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Inferências

Carreira 7Pelo «facebook» ligo Barreiro ao mundo

O facebook é um mundo. Um ponto de encontro com o presente e com o passado.
Agradeço, à Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, a amabilidade de me ter enviado o livro «A Vila Real. Àquela – estórias», e, naturalmente, ao autor Manuel Gomes, por me ter proporcionado uma viagem por dentro do tempo.

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Carreira 7 Pelo «facebook» ligo Barreiro ao mundo

Por Jornal Rostos

Um reencontro da adolescência

O facebook é um mundo. Um ponto de encontro com o presente e com o passado.
Um destes dias chegou-me um pedido de amizade. Era o Magalhães, um companheiro das noitadas da adolescência, junto ao portão da SFAL.
Quantas vezes a ronda da GNR, com o Cabo Zé, chegou junto do grupo e mandou-nos para casa, pois, diziam, já eram horas de ir dormir.
Assim, feitos amigos na rede social, na verdade, pouco depois, lá estávamos nós a conversar no «chat».
Recordando situações. Falando da nossa actualidade. Comentando projectos e vontades de agir na vida da comunidade.
O Magalhães vive em Ferreira do Alentejo. É Arquitecto. Foi autor do projecto de uma Igreja que gerou alguma polémica pela inovação e criatividade. Conversámos. Estávamos ligados à terra.
E, por fim, na conversa, ficou em aberto a marcação de um encontro para recordar e reviver os dias.
Vamos ver, se nestas pausas dos dias, um destes, arranjo um tempo para viajar até Ferreira do Alentejo.

Viagem por dentro do tempo

Também, no facebook, um destes dias, registei uns comentários, a propósito de uma fotografia da minha terra natal – Vila Real de Santo António.
Falavam de pessoas que conheci, de situações que vagamente ainda tinha na minha memória de criança.
Depois, alguém fez referência a um livro intitulado – “A Vila Real àquela - estórias”.
Então, decidi enviar um e-mail para a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António que editou a referida obra, solicitando um exemplar.
Recebi a semana passada o livro, e, hoje, resolvi concretizar a sua leitura.
Enquanto percorria aquelas páginas, escritas por Manuel Gomes – penso que filho do Joaquim Gomes, dono de um Restaurante onde, a minha mãe, pelos meus 6 anos, me chegou a mandar comprar comer ( onde existia, se a memória não me falha, uma sala de bilhar, onde o meu pai jogava, com pericia, e, também salas onde se jogava às cartas ) – revivia situações, encontrava pessoas que conheci e sentia uma vontade enorme de, um destes dias, escrever as minhas «Memórias da Rua Estreita» e do «Largo da Bica», os lugares mais míticos que guardo do meu tempo de Escola Primária.
Foi agradável ler aquelas páginas de poesia e de saudade, de amor à terra que nos viu nascer. Recordar o meu Guadiana. Recordar a Mata do Farol. Recordar a Praia de Vila Real, os seus estreitos.
E, ali, também senti as memórias do Campo do Lusitano – dos gritos “Olari, olará, Lusitano vencerá!». Recordar rostos do passado nas fotografias editadas. O David, de quem recordo uma frase que o meu pai comentava – “Dá-me água David!» E, o Pescada, da Casa de Bicicletas, que conheci, mas, só agora soube que foi um ciclista de referência na época.
Foi uma leitura que me fez mergulhar no passado e reencontrar-me com as minhas raízes de criança.
Agradeço, pois, à Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, a amabilidade de me enviar esta obra, e, naturalmente, ao autor Manuel Gomes, por me ter proporcionado esta viagem por dentro do tempo.

António Sousa Pereira

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