do Associativismo.
Por vezes, fica a sensação que a CDU parece, estar, de novo a voltar à «táctica do Castelo», por incapacidade de responder a todos os desafios e ambições de participação que gerou e, que, de facto, pelos vistos, não deseja que se desenvolvam sem algum «enquadramento».
E, na verdade, como sente que não nasce uma alternância, nem se perspectiva uma alternativa, está sozinha no terreno político, gerindo, com serenidade, os «fat divers», que alimentam o quotidiano, nessa visão dos «bons» e «maus», que apenas alimentam pseudo guerrilhas e nada contribuem para perspectivar o futuro da cidade.
Mas, os tiques de regresso à «táctica do castelo», por parte da CDU, principalmente ao nível do discurso da Assembleia Municipal, começam a sentir-se, e, tal, contraria a sua estratégia global de construção da «Cidade da Participação» e o seu discurso de valorização da cidadania.
Em conclusão, ficam, aqui, neste tempo de férias, as duas tácticas para reflexão.
Considero que o futuro será construído por aqueles que optarem por dar vida e desenvolver o espaço de acção politica que permita vivências de cidadania activa, com «tácticas de campo aberto».
É preciso ter orgulho de estar nessa área – “táctica de campo aberto” – fazendo e vivendo cidade, com a cidade, pela cidade.
A construção de uma Cidade onde viver a Participação seja uma referência no fazer cidadania, tem que estar acima de guerrilhas cujo objectivo não são promover a cidadania, nem a participação, mas, promover uma cultura de «bons» e «maus».
O Barreiro, por muito que os que vivem fazendo politica, entre as duas «tácticas» - e são plurais - não acreditem, é uma cidade onde se cultiva a Solidariedade e a Liberdade!
Para tal, basta pensar a história recente da vida politica local e os resultados das eleições.
Divirtam-se. Boas férias!
António Sousa Pereira













