Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroESTÁ NA HORA DE EXIGIR, EXIGIR, EXIGIR!
Se o Barreiro tem razão, não tem que reclamar, nem tem que reivindicar – TEM QUE EXIGIR, seja qual for o Governo.
Porque exemplos de «autismo» e do «quero posso e mando» existem tantos, tantos, quer em gestões CDU, quer no «interregno» da gestão PS, que nem vale a pena ir por aí – nem o PS, nem a CDU, podem falar sobre esta matéria, recorrendo à memória, sem terem que, obrigatoriamente, olhar-se ao espelho.

Por Jornal Rostos
Entre o «exigir» ou «reinvindicar»
Num poema escrito por uma amiga minha – Maria Rosa Colaço – ela ensinava a descobrirmos o «peso» das palavras.
E, também, a experiência de vida levou-me, ao longo dos anos a sentir que as palavras têm de facto, cada uma delas, um «peso» especifico.
Não é, na verdade, por mero acaso, que os políticos, quando elaboram comunicados, sentem a necessidade de medir o «peso» das palavras.
Utilizar a palavra «X» ou a «Y» tem portanto um significado, um sentido, nas opções, na forma, no conteúdo, na substância, ou na adjectivação.
Na última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro foi aprovada, por unanimidade, uma moção onde se reconhece que o concelho do Barreiro é penalizado há mais de uma década, pelos sucessivos Governos, pela não atribuição – justa - de uma indemnização compensatória aos Transportes Colectivos do Barreiro.
Todos os autarcas estão de acordo que o Barreiro tem razão, que o Barreiro está a ser discriminado, apontando-se uma verba de 15 milhões de euros, como aquela que o concelho devia ter recebido e não recebeu.
Podemos todos pensar o que poderia ser feito com 15 milhões de euros.
Mas, o curioso nesta reunião, foi a discussão em torno do «peso» de palavras, ou seja se o Barreiro deveria - «Exigir do Governo», ou se devia «reclamar do Governo», ou antes «reivindicar do Governo».
Parece que são meras palavras, mas não são.
Cada uma destas palavras tem um conteúdo muito próprio e caracteriza uma postura política muito própria.
Quem exige, exige porque tem direito.
Exige, porque sabe que aquilo que pede é algo que está consciente pertence-lhe.
Quem exige, exige porque sente que está a ser lesado de um direito.
Quem reclama, pode estar a pedir que lhe atribuam algo que pensa ser justo ter direito, mas quem não lhe atribui considera que tem legalidade para não o fazer.
Quem reivindica, está a lutar por adquirir direitos que considera legítimos e que são justos, mas, coloca-se na posição de quem está a lutar por algo que acha que eventualmente tem direito.
Ora o problema, aqui, real, é que todos estão de acordo que o BARREIRO TEM RAZÃO.
Se tem razão, não tem que reclamar, nem tem que reivindicar – TEM QUE EXIGIR, seja qual for o Governo.
E tem que EXIGIR porque está a defender os interesses da população do Barreiro que os Governos não respeitam e não cumprem.
E, meus senhores, esta matéria não tem nada a ver com PEC’s, nem com crises financeiras mundiais, nem com restrições resultantes da realidade actual do pais.
Esta é uma matéria que se arrasta há décadas.
E, na verdade, começa a ser tempo do Barreiro exigir – EXIGIR, EXIGIR – que nos respeitem e deixem-nos de tratar como portugueses de segunda.
Quem acha que devemos ficar pela reclamação, ou pela reivindicação, está a colocar em causa o respeito pelos barreirenses e não cumpre o seu dever de defender a comunidade enquanto eleito.
O Governo tem que de uma vez por todas encontrar uma solução legislativa ou outra qualquer, o que entender, de forma a que este serviço público deixe de ser penalizado.
A autarquia devia fazer uma grande acção de esclarecimento público desta situação, mobilizar a população.
A autarquia devia estabelecer um prazo para continuar, ou não a servir utentes no âmbito do passe social L123.
A autarquia devia de uma vez por todas, até ao limite, levar esta matéria à Assembleia da República, lançando uma Petição Pública.
Este pode ser um processo negocial, mas quando um processo negocial se arrasta ao longo de mais de uma década, isto é chacota, é brincar não com os nossos direitos, mas, acima de tudo é prejudicar a nossa qualidade de vida e impedir que possamos crescer e desenvolver-nos.
Digam-nos que obras em escolas podiam, ser feitas, que arruamentos arranjados, que apoios ao Movimento Associativo, que apoios à acção social, se a autarquia deixasse de transferir mais de um milhão de euros por ano para os TCB’s?
Ainda acham que devemos continuar a «reclamar», a «reivindicar»?!
Devemos isso sim EXIGIR…e dizer basta!
O confronto de personalidades
Na última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, Adolfo Lopo, presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, depois de fazer a apologia da cultura da «participação», para contrapor a acção da gestão CDU, nesta matéria, à gestão PS, deu o exemplo que, enquanto autarca responsável pelos destinos da freguesia do Lavradio, aguardou 9 meses pela marcação de uma reunião com o Vereador Amílcar Romano e, disse, que este, no início da reunião, terá esclarecido que não teria em conta as suas opiniões para definir politicas na freguesia, naquelas que eram as suas áreas de intervenção.
Amílcar Romano, em resposta, referiu que os exemplo citados por Adolfo Lopo, eram demonstrativos do “seu carácter”.
Depois choveram «bocas» sobre a Escola dos Fidalguinhos para aqui, escola dos Fidalguinhos para ali, convites e não convites…uma peixeirada.
Enfim, um momento para ficar nos anais da Assembleia Municipal do Barreiro.
Aliás, este episódio, é um exemplo de como ao pretender-se dar ênfase a uma estratégia de intervenção – a participação – tudo se esboroou em questões de lana caprina e meramente pessoais, marginais à essência politica, daquilo que é uma «cultura de participação» ou deve ser uma «cultura de participação».
Porque exemplos destes de «autismo» e do «quero posso e mando» existem tantos, tantos, quer em gestões CDU, quer no «interregno» da gestão PS, que nem vale a pena ir por aí – nem o PS, nem a CDU, podem falar sobre esta matéria, recorrendo à memória, sem terem que, obrigatoriamente, olhar-se ao espelho.
Na prática, aquilo que poderia ter sido uma intervenção «tacticamente» pensada com algum interesse, ficou reduzida ao «egocentrismo» de um confronto de personalidades.
E, ponto final!
S.P.













