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Inferências

Nuno Banza, Verador da Câmara Municipal do BarreiroInformação é Poder - O Rostos veio dar poder aos cidadãos!

É indiscutível o património que representa hoje todo o acervo noticioso de que é composto o arquivo do Rostos, o que permite não só um registo histórico de elevada qualidade e reconhecida utilidade, como ao mesmo tempo, disponibiliza ao leitor um excelente recurso de memória colectiva.

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Nuno Banza, Verador da Câmara Municipal do Barreiro Informação é Poder - O Rostos veio dar poder aos cidadãos!

Por Jornal Rostos

A história descreve três formas de poder nas sociedades, o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judiciário, mostrando-nos que muito poucos são aqueles que alguma vez puderam aceder a qualquer dos lugares de exercício de cada uma destas três formas de poder. Mais recentemente, foi introduzido o conceito de quarto poder, como forma de identificar a influência dos Meios de Comunicação Social nas sociedades onde se inserem. Porém, se não há hoje dúvida que os lideres mundiais marcam a sua agenda em função da forma como a comunicação social dissemina a sua mensagem, não é menos verdade que a disponibilização de informação veio democratizar o poder, antes centrado nos líderes e detentores de lugares de influência, dando acesso ao cidadão comum, a um vasto conjunto de informação que lhe conferiu um poder nunca antes acessível. O Barreiro gozou dessa vantagem com a criação do Projecto “Rostos”, tendo todo o trabalho da equipa do projecto, ao longo destes anos, sido um forte contributo para o reforço da democracia participativa ao nível local. É indiscutível o património que representa hoje todo o acervo noticioso de que é composto o arquivo do Rostos, o que permite não só um registo histórico de elevada qualidade e reconhecida utilidade, como ao mesmo tempo, disponibiliza ao leitor um excelente recurso de memória colectiva. A construção constante de um caminho dinâmico e criativo, de inovação e integração das mais recentes dimensões tecnológicas, revela uma visão aberta e virada para o futuro do que se quer em termos de informação de qualidade. O esforço constante da equipa, de que o “timoneiro” desta “nau” é o melhor exemplo, merece um especial destaque e reconhecimento. Em tempos difíceis e de grande provação, há que lutar com mais força e maior coragem! Dedico por isso à equipa do Rostos, e em especial ao meu Amigo de muitos anos, António Sousa Pereira,um poema que é para mim uma fonte de inspiração e coragem: o Mostrengo de Fernando Pessoa!

O MOSTRENGO

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:

«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»

E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

Nuno Banza
Vereador da Câmara Municipal do Barreiro

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