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Inferências

Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroA República e Manuel Cabanas são indissociáveis
. Uma cultura de protecção civil na Penalva

Um incêndio na proximidade da Mata da Machada, na Penalva, deu para registar a inexistência, naquela zona, de «bocas de incêndio» que permitissem no local, com eficácia, abastecer os autotanques.

Tinha um sentimento que comemorar o centenário da República no Barreiro e esquecer Manuel Cabanas era esquecer a memória do Barreiro.
Fico satisfeito e registo, afinal, Manuel Cabanas não foi esquecido neste centenário da República.

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Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro A República e Manuel Cabanas são indissociáveis . Uma cultura de protecção civil na Penalva

Por Jornal Rostos

República e Manuel Cabanas são indissociáveis

Numa das notas, um destes dias, estive para escrever um comentário pelo facto de nestes dias que se comemora o centenário da República, sentir que existia um «silenciamento» em torno da memória republicana barreirense.
Para mim, e penso que para muitos da minha geração, falar de República no Barreiro é algo que, sem dúvida, é indissociável do nome de Manuel Cabanas.
Tinha um sentimento que comemorar o centenário da República no Barreiro e esquecer Manuel Cabanas era esquecer a memória do Barreiro.
Nem o seu partido – PS – considerava importante, ou oportuno, promover uma Conferência ou uma qualquer iniciativa, evocando a propósito do centenário da República as memórias do homem, do cidadão, do resistente, do republicano Manuel Cabanas.
Nem o Barreiro, parecia querer evocar a memória deste seu mui digno e NOBRE - Cidadão Honorário – como referência da cultura republicana da nossa comunidade.
Mas, felizmente, o seu partido, decidiu recordá-lo nas Festas do Barreiro, no Stand que marcou presença na MEI.
E, também, na última reunião de Câmara, Regina Janeiro, referiu que vai ser promovida uma exposição dando a conhecer figuras da República, na qual, o Mestre Manuel Cabanas será o principal protagonista.
Fico satisfeito e registo, afinal, Manuel Cabanas não foi esquecido neste centenário da República.
Ainda, escuto, na minha memória o som da sua voz, no Teatro Cine do Barreiro, em 1973, na comemoração do 5 de Outubro.
A sala estava completamente cheia, pessoal em pé nos corredores laterais.
Um Tenente da GNR, sentado numa mesa atrás da Mesa que presidia às celebrações.
Manuel Cabanas ergueu-se e disse – “Por proposta de uma pessoa presente nesta sala, vamos fazer um minuto de silêncio em memória de Catarina Eufémia”.
A sala ergueu-se. Eu, que tinha sido o portador da proposta, até à mesa, por solicitação de Leonel Coelho, de Alhos Vedros, ainda estava a descer, quando senti a sala erguer-se.
Foi um instante que guardei na memória, cravado, nestes registos, que nos fazem sentir o amor pela Liberdade.
Manuel Cabanas foi o herói que, sempre respeitei, e, um exemplo de homem que reconheci como integro, com quem cultivei sempre uma profunda amizade, e, que sempre conheci, de perto, suas dores e mágoas.
Por isso, estou satisfeito, que, hoje, neste ano do centenário da República seu nome seja reconhecido e faça parte da nossa memória colectiva.

Uma cultura de protecção civil na Penalva

Uma noite destas fui dar uma volta e conversar com o meu amigo Nuno Banza.
Entretanto, soubemos que estava a decorrer um incêndio na proximidade da Mata da Machada.
Fomos ao local, na Penalva. Lá estavam as duas corporações do Barreiro e também da Moita a combater as chamas.
Os populares comentavam que aquele era já o segundo incêndio que se registava naquele local.
Foram, aliás, os moradores os primeiros a intervir no combate às chamas.
Alguém referia que – “Foi fogo posto. É o mesmo gajo. Escutou-se uma motorizada um pouco antes do começo das chamas.”
A situação foi rapidamente controlada, mas, numa situação com um pouco mais de vento, no outro lado da estrada estava a Mata da Machada.
Dois registos. Primeiro a inexistência, naquela zona, de «bocas de incêndio» que permitissem no local, com eficácia, abastecer os autotanques.
Segundo, existindo moradores com capacidade de intervenção na zona, podia ser promovida formação e disponibilizar recursos de forma a serem constituídas «equipas de voluntários» de primeira intervenção, enquanto as equipas dos bombeiros chegam ao local.
Foi o que aconteceu, mas, sem enquadramento e sem a promoção de uma cultura de protecção civil naquela área da Penalva.
Para isto não é preciso dinheiro. Basta utilizar recursos existentes e a própria capacidade dos Bombeiros Voluntários.
Aquela é uma zona de risco…envolver a população na prevenção é essencial.

S.P.

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