Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroBarreiro e Moita têm que ser pensados com um contínuo urbano
Outra nota, sobre o Plano de Urbanização da Quimiparque e áreas envolventes, onde, saliento, como é importante equacionar os territórios de proximidade nomeadamente a Baixa da Banheira, concelho da Moita.
É fundamental dar força à ideia de planear os territórios dos dois concelhos como um contínuo urbano que não podem existir, nem desenvolver-se de costas voltadas uns para os outros, antes pelo contrário, beneficiam por serem pensados estrategicamente com visões integradas de futuro.

Por Jornal Rostos
João Raio na hora da despedida
Nas instalações do Grupo Recreativo da Quinta da Lomba realizou-se a reunião da Assembleia de Freguesia que marcou a despedida de João Raio, do cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Santo André, função que exercia há 20 anos.
O autarca foi substituído por António Marques, um dirigente sindical há 36 anos.
Sempre considerei João Raio, um homem da «linha dura» do PCP, um fiel cumpridor das orientações do seu partido, mas, também, um daqueles autarcas que «arregaça as mangas», e, como autarca coloca em primeiro lugar a vontade de servir as pessoas e a comunidade.
Na Assembleia Municipal do Barreiro, João Raio, muitas vezes, era sempre daqueles que «ferve com água fria» e reagia das formas mais diversas às críticas das forças da oposição, estando, regra geral, na primeira linha das bocas e contra bocas que ali, naquele fórum, ocorrem nos momentos mais conflituosos.
João Raio sempre foi um autarca de trabalho daqueles que é mais de fazer que dizer, daqueles que sente na pele que a “politica faz-se fazendo”.
Embora de há muito a sua saída fosse um saída anunciada, foi com alguma surpresa que, agora, a meio do mandato, registou-se a sua retirada.
Um formigueiro tocou-me os nervos ao escutar o discurso do novo presidente – recordando que não é um novato na política, que é dirigente sindical há 36 anos e dirigente concelhio do Barreiro do PCP – fiquei com uma ideia a murmurar os meus sentidos, porque deu-me a sensação que no executivo da freguesia de Santo André estava, afinal, latente um «conflito subtil» de titãs, que, inevitavelmente tinha que conduzir à rápida saída de João Raio, que obviamente já estaria agendada.
Foi assim uma espécie de – “não guardes para amanhã o que podes fazer já hoje, vai ver televisão em paz”.
É que, de facto, não percebi a necessidade do novo presidente puxar pelos «galões» e do seu curriculum pessoal, num momento que se assinalava a saída do «dinossauro» da política de Santo André.
Seria para dizer indirectamente : ele esteve 36 anos como autarca, mas eu também estou há 36 anos como sindicalista. Somos iguais. Seria? Não havia necessidade.
Aqui fica esta nota e uma saudação a João Raio pelo seu exemplo de autarca, e, naturalmente, ao novo presidente com votos de bom trabalho.
Uma nota final - o trabalho politico autárquico não tem as mesmas características que o trabalho politico sindical.
O trabalho sindical é marcado por uma dimensão e cultura de classe.
O trabalho autárquico por uma dimensão e cultura de massas.
Tal, como o trabalho politico partidário tem uma dimensão e uma cultura de partido.
Há uma grande diferença.
Uma diferença muito grande, na forma de estar e exercer estas diferentes actividades políticas.
E, muitas vezes, há autarcas, sindicalistas e dirigentes partidários, que não compreendem essas diferenças, e, tal, naturalmente, induz em erros de acção táctica e estratégica…
Plano de Urbanização da Quimiparque e áreas envolventes
Na Biblioteca Municipal do Barreiro decorreu uma reunião com empresários com o objectivo de apresentação do Plano de Urbanização da Quimiparque e áreas envolventes.
Nesta reunião, sugeri que fosse analisada a continuação para o concelho da Moita da «estrutura ecológica» ao longo da linha férrea.
Foi salientado o facto de pela zona do concelho da Moita estar previsto a continuação de circulação ferroviária.
Mas, continuo a pensar que pela zona urbana em continuidade, até Alhos Vedros, é possível fazer avançar esse corredor ecológico mesmo que seja a longo prazo, porque os comboios podem circular em túnel subterrâneo.
O papel de centralidade do Barreiro passa, naturalmente, pelo alargamento da dimensão de escala demográfica que for capaz de influenciar.
Os concelhos do Barreiro e Moita têm que desenvolver mais acções em conjunto de potenciação e planeamento conjunto dos seus territórios.
A proximidade as freguesias da Baixa da Banheira, Vale da Amoreira e Alhos Vedros, ao Lavradio, Santo André e Santo António da Charneca devem colocar em aberto, de forma permanente, a ideia de planear os territórios circundantes como um contínuo urbano que não podem existir, nem desenvolver-se de costas voltadas uns para os outros, antes pelo contrário, beneficiam por serem pensados estrategicamente com visões de futuro.
Foi uma reunião positiva e que deixou no ar em aberto matérias que vão animar o debate em torno do Plano de Urbanização do Território da Quimiparque e zonas envolventes.
Este projecto, com ponte para já, ou com ponte mais à frente, é, sem dúvida estruturante para o futuro do concelho, da Península de Setúbal e da Área Metropolitana de Lisboa.













