Barreiro – «Vila de trabalho, arte e desporto»«O Comboio da Pedra» - um “tecido” escrito de memórias
Por António Sousa Pereira
Esta peça é um “tecido” escrito de memórias. Não é ficção. É um reviver por dentro dos sentimentos guardados no coração.
Obrigado Manela, por este belo texto de memórias, sentimentos, paixão e AMOR ao Barreirense e ao Barreiro.

Por Jornal Rostos
Há algum tempo que Manuela Fonseca, colunista do jornal «Rostos» tem vindo a comentar, comigo, o seu entusiasmo e envolvimento na escrita de uma peça de teatro, cujo objectivo é dar o seu contributo nas acções que estão a ser dinamizadas para assinalar o centenário do Futebol Clube Barreirense.
A “Manela” tem duas paixões clubistas: o seu FCP e a “sua esperança que não finda”.
Recebi agora o texto final da peça de Teatro intitulada «O Comboio da Pedra». Li de uma “assentada”, partilhando as emoções de Manuela Fonseca.
Deixei a minha imaginação criar os cenários e vivenciar as situações.
Imaginei-me no velho Mercado 1º de Maio, fruindo aquele ambiente da vila operária e escutando a linguagem camarra, as relações interclassistas e a força de um clube que funcionava como “âncora” de uma identidade-comunitária.
Registei a forma, a inquietude, o conteúdo, o papel social e interveniente da mulher barreirense – entre o carinho do lar e a sua presença activista na vida da comunidade.
Notei como, de forma discreta e simbólica, a Manuela Fonseca nos faz sentir a presença do regime salazarista e os “símbolos” da sua repressão – o «Olho de boi», ou, o «50».
A Praça, o Rossio, eram o «Largo da Terra», aquele mesmo largo que Manuel da Fonseca retratou do seu Alentejo. Onde se sentia o pulsar dos dias. No dito e no não dito.
Manuela Fonseca nesta sua peça faz-nos reviver as tradições locais, um reencontro com alcunhas, permite-nos sentir o peso dos ferroviários, da CUF, do desporto e da cultura na vida local.
Esta peça é um “tecido” escrito de memórias. Não é ficção. É um reviver por dentro dos sentimentos guardados no coração.
Um texto que procura dar a dimensão de uma identidade que se confunde entre a gesta de um clube e seus associados, e, naturalmente, a sua presença viva na comunidade.
Um texto que nos conduz a pensar os barreirenses espalhados pelo mundo – aqueles que levam o seu Barreiro e o Barreirense no coração. Até Angola onde, talvez muitos não saibam, existe uma filial do FCB.
Um texto escrito com paixão e, até, com uma forte “religiosidade”, quando nos conduz ao “Ginásio” como um «lugar de culto».
Manuela Fonseca faz-nos viver, com entusiasmo, a festa do futebol e vibrar com a emoção de um golo. Apetece mesmo gritar: GOLO!
E, naturalmente, neste seu trabalho não ignora como o futebol era, para muitos – os atletas – uma porta que se abria para um posto de trabalho ou para procurar melhores condições de vida, nomeadamente, aos que partiam rumo a novos desafios – Académica, etc.
A Manela não deixa de comentar, com aquela sua ironia que a caracteriza e emerge no texto – “isso é que é o amor ao clube”.
Uma peça que nos delícia nos “enredos” do “mulheredo”, nas invejas, no amor, na solidariedade.
Se há uma lição a tirar desta peça são os sentimentos que dela emergem no cultivar a palavra - solidariedade.
Uma peça que nos permite descobrir e reviver a «Vila de Trabalho – arte e desporto» , e, por fim, trazendo para a actualidade – as memórias, a força dessa herança, feita de uma história e estórias, Manuela Fonseca lança o desafio para o futuro, recordando que, afinal, todos temos, hoje, a responsabilidade histórica de continuar e manter viva essas cores alvi-rubras, que dignificaram o Barreiro por Portugal e no mundo, como exemplo e referência de “uma fé que tudo vence”.
A peça o «Comboio da Pedra», de Manuela Fonseca, vem dizer-nos que é preciso continuar a cantar – convictos e em harmonia – aquela quadra de Jorge Soares, que, recordo, eu, um dia li, quando desci para a festa do meu casamento nas Caves do Barreirense:
Uma esperança que não finda,
Uma fé que tudo vence.
Um valor mais alto ainda
E um só nome: BARREIRENSE!
Gostei da peça, e, naturalmente, agora está sobre os ombros do jornal “Rostos” a responsabilidade da sua edição.
Neste ano que assinalamos os nossos dez anos de vida, a edição desta peça «Comboio da Pedra», de Manuela Fonseca, será para nós uma honra, e, naturalmente, uma forma de darmos também o nosso contributo para assinalar o centenário do Futebol Clube Barreirense.
Obrigado Manela, por este belo texto de memórias, sentimentos, paixão e AMOR ao Barreirense e ao Barreiro.
Beijos.
António Sousa Pereira













