Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroA história é feita pelos actos, que nascem nas ideias, que forjam a vida…
Palmela é a «Cidade Europeia do Vinho» esta uma oportunidade que a região não deve perder, pois, estão abertas as portas da Europa.
“O dinheiro não é quem manda, quem manda é o povo, através do voto, dos partidos, da política” – afirmou Mário Soares, num tempo que procura valorizar a nobreza da actividade política.

Por Jornal Rostos
Dia 28 de Novembro
José Saramago cidadão do mundo
O Auditório da Escola Secundária de Santo André estava repleto para escutar as palavras de Pilar del Rio.
Este foi, também, o momento para apresentação pública do projecto «Oficina Saramago».
A partir de agora, durante um ano, os concelhos do Barreiro e Moita, vão partilhar iniciativas destinadas a divulgar a vida e a obra de José Saramago.
Toda a gente sabe, ninguém ignora isso, que o Nobel da Literatura era militante do Partido Comunista Português.
Mas, também, toda a gente sabe, certamente que sabe, que José Saramago era e é lido, por muita gente, de muitos partidos e sem partidos.
Recordo um dia, no ano 1987, quando foi realizada uma sessão, no Auditório do Partido Comunista Português, no Barreiro, para apresentação do seu livro «A Jangada de Pedra», aquele espaço estava superlotado e, entre os presentes, estavam pessoas do PS, PSD, ou sem partido, que pela primeira vez ali entravam, facto, que demonstra como José Saramago, enquanto escritor, é um homem que supera as barreiras do seu partido político.
Será importante que nestas actividades, a decorrer durante um ano, independentemente do facto de ser justo, reconhecer os seus valores militantes, não ser, no entanto, ignorado que, como escritor, como cidadão e como homem, o Nobel da Literatura tem que ser vivido como uma referência nacional e mundial.
Dia 29 de Novembro
Cidade Europeia do Vinho abre as portas da Europa à região e ao país
A vila de Palmela foi escolhida como «Cidade Europeia do Vinho», a notícia foi recebida com entusiasmo pelos autarcas e entidades do concelho.
Nós divulgámos. E, sentimos que o ano de 2012, a propósito desta escolha ao nível Europeu, tem que ser uma oportunidade para promover Palmela, mas, naturalmente, a nossa região e o nosso país.
Sendo, actualmente, o vinho o produto de grande importância de promoção da imagem de Portugal no mundo, será necessário que, para além dos eventos que possam realizar-se ao nível do concelho de Palmela, também, noutros pontos do Distrito de Setúbal, e, naturalmente, na Capital do país, esta escolha seja reconhecida e, vivida, como uma oportunidade nacional de promoção dos nossos valores de excelência.
Dia 30 de Novembro
O «Testamento» Político de Mário Soares
Mário Soares apresentou o seu livro «Um Politico Assume-se – ensaio politico e ideológico».
A este propósito estive com atenção à sua entrevista na SIC Noticias, uma aula de estratégia política, uma lição de vida.
Mário Soares defendeu a necessidade de ser feita uma “revolução pacifica”, uma “ruptura de mudança”, e, sublinhou que defende a construção de uma sociedade que tenha na sua essência a “democracia pluralista e civilista”.
Recordou que a crise actual tem “o centro na Europa”, sendo necessário mudar de paradigma, promovendo um “modelo de economia social”, onde “as pessoas é que contam”.
Mário Soares criticou o que pode dizer-se, talvez, aquilo que ele considera um excesso de Troika, que nos “emprestam dinheiro a juros altíssimos” e depois querem, “vir para cá mandar”.
De tal forma a sua indignação que afirmava que – “os economistas e tecnocratas são piores que os políticos”.
Mário Soares, recordou que viveu sempre num “clima permanente de luta contra a ditadura”, desde criança, e, salientou que viveu de forma intensa a Guerra de Espanha – “sai de lá antifascista”.
Referiu a sua passagem pelo Partido Comunista Português e admiração que nutria por Álvaro Cunhal, assim como a frieza que sentiu após a sua saída do PCP.
Recordou episódios do PREC, e, como, no 25 de Novembro, pugnou para que o Partido Comunista Português não fosse ilegalizado, acrescentando, no entanto que – “foram vencidos”.
Comentou o actual líder do PS, António José Seguro, que classificou de pessoa “séria”, “cordata” e “determinado”, sublinhando que – “não o apoiei”.
Na sua opinião António José Seguro – “está a gerir bem” a sua actividade política, enquanto líder do maior partido da oposição.
Mário Soares, expressou, igualmente, a sua concordância com a abstenção do PS ao Orçamento de Estado, que, disse ter sido – “um acto de respeito ao anterior líder” – José Sócrates, pois foi ele que assinou o Contrato com a Troika.
A pergunta que coloquei a mim mesmo foi – Porquê este livro agora?
Sendo Mário Soares um politico com o “sangue na guelra”, por muito que se esforce, dizer-se afastado da vida politica activa, todas as suas palavras e seus actos, são, sem dúvida, marcados de intencionalidade de intervenção politica.
Este livro e as entrevistas que Mário Soares deu estão de facto marcadas por uma forte acção politica, com uma carga ideológica, que, afinal, visa demarcar campos de pensamento de acção, sendo um discurso, claramente dirigido à classe média (onde está o eleitorado PS/PSD/CDS-PP), a franjas do eleitorado do PCP e BE, e, muito particularmente, aos «indignados» e «confusos» com os rumos da actualidade.
Por um lado, relembrar a necessidade de separação das águas do PS, ao nível ideológico, em relação ao PCP, mas, procurando ignorar no seu discurso o BE.
Por outro lado, empurrando o PSD, para a área do CDS/PP, e, para o espaço liberal, de forma a retira-lhe espaço na área da social democracia.
Mário Soares, afinal, procura, deixar claro o espaço politico de intervenção do Partido Socialista, o seu discurso é, talvez, um verdadeiro «testamento político» – assente na teoria e vivido na prática – perspectivando que a ideologia socialista não se deve confundir com as terceiras vias criadas por Tony Blair, que se deixaram sucumbir pelas teias do pensamento liberal.
Mário Soares, em todo o seu discurso, tem acção política, vive a política, assumindo a superioridade da politica sobre a economia, criticando – “a ideia que as pessoas ricas devem mandar no mundo”, nomeadamente o chamado G20, que, mais, não pretendem, afirma, que “reduzir o papel e a importância da ONU”.
“O dinheiro não é quem manda, quem manda é o povo, através do voto, dos partidos, da política” – afirmou.
Mário Soares, afirmando – “Sou um europeísta”, recordou que – “cada vez o tempo se está a encurtar mais em matéria Europeia”.
O problema é que o tempo urge para a Europa, e, também, urge para os partidos que, na verdade, têm que ser capazes de voltar a ser escolas de cidadania política, sendo os principais actores de promoção da democracia e de valorização da consciência democrática.
É que a construção da Europa também passa por estas referências, pelos partidos e pelos políticos, com ideais, com valores, e, como exemplos de uma cidadania activa, que espelhe vivências democráticas.
Dia 1 de Dezembro
Os valores das Misericórdias e a cultura da solidariedade
No lançamento do livro de Jorge Morais, registei algumas ideias das intervenções ali proferidas, um conjunto de conceitos que nos ajudam a pensar e sentir os dias.
De Jorge Morais, as suas referências às amizades, ao respeito pela diversidade, à cultura solidária que sempre viveu, sentiu e cultivou no Barreiro.
De Vítor Milícias a importância dos valores humanistas das Misericórdias, e, o facto de estas serem uma referência do modo de ser português, na partilha e na fraternidade.
Nestas duas ideias, sinto, cruza-se um sentimento de cultura solidária, de respeito pelas diferenças, onde, apesar de tudo, ainda há muito por construir.
Talvez, por isso, como dizia Pessoa, nós, descobrimos o mar, demos novos mundos ao mundo, mas, ainda, falta «cumprir Portugal».
Esse Portugal que em Abril abriu portas à democracia mas continua «sufocado», porque, afinal, continua a precisar, como nos tempos dos Descobrimentos, que existam instituições que matem a fome, a sede e vistam os nus…
Se, nem só de pão vive o homem, a verdade, é que, sem pão o homem não vive…e, de facto, como os dias estão difíceis.
António Sousa Pereira













