Assembleia Municipal do BarreiroAlgo está a mudar na politica local…
Aqui está…

Por Jornal Rostos
Realizou-se ontem uma reunião da Assembleia Municipal do Barreiro. O «Rostos» mantinha regularmente uma rubrica de notas de reflexão sobre dos trabalhos daquele órgão autárquico.
Ao longo do tempo, por diversas razões essa rubrica foi-se perdendo, mas, agora, aqui estamos de novo a retomar.
Ontem, sentimos que existem sinais que o discurso político na Assembleia Municipal do Barreiro pode subir de nível e deixar de ser o regabofe que caracteriza os períodos de antes da Ordem do Dia, por essa razão, emergiu esta vontade de retomar o «ranking da AMB».
Aqui está…
Ranking
1. Isidro Heitor – Nota 10
Nas suas intervenções demonstrou que realizou trabalho. Um discurso pela positiva.
As suas intervenções demonstram que há uma mudança táctica e estratégica na acção politica dos socialistas.
Uma intervenção que demonstra existe vontade do PS em se afirmar como alternativa de poder, e, portanto, quem se coloca neste patamar sabe, obviamente, que estando no Poder não apresentava propostas diferentes da CDU.
Ao escutar a intervenção de Isidro Heitor ocorria ao pensamento aquele anúncio – “Mudaste!»
2. Carlos Humberto – Nota 10
Soube resistir às provocações permanentes do líder da bancada social democrata.
Soube falar no momento que ele próprio considerou e não entrar em despique “ideológico” ou “pseudo-ideológico”. Deixou ficar os papões na gaveta e respondeu com números e factos.
Marcou pontos, quando lançou o repto de abrir portas de diálogo com o Governo para lançar um «Plano de Combate aos Problemas Sociais», partilhando responsabilidades mas exigindo do Poder Central que não remeta para as autarquias as responsabilidades das situações geradas pelas politicas dos PEC’s.
3. Rui Ferrugem – Nota 8
Esteve com um discurso contido, aguentou-se na sua tradicional postura de confronto, que regra geral tem como referência a superioridade moral.
Argumentou com perspicácia e defendeu as posições da CDU com dignidade.
Demonstrou com números a realidade efectiva que emerge da aplicação das taxas propostas e clarificou que sem receitas não é possível valorizar a acção da autarquia.
4. Humberto Candeias – Nota 8
Defendeu as suas posições com mérito, procurando argumentar sobre as razões das propostas.
Reconhecendo as dificuldades financeiras, não apontou caminhos para as resolver. Esteve bem para quem está na oposição sem ambições de ser poder.
5. João Pintassilgo – Nota 8
Funcionou como uma segunda «linha de ataque», um «ponta esquerda» que acrescentava aspectos politico-ideológicos não abordados por Isidro Heitor, enfrentando quer a CDU, quer o PSD e procurando deixar claro o espaço de acção politica dos socialistas.
Deixou no ar a ideia que os socialistas vão pegar numa bandeira na sua acção política futura ao nível local – as questões sociais.
6. Hugo Cruz – Nota 7
Uma intervenção marcada pela visão social democrata ao nível macro.
Procurou abrir brechas na CDU, responsabilizando a sua acção politica de «conservadora» e chamou a si a paternidade de algumas alterações registadas nas propostas.
Foi uma intervenção pacifica que permite clarificar que a Assembleia Municipal é um fórum politico onde se expressam as diferenças.
7 . Bruno Vitorino - 5
Efectuou intervenções politicas positivas do ponto de vista da defesa daquele que considera ser o seu eleitorado e a sua base social de apoio no concelho do Barreiro ou na região.
Esteve bem ao demonstrar que a CDU, após não concordar, acabou por aderir a algumas sugestões que os sociais democratas foram apontando ao longo do tempo.
Depois, funcionou como o «agente da provocação» sempre a «picar» o PCP/CDU e, mais directamente, a querer espicaçar um confronto com o Presidente da Câmara.
Nota-se que nas suas intervenções está subjacente a ideia de desfazer o capital politico da CDU – Carlos Humberto.
Teve um discurso tipo «cassete» dos manuais de politica – Como atacar o PCP.
A bancada do PCP/CDU e o Presidente da Câmara optaram por ignorar as provocações.
Bruno Vitorino funcionou como «lebre» que vai à frente para desgastar a CDU, só que da CDU, fizeram-lhe um manguito.
8. José Paleta – Nota 5
Foi uma intervenção que veio trazer para a Assembleia os pontos de vista do PCP – a força dominante da CDU – recordou que a CDU tem um programa sufragado pelo eleitorado e tem concepções próprias das quais não abdica.
Foi uma intervenção que cheirou um pouco à afirmação do «síndroma da Maioria absoluta».
Uma intervenção ideológica, que, no contexto era puramente desnecessária. Não acrescentou nada ao debate, serviu apenas para demonstrar que existe na AMB uma «consciência moral», sempre pronta a colocar os pontos nos is…
Foi uma intervenção serena e sem cair, como é habitual no conflito e agressividade ideológica.
Só recordar que as maiorias absolutas ganham-se perdem-se, basta olhar para a história.
9 .Ana Porfírio – Nota 4
João Pintassilgo – PS - apelou ao respeito pelo Estatuto da Oposição. Sublinhou que este é um caminho de valorizar a democracia. Elogiou o comportamento da CDU na freguesia da Verderena, que escutou a oposição e manifestou disponibilidade de aceitar propostas apresentadas pelos eleitos do PS.
Uma intervenção que querendo abrir brechas era, de facto, um elogio à CDU e que dava à CDU o beneficio da dúvida no que se refere ao respeito pelo Estatuto da Oposição.
Ana Porfírio, CDU, em representação da Presidente da Junta de Freguesia da Verderena, quis esclarecer.
De facto na sua freguesia escuta-se a oposição – BE e PS – mas as propostas que foram consideradas de avaliar, serão ainda objecto de análise.
Ou seja, foi uma intervenção que desfez, pela negativa, aquilo que João Pintassilgo tinha dado à CDU, pela positiva.
Enfim, é o que se costuma dizer uma intervenção de quem dá um “tiro no pé”.
S.P.













