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Inferências

A(nota)mentosTerramoto de 1755 no Barreiro
«Aquela torre dava um belo monumento»

O Terramoto de 1755 ocorreu no dia 1 de Novembro de 1755, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa.
No território do concelho do Barreiro existe, ainda, nos tempos de hoje, uma marca dessa tragédia que abalou Portugal, são as ruínas da antiga Igreja Matriz da Freguesia de Coina - Igreja do Salvador do Mundo -, que foi destruída pelo terramoto.

3 min de leitura
A(nota)mentos Terramoto de 1755 no Barreiro «Aquela torre dava um belo monumento»

Por Jornal Rostos

Por várias vezes tenho procurado alertar para a importância daquelas ruínas, quer do ponto de vista do património imóvel do concelho do Barreiro, quer do ponto de vista da memória colectiva de Portugal.
As ruínas da Igreja do Salvador do Mundo, em Coina, são, certamente, das poucas referências «reais» que existem na Área Metropolitana de Lisboa, onde podem ser observados os feitos do terramoto de 1755.
Ali resta apenas a torre sineira da Igreja, que, se ergue num espaço aberto do antigo Mercado do Gado de Coina.

“Aquela torre dava um belo monumento”

Sempre que por ali passo, na verdade, recordo um episódio que um dia vivi com o meu amigo Augusto Cabrita.
Um dia num passeio pelo Barreiro, parei, ali, com Augusto Cabrita, que me dizia, que aquele espaço, devia ser olhado por um arquitecto paisagista, e, na verdade, deveria merecer uma atenção especial, porque, afirmou: “”Aquela torre dava um belo monumento”.
Sim, de facto aquele espaço merece ser tratado com dignidade e, deveria, tudo fazer-se para preservar aquela memória, acima de tudo, por ser uma referência a uma realidade sísmica que marcou a história de Lisboa, de Portugal, da Europa e do mundo.
Portanto, como nunca é demais repetir, volto a sublinhar, convide-se um arquitecto paisagista, abra-se um concurso de ideias, façam estudos, desenvolvam um projecto, para que aquela torre sineira seja preservada.
E, já agora, que tanto se fala em classificação, que avance uma proposta para que a «Torre Sineira da Igreja do Salvador do Mundo» seja reconhecida como «monumento de interesse local», como «património municipal», e, porque não nacional.
Na minha modesta opinião, tudo deve ser feito para que, no futuro, aquela «torre sineira» seja mantida e seja salva da febre urbanística.
Hoje, passados 256 anos, ali, em Coina, continua uma marca «viva» de uma tragédia, e, repetindo as palavras de Augusto Cabrita - “Aquela torre dava um belo monumento”, acrescento, ela, é, sem dúvida, um belo monumento!

S.P

Terramoto de 1755

O sismo de 1755, também conhecido por Terramoto de 1755 ou Terramoto de Lisboa, ocorreu no dia 1 de Novembro de 1755, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve. O sismo foi seguido de um tsunami - que se crê tenha atingido a altura de 20 metros - e de múltiplos incêndios, tendo feito certamente mais de 10 mil mortos (há quem aponte muitos mais[1]). Foi um dos sismos mais mortíferos da História, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os geólogos modernos estimam que o sismo de 1755 atingiu a magnitude 9 na escala de Richter.
O terramoto de Lisboa teve um enorme impacto político e sócio-económico na sociedade portuguesa do século XVIII, dando origem aos primeiros estudos científicos do efeito de um sismo numa área alargada, marcando assim o nascimento da moderna Sismologia. O acontecimento foi largamente discutido pelos filósofos iluministas, como Voltaire, inspirando desenvolvimentos significativos no domínio da teodiceia e da filosofia do sublime.
Origem: Wikipédia

Foto – in Inventário do Património Imóvel do Concelho do Barreiro – edição CMB

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