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Inferências

A(nota)mentosNo concelho da Moita nasceu uma obra fruto de muitas vontades

Há sem dúvida um papel do indivíduo na história, porque embora a história seja feita com o contributo de todos, numa acção entre uns e outros, na verdade, há momentos na vida em que um individuo deixa a marca e o seu papel é determinante para marcar o rumo.

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A(nota)mentos No concelho da Moita nasceu uma obra fruto de muitas vontades

Por Jornal Rostos

Foi ontem inaugurada a Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros, que vai contribuir para criar melhores condições de assistência a utentes que carecem de apoios de reabilitação e integração.
Esta Unidade que vai servir 75 utentes, teve um custo na ordem dos 6 milhões de euros e contou com uma comparticipação do Poder Central na ordem dos 750 mil euros.

A obra foi um projecto nascido do sonho de Jorge Fatia, ex- provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros, autarca, militante do Partido Comunista Português, que, infelizmente não viu a sua concretização.
Na sessão inaugural quando o seu nome foi referenciado, por várias vezes, as centenas de pessoas presentes aplaudiram de forma calorosa.
Também, no decorrer da sessão outros nomes foram salientados, nomeadamente António Morgado – ex-presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, no concelho do Barreiro e actual Tesoureiro da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros, como sendo aquele que “pegou” no testemunho legado por Jorge Fatia.
O actual Provedor Américo Palha, sublinhou que, esta obra foi possível concretizar também porque os irmãos e sócios acreditaram, apoiaram e deram força para que os dirigentes levassem por diante este projecto, que, agora é uma realidade.

Foram centenas de pessoas que se associaram às cerimónias que marcaram a inauguração deste novo equipamento, num dia de festa com as emoções à flor da pele.

Tivemos a honra de acompanhar este acontecimento e visitar as instalações de grande qualidade e modernas.
Fazemos este registo para sublinhar que as obras são fruto de vontades colectivas das instituições, e, obviamente, também pela entrega daqueles que são os timoneiros e marcam o rumo de um processo.
Há sem dúvida um papel do indivíduo na história, porque embora a história seja feita com o contributo de todos, numa acção entre uns e outros, na verdade, há momentos na vida em que um individuo deixa a marca e o seu papel é determinante para marcar o rumo.
Foi este sentimento que me ocorreu, em diversos momentos, quando acompanhei a cerimónia inaugural.

Por essa razão, foi justo que tivessem sido prestadas duas homenagens no decorrer desta inauguração – a primeira a Francisco Estaca Junior, cujo nome foi atribuído à Unidade de Cuidados Continuados, reconhecendo o trabalho deste cidadão ao serviço da comunidade de Alhos Vedros; a segunda a Jorge Fatia, tendo sido atribuído o seu nome à Sala- Auditório das novas instalações.

Dois gestos nobres. Dois gestos que demonstram como, afinal, a memória dos homens não esquece aqueles que por amor e dedicação, sem outros interesses, se não apenas dar, são, afinal, merecedores de reconhecimento.

Parabéns aos homens e mulheres da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros que, na prática, demonstram que é possível fazer um mundo melhor, e, que há homens, na sua individualidade que não podem, nem devem ser esquecidos.
Sim, afinal, a história tem rostos.

António Sousa Pereira

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