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Inferências

Carreira 7Hortas Urbanas no Barreiro versus Reforma Agrária na Mata da Machada

Foto do Dia – André Pinotes, deputado do Partido Socialista, eleito na Assembleia Municipal do Barreiro, no decorrer dos trabalhos daquele órgão autárquico não quer estar desligado dos acontecimentos que marcam o quotidiano.
Aqui fica um registo num momento que consultava a página do «Rostos on line».
O deputado socialista comentou : “Eu sou um dos muitos que nunca visita a Rostos». E, sorriu…

4 min de leitura
Carreira 7 Hortas Urbanas no Barreiro versus Reforma Agrária na Mata da Machada

Por Jornal Rostos

A vida quotidiana é feita de muitos acontecimentos, todos eles nos podem proporcionar aprendizagens. Basta estarmos atentos e recolhermos as lições.
E, quando vivemos um dia de cada vez, acreditando, então, muitas mais lições retiramos da vida real vivida.

Reforma Agrária na Mata da Machada

Na última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro os vereadores do Partido Socialista apresentaram uma proposta sobre a implementação de Hortas Urbanas, que proporcionou uma discussão arrastada e repetitiva de argumentos.
Nuno Banza referia que o conteúdo da proposta já estava contemplado na Ficha nº 160 do Plano Municipal do Ambiente, e, acrescentava que 95% dos barreirenses não vão ter condições de acesso às Hortas Urbanas.
O presidente da Câmara Municipal apelou aos vereadores socialistas para retirarem a proposta, perante os diversos argumentos apresentados durante a sua discussão.
Os autarcas socialistas responderam que não retiravam a proposta, e, sendo colocada à votação foi aprovada por unanimidade, dado que todos estavam de acordo com o conteúdo, a divergência residia, apenas, no facto de a maioria dos eleitos considerar que a proposta não acrescentava nada de novo ao que a Câmara já tinha aprovado , quando da aprovação do Plano Municipal do Ambiente.
Mas, na discussão, Nuno Santa Clara Gomes, que defendia a proposta recordava que durante a Guerra Mundial os jardins de Berlim foram transformados em Hortas para fazer frente à crise.
Nuno Banza, num à parte que registámos, comentou, que se deveria avançar com a Reforma Agrária na Mata da Machada.
Enfim, com a crise que por aí anda, talvez tenhamos que começar a pensar nestas soluções dos nossos autarcas.
Transformar os jardins em Hortas Urbanas, de forma a aumentar o número de barreirenses que poderão aceder a este projecto.
Ou, então, porque não mesmo arrancar com um projecto de Reforma Agrária na Mata da Machada

Este registo, é, de facto uma lição. Uma lição de estratégia política. De criação de factos políticos.
Na minha terra os pescadores, utilizavam no meu tempo de criança uma técnica de pescar enguias que era colocar umas armações – as nassas - com algum engodo.
O engodo destinava-se a atrair o peixe. E quanto mais engodo melhor.
Ora esta das Hortas Urbanas, pela discussão havida na reunião de Câmara, cheira-me mesmo a engodo.
É inteligente. Porque só com engodo se apanha o peixe.
É subtil. Porque gera discussões redondas.
É cool. Porque dá uma dimensão de charme.
É táctica. Porque cria factos políticos.
Ou seja, o importante é criar «factos políticos» - engodo politico - para que todos vejam quem tem ideias e quem não tem ideias.

Fico a pensar em tudo isto, naquela reunião pública e, o que registo, pelo que se tem vindo a verificar nas últimas reuniões, é que, agora, o que conta é mesmo criar “engodo politico”.
O que eu gostava de ver era o que separa as forças politicas na concepção de cidade e de cidadania, o que as une pela defesa da cidade.
Gostava mesmo que existisse uma «gestão colegial» - que espelha diferenças, mas une nos objectivos locais - mas isso só é possível quando todos autarcas assumem pelouros e vivem a autarquia como um projecto para servir a comunidade.

No Barreiro, uma autarquia exemplar, de gestão colegial, ao longo da sua história o PSD tem sabido assumir esse protagonismo criativo, ou o PRD, com Luís Mateus; também o PS, noutros tempos, com Jorge Fagundes, Morgado, Pina, João Pintassilgo ou Aires de Carvalho.
Enfim, mas isto de «gestão colegial» vai acabar, porque vêem aí os executivos monocolores, sem problemas de diferenças, que farão uma «governança» com ideias únicas.
Foi, afinal, esta a lição que retirei de mais uma cansativa reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro.

S. P.

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