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Inferências

Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroUma «leitura-interpretação» da vida do Barreiro quando estou no meu 21.598 dia de vida!

Nestes últimos dias, nos momentos de lazer, comecei por ler «Episódios Geométricos - O livro das Crónicas", de Magda Pais, natural do Barreiro, um conjunto de crónicas que nos convidam a reflectir sobre diversos assuntos que marcam o nosso quotidiano.

Ontem à noite, acabei de ler o livro «A Desilusão de Judas» de António Ganhão ( vive no Barreiro), um romance policial que, também, é uma «leitura-interpretação» da vida do Barreiro, com as suas memórias e falta de memórias – pela ausência de uma cultura que tinha como referência a solidariedade.

6 min de leitura
Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro Uma «leitura-interpretação» da vida do Barreiro quando estou no meu 21.598 dia de vida!

Por Jornal Rostos

Nesta vida atarefada de «fazer jornalismo» à qual dedico os meus dias de forma apaixonada e intensa, lá, vou encontrando momentos para fruir o prazer da leitura, que também faz parte da minha forma se sentir os dias, desde os tempos que ia levantar livros na Carrinha da Gulbenkian.
Recebemos na nossa redacção, por amável atenção dos autores, os livros: “A Desilusão de Judas” de António Ganhão e "Episódios Geométricos - O livro das Crónicas" de Magda Pais.

Viver o meu 21.598 dia de vida!

Nestes últimos dias, nos momentos de lazer, comecei por ler «Episódios Geométricos - O livro das Crónicas", de Magda Pais, um conjunto de crónicas que nos convidam a reflectir sobre diversos assuntos que marcam o nosso quotidiano.
Magda Pais, é natural do Barreiro, e, tem vindo a cultivar de forma serena os seu gosto pela escrita, que, mais uma vez partilha com todos nós, através da edição deste seu novo livro.
Fala-nos de «bons costumes», de «saudade», de «solidão», percorremos as suas recordações da Faculdade, os seus diálogos em família, o sentido da palavra amizade e as relações de vizinhança.
As suas crónicas, são encontros com a vida e com os dias – fotografias do quotidiano – nesta sua «viagem pelo mundo», onde, afinal, todos nós, procuramos «descobrir quem somos» e construir quem somos.
Nestas suas crónicas, duas ficaram cá dentro a magicar com os meus neurónios, como tema de reflexão – uma “a decisão de decidir”, que liguei à outra crónica «E a passagem de ano», porque, de facto, todos nós fazemos a nossa vida com base nas nossas escolhas, nas decisões de mudar, porque, como sublinha Magda Pais – “evoluir é também mudar de opinião e assumir essa mudança”. Li e reli estas duas crónicas.
A outra crónica que me motivou foi aquela que encerra a obra, onde a autora propõe pensarmos, sobre que faríamos se soubéssemos que na nossa vida só teríamos mais um dia para viver, e, registei o facto de o mais importante seria sentirmos que valeu a pena ter vivido e ficarmos com pena do tempo “perdido” que não soubemos ou não quisemos viver.
E, digo isto, porque, na verdade, nos últimos tempos, tenho optado por viver, viver, viver, apenas «um dia de cada vez», como se este fosse o último, e, amanhã outro e depois mais outro…mas vivendo, porque esse é que é o prazer da vida.
Gostei de ler, os «Episódios Geométricos - O livro das Crónicas", de Magda Pais, porque, afinal, é um espelho de coragem, um manual de vida e um convite a sentir os dias com esperança.
Ah, a Magda despertou-me à atenção e fui fazer as contas, concluindo que, hoje, devo estar a viver o meu 21.598 dia de vida! É que, agora, e, de facto, cada vez mais, a minha opção é viver um dia de cada vez...

Uma «leitura-interpretação» da vida do Barreiro

Ontem à noite, acabei de ler o livro «A Desilusão de Judas» de António Ganhão, que, não sendo natural do Barreiro, vive no Barreiro.
Um policial que nos motiva por várias razões, pela história, e, para quem vive no Barreiro, pela envolvência dos espaços, do Lavradio à Baixa da Banheira, da Igreja de Nª Srª do Rosário à Avenida da Praia.
E, porque o personagem se desdobra entre as duas margens, acabámos por mergulhar e reviver o quotidiano dos Barcos que ligam o Barreiro a Lisboa, e, também, o dia a dia de muitos residentes no Barreiro, marcado por duas vidas – o trabalho em Lisboa, e, o Barreiro, lugar para pernoitar e sentir a vida da família.
Um livro que nos faz percorrer, no enredo da história, o mundo da Igreja Católica local – do Lavradio à Srª do Rosário. Ri-me, a bom rir, com aquele episódio do presidente da Câmara a querer voltar as cadeiras para o sacrário, de forma que as pessoas assistissem ao concerto de inauguração do órgão da Igreja de Nª Srª do Rosário, voltadas de frente para o órgão.
E, registei, como algo de simbólico, o facto da decoração da sala da residência do personagem, estar marcada com a presença de quadros do Kira.
Um romance policial que, também, é uma «leitura-interpretação» da vida do Barreiro, com as suas memórias e falta de memórias – pela ausência de uma cultura que tinha como referência a solidariedade.
Começámos a ler e depois ficamos presos, não queremos deixar a leitura para trás, porque ficamos por dentro dos lugares, que também são nossos, e, porque afinal, como quem «vê» uma telenovela quer descobrir o final da história.
Um dia, quando convidei o escritor Urbano Tavares Rodrigues para vir ao Barreiro, participar numa sessão de apresentação do seu livro «Vaga de Calor», recordo, na altura, ele comentou, que faltava na literatura portuguesa, romances que falassem da vida operária em Portugal, nomeadamente de zonas como o Barreiro.
Este romance de António Ganhão , não é sobre a vida operária, embora também lá esteja, na personagem do sogro, mas, é, talvez, o primeiro «romance policial» que leio cuja acção é vivida em lugares e espaços que fazem as nossas vivências diárias.
Gostei de ler, quer pelo contexto de religiosidade e sua relação com a morte, quer pela sua simplicidade de ligação à vida e ao tempo que vivemos.
Gostei e convido a ler.

António Sousa Pereira

Nota - Os livros: “A Desilusão de Judas” de António Ganhão e "Episódios Geométricos - O livro das Crónicas" de Magda Pais serão apresentados nos dias 28 e 29 de Setembro, respectivamente, pelas 19h00, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro.

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