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Inferências

A(nota)mentosHoje no Barreiro está um dia lindo de ABRIL e sinto a LIBERDADE a bater no meu coração

Por isso continuo a celebrar ABRIL, neste dia, onde uma flor, da cor do coração, se ergueu para afirmar PORTUGAL.
Este meu país de sol ameno, céu azul, onde os poetas afirmam que este país milenar, dos poucos no mundo, continua por cumprir, e , onde, um dia da Ocidental praia lusitana, partimos abrindo as portas à modernidade do novo mundo.

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A(nota)mentos Hoje no Barreiro está um dia lindo de ABRIL e sinto a LIBERDADE a bater no meu coração

Por Jornal Rostos

O dia está lindo. Um belo céu azul. Uma temperatura amena.
É um dia de Abril. Este Abril que guardo no meu coração. Este Abril onde guardo todos os sonhos que se escrevem numa única palavra – Liberdade!
Está um dia lindo. Os cravos, os sons de Abril. A Grândola Vila Morena.
Hoje pela manhã, entrei na colectividade, a minha velhinha SFAL, e, ali, senti o cheiro a Primavera nos cravos floridos.

Depois, parti para assistir ao Hastear Solene das Bandeiras, ali, nos Paços do Concelho.
Fanfarras. A Banda. O Hino do MFA. O Hino Nacional. A Grândola ecoando em coro, nas vozes que não se cansam, para que se saiba e sinta que Abril, está vivo aqui, nesta margem, onde a LIBERDADE foi sempre uma bandeira de cidadania.

Encontrei o Juvenal Silvestre, Presidente da Junta de Freguesia de Coina, que me disse: “25 de Abril, Sempre!”
Comentei que sim, porque sim, é a força que faz Abril crescer.
E disse-lhe, que um dos sonhos que acreditei, antes de Abril acontecer, um sonho que tinha na minha forma de estar e sentir os dias, era que um dia findasse aquele pesadelo de pensarmos, neste país, a preto e branco – os bons e os maus.
Mas, afinal, hoje, passados 37 anos, continuamos a viver essa cultura que herdámos de 40 anos de fascismo.
A luta partidária muita vezes não se traduz em confronto de ideias, no debate de projectos, mas num digladiar de ódios e paixões clubistas.
Temos muito que aprender nesta nossa «jovem» democracia.

Hoje, 37 anos depois de Abril, cada vez mais, é preciso exigir aos Partidos Políticos, essenciais à democracia, que sejam, eles mesmos, escolas de promoção de cultura política democrática e de valorização da cidadania.

A Teresa, junto aos Paços do Concelho, veio oferecer-me um cravo. Disse-lhe que não queria. Sorri, e, disse-lhe : “Sabes, eu sou reaccionário!”
Acrescentei – “Sabes como eu gosto de Abril e que a coisa que eu mais amo é a Liberdade».
Mas, digo-vos, hoje, cada vez mais sinto, por dentro dos nervos, que para exprimir o meu AMOR À LIBERDADE, não preciso colocar ao peito o cravo, num dia de Abril.
Porque, sabem, para mim, o 25 de Abril, é um dia que sinto, hoje e sempre, como um recomeço – UM NOVO ANO QUE COMEÇA, mantendo viva essa ESPERANÇA, esse SONHO num mundo melhor.
O dia 25 de Abril para mim que o vivi, por dentro, tem esse sabor de acordar, olhar, o sol e gritar: BOM DIA!

Hoje, está um lindo dia de sol, um belo céu azul, uma temperatura amena, e, apesar das sombras do FMI, e, das desilusões, das dificuldades, continuo a acreditar que a LIBERDADE é uma energia que nos move, continuo a acreditar que, hoje, como em todos os tempos, em todos os lugares – A LIBERDADE É O MOTOR DA HISTÓRIA.

A Liberdade tem que ser o valor que marca o respeito pelo direito à diferença, partilhando as vivências em comunidade.
A Liberdade tem que ser o valor que marca o direito à valorização da identidade de cada um de nós como seres únicos.

Por isso continuo a celebrar ABRIL, neste dia, onde uma flor, da cor do coração, se ergueu para afirmar PORTUGAL.
O meu país de sol ameno, céu azul, onde os poetas afirmam que este país milenar, dos poucos no mundo, continua por cumprir, e, onde, um dia da Ocidental praia lusitana, partimos abrindo as portas à modernidade e nasceu o novo mundo.

Este mundo, marcado culturalmente, por esta Europa, que hoje integramos, e, que, afinal, anda à procura de si própria, sucumbindo, pouco a pouco, aos negócios que a sufocam e vão escavando a cova de um belo sonho nascido em Maio.

Sim, hoje, está um dia lindo de Abril.
Gostei de escutar – Cavaco, Sampaio, Eanes e Soares, num apelo solene à concórdia, e, sublinhando a importância, de sermos capazes de sonhar com o futuro.
Hoje fala-se em “geração à rasca”, e, eu, penso, afinal, que também a minha geração foi uma geração à rasca.
Uma geração que, recordo, na força da vida encontrava pela frente uma Guerra Colonial que ceifou milhares de vidas.
Estávamos todos sempre à rasca!

Hoje está um dia lindo. O céu azul.
Escuto os sons de Grândola Vila Morena e acredito – ABRIL VALEU A PENA, porque a LIBERDADE continua a ser, sem dúvida, a força que nos move, nos empurra e dá energia para nos empenharmos, todos os dias, na construção de um mundo melhor e mais justo.

Hoje está um dia lindo de ABRIL e sinto a LIBERDADE a bater no meu coração!

António Sousa Pereira

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