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Inferências

Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroManuel Cabanas um nome de referência para o Barreiro

. Hoje, parece que o Barreiro esqueceu Álvaro Cunhal

Manuel Cabanas, para além do seu espólio presente em Vila Real de Santo António doou parte do seu trabalho à Câmara Municipal do Barreiro e, acredito, sem dúvida, que, um dia nesses “Roteiros Turísticos” em construção, não será esquecido esse espólio – da Cultura Ferroviária - que se chama Manuel Cabanas.

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Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro Manuel Cabanas um nome de referência para o Barreiro

Por Jornal Rostos

O espólio de Manuel Cabanas

No dia 11 de Fevereiro foi assinalado em Vila Real de Santo António o 109º aniversário do nascimento de Mestre Manuel Cabanas.
A Associação de Amigos da Galeria Manuel Cabanas promoveu uma romagem à Campa de Manuel Cabanas que se encontra no Cemitério de Cacela a Velha.
O concelho de Vila Real de Santo António cuja Câmara Municipal já foi liderada pela CDU e PS, actualmente é liderada pelo PSD.
A autarquia associou-se à homenagem a Manuel Cabanas.
Na sessão foi abordada, a propósito do centenário de António Vicente Campinas, a relação entre estes dois homens naturais do concelho. Manuel Cabanas militante socialista. Vicente Campinas militante comunista.
Fui convidado para prestar o meu testemunho sobre as relações de amizade que ligaram estes homens, dois convictos antifascistas e lutadores pela Liberdade.
Gostei de estar presente nesta cerimónia evocativa da memória de Manuel Cabanas – uma referência na arte da xilogravura a nível nacional.
Gostei de estar presente na evocação da memória de um homem que, antes do 25 de Abril e depois do 25 de Abril, sempre reconheci como uma personalidade de referência de cidadania.
Gostei de estar presente, também, por ter regressado à minha terra natal, e, ali, ter conhecido a espectacular Biblioteca Municipal António Vicente Campinas.
Na minha intervenção, no âmbito da homenagem, recordei que Manuel Cabanas, para além do seu espólio presente em Vila Real de Santo António doou parte do seu trabalho à Câmara Municipal do Barreiro e, acredito, que, um dia nesses “Roteiros Turísticos” em construção, não será esquecido esse espólio – da Cultura Ferroviária - que se chama Manuel Cabanas.
O Barreiro merece e Manuel Cabanas, lá onde se encontrar, verá realizado um seu sonho.

Uma nota final. Tive a honra de conhecer e conviver com Ti’Manel Cabanas. Recordo os seus “alerta”, antes do 25 de Abril, no café Tico Tico.
Recordo aquela sessão imponente, para assinalar o dia 5 de Outubro de 1973. A sua coragem e ousadia.
Recordo a sua integridade, após o 25 de Abril, e, o amor que dava ao Barreiro.
Tive a honra de receber das suas mãos algumas das suas obras – uma delas é uma presença diária na minha sala – o painel de Nuno Gonçalves.
Sinto que o Barreiro tem uma divida de gratidão para com este homem que, não sendo filho natural, adoptou esta terra como a sua terra.
Manuel Cabanas «Cidadão Honorário do Barreiro» merece que seja feita a grande homenagem para perpetuar a sua presença entre nós – criando um espaço onde seja permanente o seu espólio.

Um dia falava-se que o Barreiro era a “Capital da Ilustração» - nos tempos da Ilustrarte , na altura eu escrevia que uma das coisas essenciais para que o Barreiro afirmásse essa sua qualidade de «Capital da Ilustração» era, também ser capaz de trazer para o seu presente as memórias do concelho nessa dimensão – recordei que Manuel Cabanas era uma dessas memórias de ilustrador, com presença em obras de grandes escritores portugueses – Aquilino Ribeiro ou Ferreira de Castro, também recordei Eugénio Silva, o homem da Banda Desenhada com a vida de Eusébio.
São estas pontes entre o que se pretende fazer de novo e o cruzamento com as memórias do passado que abrem as portas ao futuro e criam forças dinâmicas e criativas.
Hoje, que se fala em criação de «Roteiros Turisticos» e, também, da influência da «Cultura Ferroviária» na «identidade barreirense», recordo, convictamente, que Manuel Cabanas, o seu espólio, a sua memória de cidadania, fazem parte desse património e devem, obviamente, ser enquadrados em projectos de referência «turística» e «cultural», como homem símbolo de uma cultura autodidacta e de luta pela Liberdade.

Barreiro esqueceu Álvaro Cunhal

Na visita à minha terra, Vila Real de Santo António, cuja Câmara ( após as lideranças CDU e PS) é há vários mandatos liderada pelo PSD, actualmente com uma maioria absolutíssima social democrata, registei que, ali, existe a Avenida Álvaro Cunhal.
Aqui, no Barreiro, onde este líder histórico do PCP foi sempre uma referência – liderou as greves de 43 - até hoje, não percebi, porque não houve a coragem de atribuir o seu nome à toponímia barreirense.
Recordo que no primeiro dia que vim ao Barreiro, porque só saí do quartel a 28 de Abril, quando cheguei ao Barreiro, em várias paredes encontrei escritas frases a saudar o Álvaro Cunhal.
Hoje, parece que o Barreiro esqueceu…um homem que faz parte da sua história e das suas memórias.
Uma coisa que admirei na minha terra, foi o facto de uma Câmara, liderada por socias democratas, tudo fazer para dar força, recordar e prestigiar dois nomes que fazem parte da memória colectiva - Manuel Cabanas - PS - e Vicente Campinas - PCP.
A isto chama-se o respeito pelas diferenças.
A isto chama-se respeito pela cidadania.
A isto chama-se cultura democrática.

António Sousa Pereira

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