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Inferências

Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro«Filme do Desassossego» - Um filme para pensar, sentir e sorrir

O «Filme do Desassossego» foi apresentado no Auditório Municipal Augusto Cabrita no Barreiro, tendo recebido aplausos do público.

“Sinto um grande privilégio de fazer parte desta obra. É uma obra de excepção” – afirmou Cláudio da Silva, actor que interpreta o papel de Fernando Pessoa.

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Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro «Filme do Desassossego» - Um filme para pensar, sentir e sorrir

Por Jornal Rostos

Claudio da Silva, sublinhou que foi através da obra de Fernando Pessoa que descobriu a sua paixão pelo trabalho de actor – “Sou um pessoano».
O actor salientou que para ele foi «um grande privilégio fazer parte desta obra» porque a considera « uma obra de excepção».
Recordou que neste filme Fernando Pessoa, «não usa bigode, não tem chapéu, anda de táxi, é um homem do nosso tempo».
Cláudio da Silva sublinhou que o filme é baseado num livro «eternamente inacabado», com um «conjunto de perguntas», e, recordou, que das edições da obra até hoje efectuadas, «não há duas edições iguais».

Uma predisposição para ser visto

“O “Filme do Desassogego é um filme possível, uma desmontagem deste puzzle infinito” referiu, que é a obra de Fernando de Pessoa – “O Livro do Desassossego» - uma obra marcada de “uma lógica pantanosa” e “pouco definida”- disse.
“Este filme merece uma grande disponibilidade de alma e uma predisposição para ser visto” – salientou, justificando desta forma a razão que motivou João Botelho – realizador – a não colocar o filme nos circuitos comerciais.
Cláudio da Silva salientou que foi «maravilhoso», e, para ele «uma oportunidade fantástica» ter participado neste filme, no papel de Fernando Pessoa, concretizando, desta forma «um sonho» da sua actividade de actor.

Sentimos as palavras nas imagens

O «Filme do Desassossego» é marcado por uma fotografia de grande beleza e uma musicalidade que nos transporta ao mundo das emoções.
Sentimos as palavras nas imagens. Vivemos nos sons os sentimentos.
E, com esta obra de João Botelho, descobrimos de forma natural o desdobramento do «eu» de Fernando Pessoa, porque, afinal, de alguma forma, nos textos escolhidos, emergem as «palavras-sentimentos» que encontramos em Álvaro de Campos, Ricardo Reis ou Alberto Caeiro, todas elas, de forma «subliminar» brotando nos fragmentos do «Livro do Desassossego».
Este é um filme para pensar e sentir. Sorrir.
Este é um filme para meditar e reencontrarmos a «ponte» que se estabelece entre o passado, o presente e o futuro – que, afinal, é, a realidade do ser humano, uma permanente procura de si próprio, através das emoções que fazem os dias.

Encontrar a beleza que está presente na vida

Um filme que nos mostra, que, também, nas imperfeições podemos encontrar a beleza que está presente na vida.
Basta um olhar. Um olhar atento, um olhar diferente para, como dizia Claudio da Silva – nos “deslocarmos do imaginário” que cada um de nós tem sobre a poesia de Fernando Pessoa, ou sobre os sentimentos que forjam os nossos dias, e, então, seremos capazes de viver os dias de forma apaixonada.
É esse o desafio do «Filme do Desassossego», um mergulhar nas emoções, e, fazer-nos sentir nos espaços reais do quotidiano – o amor, o conflito, as contradições do preto e branco e descobrirmos o colorido dos dias – que se cruazam de forma constante entre a morte e a vida!

Os aplausos que escondem uma «consciência irrequieta»

No final do filme registaram-se alguns aplausos do público. Primeiro tímidos. Depois mais intensos. Mas, afinal, sentiram-se os aplausos.
Gostei. E, à memória, ocorreu-me o dia que vi o filme – “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin – antes do 25 de Abril, no Cinema Monumental, em Lisboa, com a sala repleta, no final, a aplaudir. Como se os aplausos soassem a protesto e, verdadeiramente, como um grito de Liberdade, contra um regime que nos oprimia.
Hoje, aqui e agora, aqueles aplausos soaram-me a uma «consciência irrequieta» de quem sente a beleza e a arte como algo que nos toca, mas, que nós, «tememos abraçar» porque o mundo nos sufoca os «sentimentos»…
Talvez, sim talvez, por essa razão. Apetecia-me aplaudir e não o fiz…

António Sousa Pereira

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