Saltar para o conteúdo
Inferências

InferênciasBarreiro – uma porta aberta ao Mar

O Barreiro e o Mar. As memórias do Barreiro e a sua ligação ao Mar. Este bem poderia ser um tema de debates, de realização de conferências, seminários, porque muitas estórias e memórias existem por (re) descobrir.

Talvez, esta seja uma das vertentes de referência no pensamento estratégico para pensar o futuro do Barreiro – reabrir as portas do Barreiro ao mar.

6 min de leitura
Inferências Barreiro – uma porta aberta ao Mar

Por Jornal Rostos

A inauguração do monumento de homenagem ao Fuzileiro, no coração do Barreiro, contribui para referenciar a importância do Mar nas memórias do Barreiro.
Recordo, por exemplo, que há investigadores (embora seja um facto ainda por esclarecer) que defendem como origem do topónimo «Barreiro», o facto de neste lugar, se terem radicado um conjunto de pescadores algarvios, que pescavam na «Barra» do Tejo ( com o célebre barco «Muleta»), os quais seriam conhecidos por «Barreiros» - por serem pescadores que exerciam a sua actividade na barra.
Seja, ou não, verdade é algo que faz parte da «mitologia» deste lugar.

O território que hoje integra o concelho do Barreiro está ligado desde a primeira hora à maior epopeia dos portugueses – os descobrimentos.
Esse tempo, dos descobrimentos, que colocaram Portugal como referência na história da humanidade,e, tal, como salienta Hegel, na sua «História da Razão», foi o tempo em que os portugueses deram o importante contributo para, com a sua gesta, abrirem as portas à modernidade.
E, de facto, o território hoje do concelho do Barreiro – na época integrando o «concelho» de Alhos Vedros – faz parte dessa epopeia, dessa abertura de Portugal ao «mar», ao «mundo» à «modernidade».

O Barreiro tem uma longa história ligada ao mar, por aqui, também, os bacalhoeiros, fizeram do Rio Coina um porto de abrigo, onde, na freguesia de Santo André, se estabeleceram raízes profundas de gentes do mar oriundas de Aveiro.
E, as secas do Bacalhau em Santo André ou Palhais, são bem exemplos, vivos, dessa intensa actividade marítima que marcou o território do concelho do Barreiro.
No inicio do século passado, antes de se instalarem no Barreiro as indústrias corticeiras, e, posteriormente a CUF, o Barreiro era uma terra de pescadores.

Mas, a empresa CUF, também contribuiu para abrir as portas do Barreiro ao mar, com a construção de um importante porto marítimo de cargas e descargas.
Na empresa CUF, a classe dos estivadores era uma força de relevo ao nível do movimento operário.

Na zona de Alburrica, há quem recorde os estaleiros ali existentes, ou, o cais da Mercantil de cargas e descargas.
O rio Tejo e o seu «Mar da Palha» são indissociáveis das memórias e da história do Barreiro.
Esta história da ligação do Barreiro ao Rio e ao Mar é uma história que está por fazer e contar.

Com a inauguração do monumento dos Fuzileiros, estas memórias do Barreiro e a sua ligação ao «mar» emergem mais fortes.
Há 50 anos instalou-se no Barreiro a Escola de Fuzileiros Navais, e, no âmbito das comemorações deste cinquentenário, agora, reforça-se a aproximação do Barreiro com esta sua realidade histórica.
Já, quando das comemorações dos 500 anos da Descoberta do caminho marítimo para a Índia, a Marinha assinalou essa efeméride, promovendo no Barreiro, as cerimónias dessa comemoração ao nível nacional.
Uma iniciativa, na época integrada num projecto de carácter pluridisciplinar - «A Viagem» - que envolveu a comunidade escolar.

Igualmente, quando da discussão do Masterplan, uma das ideias que emergia em torno dos projectos para o desenvolvimento do território era promover, ali, um pólo de novas tecnologias voltadas para a «indústria do Mar», dada a importância deste sector técnico-cientifico nos tempos actuais.
Mesmo, agora, com a discussão do projecto do território da Quimiparque e zonas envolventes, é, perspectivado um cenário de criação de uma plataforma marítima da APL nesta margem sul, assim como, uma Marina na zona do Terminal Rodo-Ferro Fluvial.
Aliás, a existência do Porto da LBC Tanquipor, é, na verdade, bem um exemplo das potencialidades da ligação do território do Barreiro ao mar.

O Barreiro e o Mar. As memórias do Barreiro e a sua ligação ao Mar. Este bem poderia ser um tema de debates, de realização de conferências, seminários, porque muitas estórias e memórias existem por (re) descobrir.

Talvez, esta seja uma das vertentes de referência no pensamento estratégico para pensar o futuro do Barreiro – reabrir as portas do Barreiro ao mar.
Porque, afinal é pelo mar e pelo rio que o Barreiro pode ligar-se à outra margem, afirmando a sua centralidade nesta «Praça do Tejo», e, contribuindo para que Lisboa sinta que será mais capital e mais referência internacional se estender as suas dinâmicas económicas para a margem sul, e, portanto, deixar de olhar para a Margem Sul, apenas como o território onde nada existe, ou que é apenas um dormitório.

A inauguração do monumento do Fuzileiro no Barreiro não é um acaso, nem uma mera evocação histórica.
Este monumento, afinal, está ali, como um grito de alerta, uma sentinela, que nos diz, que este território tem memórias, tem potencialidades, que vão para além, muito para além, da sua «cultura ferroviária», da sua «cultura operária», aqui, há uma «cultura do mar» por reencontrar!

Um Barreiro que tem uma frente ribeirinha de grande beleza.
Um Barreiro que tem espelhos de água de excelência para a prática de Vela e remo.
Um Barreiro que, agora, pode começar a contar, cada vez mais com o seu Rio, liberto de esgotos, devido à recente construção da ETAR Barreiro/Moita.
Um Barreiro que tem aqui, nesta sua realidade natural, energias e forças que devem ser potenciadas e valorizadas como linhas centrais de um pensamento estratégico de construção de futuro.
Foi tudo isto que me ocorreu ao viver aquela festa de milhares de fuzileiros, vindos de vários pontos de Portugal, aqui e agora, ao reencontro com as raízes que sentem estão plantadas neste concelho e sentem orgulho de afirmar Barreiro e que são «filhos da Escola» do Barreiro.

Olhava aquela festa, e, pensava, hoje, o Barreiro reabriu as suas portas para o Mar.
Hoje, o Barreiro reencontrou-se, mais uma vez, com as suas memórias e com as memórias do seu território...será que não fica, apenas, pelo simbolismo e pela evocação, e, consegue, de facto, sentir os «ventos da solidariedade» que sopram nas «velas» do monumento ao Fuzileiro...

António Sousa Pereira

PS - Curiosamente, neste dia, o Barreiro contou com a presença de Cavaco Silva que, nos últimos tempos, tem sido um defensor da estratégia da ligação de Portugal ao Mar.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção