A(nota)mentos - BarreiroFoi há 51 anos o caso do «Santa Maria»

Por Jornal Rostos
Eu era criança. Vivia, com a minha avó, ainda, na Rua da Espanha, em Vila Real de Santo António.
Um tempo em que o pessoal, à noite, sentava-se junto à entrada das portas a conversar.
Recordo que, no pequeno rádio azul – um transístor que o meu tio me oferecera – eu escutei as noticias que durante alguns dias eram transmitidas sobre a ocupação do navio Santa Maria.
Para mim eram apenas notícias, sem qualquer leitura ou interpretação.
Só anos mais tarde, quando comecei a despertar para as coisas da vida, tomei consciência do sentido político desses acontecimentos, que estavam na minha memória.
Henrique Galvão, natural do Barreiro, cidadão honorário desta cidade, foi quem liderou a ocupação do paquete Santa Maria.
Henrique Galvão, foi uma personalidade que sempre existiu na minha consciência com alguma confusão: por um lado de admiração por esta operação heróica de luta pela Liberdade; por outro lado de desconfiança por ter sido um oficial defensor do regime salazarista.
Libertei-me desta confusão, quando um dia li, o seu «Diário de Peniche», nuns dias de férias no Baleal, e, visitei o forte de Peniche onde ele esteve preso.
Foi, entre a surpresa e a satisfação, que tomei conhecimento da homenagem que o Barreiro lhe prestou – graças à intervenção de José Caro Proença, um homem que se empenhou plenamente neste objectivo – por iniciativa da Câmara Municipal do Barreiro, liderada por Pedro Canário.
Faz hoje 51 anos que a operação Dulcineia – uma operação cantada por Adriano Correia de Oliveira, abriu uma nova fase da luta politica pela Liberdade, e, rasgou as estradas que conduziram ao 25 de Abril.
Fica o registo, desta página de luta pela Liberdade, neste dia histórico, onde, o Barreiro é referência com a acção dos seus filhos.
António Sousa Pereira













