Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroUma cidade que discute, projecta e sonha é uma cidade com vida
A Associação NÓS inaugurou no concelho da Moita a sua nova residência – Nossa Casa – um sonho de anos, agora concretizado.
A Sessão de Participação Pública sobre a Mata da Machada que decorreu no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, merece nota 20.

Por Jornal Rostos
Uma semana cheia de lições. Uma semana que ao ser vivida dá para sentir o pulsar da vida e dos dias.
Uma semana que permite pensar que a cidade está a agir, que as pessoas não querem parar, e, que apesar da crise continuam a sonhar e a acreditar que o mundo se transforma sonhando e agindo.
Dia 26 de Setembro
Repensar o Mês da Música
Foi divulgado em conferência de imprensa o programa do Mês da Música, uma iniciativa que nasceu no ano 1982.
A este propósito fui pesquisar no Rostos, algumas referências a este projecto que nasceu, como sublinhou José Batata, num debate sobre o Mês da Música, integrado no projecto: “Dinamização da Actividade Musical para o Concelho do Barreiro”, que assentava em três pilares: a divulgação e difusão da música, o apoio ao ensino artístico musical e o apoio à pedagogia musical.
O Ciclo de concertos de “A Cidade e a Música”, disse, tinha a intenção de “divulgar a música que é menos divulgada”, sendo, na época, uma “iniciativa inédita”.
Neste mesmo debate, no qual participei, sublinhei que este era um “projecto que vale a pena apostar”, e, na altura chamei à atenção para o facto de lhe faltar “uma identidade mais clara”, assim como a importância de existir uma maior ligação com as colectividades locais, e, também a existência de uma estratégia de “valorizar as próprias figuras musicais” do concelho.
O programa do «Mês da Música» deste ano tem, sem dúvida, qualidade e toca os mais diversos gostos musicais e públicos.
A sensação que continuo a ter é que a este projecto faltam-lhe «afectos», falta-lhe garra e força para voar.
Fico com a sensação que é um programa para cumprir calendário, que faz parte de uma programação anual, mas, sinto, que há a falta de um «não sei quê» que o empurre, lhe dê gana, porque, de facto, pela sua dimensão e programação tem nível e merecia uma maior projecção de forma a tornar-se uma referência na Área Metropolitana de Lisboa.
Fiquei a reflectir e, de facto, não sei se é bom misturar o OUT FEST no Mês da Música, porque o OUT FEST tem uma identidade própria e devia continuar a crescer e a fazer o seu caminho autónomo e criativo.
O «Mês da Música» tem que ter uma estratégia própria, um «embrulho do produto» muito próprio, e, gerar na sua programação, um ou outro evento, que anualmente, seja uma referência na estratégia da sua divulgação, como por exemplo: evocar a memória do Grupo Perspectiva, ou, homenagear nomes da música do Barreiro, recordo apenas o Maestro Ferrer Trindade.
Por outro lado, acho que o «Mês da Música» tem que dar um salto e deixar de ser um produto do calendário das iniciativas autárquicas e encontrar parceiros que considerem ser este um bom projecto para assumirem a «responsabilidade social».
Dia 27 de Setembro
NÓS - homens e mulheres que ousaram sonhar!
A Associação NÓS inaugurou no concelho da Moita a sua nova residência – Nossa Casa – um sonho de anos, agora concretizado.
Registo a emoção de Mário Durval, presidente da Direcção, que, recordou o trabalho de voluntariado e dedicação de pais e técnicos da instituição para conseguirem concretizar este sonho, o qual nem sempre é valorizado e devidamente reconhecido com apoios merecidos.
Este é um exemplo daquilo que podem os homens e mulheres quando se juntam de forma voluntária e solidária.
O mundo não se transforma com palavras, transforma-se com acções, com energia, com ousadia, sabendo que há dificuldades, sabendo que é preciso muita dedicação, mas, sempre acreditando.
O poema de Mário Durval diz claramente que é a “loucura” que dá origem ao sonho e faz desenvolver a vontade, persistir e acreditar, com a certeza, que – “uma ravina apenas se atravessa de um único salto”.
E este dia marca um salto, e, é, sem dúvida, uma marca na vida da instituição e dos homens e mulheres que ousaram sonhar!
Da 28 de Setembro
Reunião Pública da Câmara do Barreiro
Estava a assistir à reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro e um sentimento que vivi foi, de facto, estar a viver os últimos momentos históricos de um Poder Local que emergiu após o 25 de Abril.
Pelas noticias anunciadas, no próximo mandato, se existirem reuniões públicas, já não teremos a oportunidade de assistir a confronto democrático, porque, sendo, como se prevê, os executivos monocolores, tudo se resumirá, se houver, a uma eventual reunião pública do «Conselho de Administração».
Mas, de facto, muitas vezes, as reuniões públicas, exprimidas não dão nada, no entanto, acabam sempre por proporcionar leituras politicas, sobre a forma de estar e viver a vida politica local.
E, o mais curioso, é registar a mudança de «paradigmas».
Enfim, foi mais uma reunião, acalorada, onde a visão daquilo que devia ser uma «gestão colegial» como é a visão actual do Poder Local, se transforma numa «barricada de adversidades» para demonstrar que há os bons e há os maus…
É que «gestão colegial» não significa «unanimidade», nem «unanimismos», significa acima de tudo o confronto democrático com o pleno respeito pelas diferenças.
E pronto por aqui me fico…
Dia 29 de Setembro
Os TCB’s e a cidade
Os TCB’s – Transportes Colectivos do Barreiro são estruturantes na vida do concelho do Barreiro.
Entrevistei o Vereador Rui Lopo e fiquei com uma sensação que o autarca vive os TCB’s com uma grande paixão.
Senti que os TCB’s estão em ebulição e não fora as muitas dificuldades dos tempos actuais, que as medidas de combate ao deficit impõem muito poderia ser desenvolvido.
Mas, mesmo com todas estas dificuldades aquilo que continua a ser uma situação que devia mobilizar todos os barreirenses é, na verdade, a exigência ao Poder Central que trate os TCB’s com equidade.
Os TCB’s na realidade não precisam de qualquer tratamento especial, nem que sejam tomadas medidas de excepção, os TCB’s apenas precisam e deviam ser tratados de acordo com aquilo que o próprio Poder Central, em sucessivos Governos, quer do PS, quer do PSD, reconhecem que é justo e como um direito.
Dia 30 de Setembro
Mata da Machada e a consciência ecológica local
A Sessão de Participação Pública sobre a Mata da Machada que decorreu no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, merece nota 20.
Quer pela participação. Quer pela forma. Quer pelo conteúdo.
O vereador Nuno Banza está de parabéns.
A Câmara Municipal do Barreiro está de parabéns.
Esta sessão permitiu perceber que todos podem dar contributos, ideias, sugestões e ajudar a melhorar a qualidade de vida.
Esta sessão permitiu perceber que as opiniões dos cidadãos são, podem ser, um valor acrescentado às estratégias politicas globais.
Esta sessão permitiu aprofundar a consciência ecológica da comunidade.
Esta sessão permitiu como disse, no final o Professor João Farinha – há ideias, há sonhos, que nem têm custos de relevo que podem ser implementados desde que haja vontade politica.
Esta sessão contribui para ajudar e envolver os cidadãos e as instituições no debate público necessário sobre a Classificação da Mata da Machada e o Sapal de Coina como «área protegida local».
Gostei de participar. Gostei de observar o nível de participação – em quantidade e substância.
É que, de facto, a participação só faz sentido quando se traduz em conteúdo, e, não fica, apenas no escutar e ouvir para decidir.
António Sousa Pereira
Foto - Pôr do Sol junto ao Clube Naval do Barreiro













