InferênciasAs auto estradas do mar e o distrito de Setúbal
É que, de facto, pensar o conceito «Lisboa cidade de duas margens» ou, se quiserem «Lisboa cidade poli-nucleada», esta matéria é indissociável de uma estratégia de desenvolvimento dos Portos, pensados, de facto, neste novo conceito de auto-estradas do mar.

Por Jornal Rostos
No decorrer da Conferência Internacional “O Mar, o Transporte Marítimo, os Portos e o Desenvolvimento das Economias”, um dois painéis foi subordinado ao tema “As Auto-estradas do Mar e o Desenvolvimento dos Transportes”, no qual Luís Tadeu, docente do IST fez uma análise sobre o sector marítimo-portuário internacional nos últimos anos.
Recordou que a “globalização tem introduzido transformações significativas na organização das cadeias de abastecimento globais” que conduziu “a um crescimento significativo do tráfego marítimo mundial, em particular do tráfego contentorizado que tem registado taxas de crescimento anuais de 10%”.
Sublinhou Luis Tadeu que os "Portos fazem cada vez mais parte de cadeias de transporte porta-a-porta e têm que estar preparados para pertencer a essa mesma cadeia, acrescentando-lhe valor”.
Luís Tadeu na sua intervenção desenvolveu o conceito – “Auto-estradas do Mar”, recordando que esta é uma linha estratégica da Comissão Europeia para retirar tráfego da rodovia.
“Para que se consiga implementar as Auto-estradas do Mar tem que haver uma info-estrutura que desempenhe um papel diferenciador essencial” – salientou.
“Este conceito está a ser desenvolvido na Europa mas faz sentido que seja equacionado nas relações comerciais intercontinentais, em especial nas relações entre os países de língua portuguesa e em particular no triângulo Portugal-Brasil-Angola, com Cabo Verde a desempenhar um papel importante pela sua centralidade geográfica" – sublinhou o professor do IST.
A ler estas palavras, eu, que não percebo nada desta matéria, interroguei-me:
Será que é possível pensar o futuro do Distrito de Setúbal sem reflectir sobre a sua importância e inserção nesta rede de auto estradas do mar?
Será que o país pode continuar a desenvolver as suas estratégias de desenvolvimento sem pensar a importância do distrito de Setúbal e os seus portos - Setúbal e Sines – como essenciais para a sua projecção neste mundo global?
Será que o Distrito de Setúbal ainda não foi capaz de se pensar enquadrado nesta matéria?
Para quando a realização de um grande painel distrital que tenha como ponto de reflexão o distrito de Setúbal, a Península de Setúbal e a importância dos seus Portos no seu desenvolvimento e do país?
É que, de facto, pensar o conceito «Lisboa cidade de duas margens» ou, se quiserem «Lisboa cidade poli-nucleada», esta matéria é indissociável de uma estratégia de desenvolvimento dos Portos, pensados, de facto, neste novo conceito de auto-estradas do mar.
E, a região de Setúbal deve estar na linha da frente, porque tem estas potencialidades, porque o seu futuro vai passar por estes caminhos que conduzirão à inevitabilidade de construção do futuro Aeroporto de Lisboa na nossa região.
Eu, não percebo nada disto, mas ao ler as palavras de Luís Tadeu, pensei que o futuro anda por aí, bate à porta, e nós, na região de Setúbal vamos deixando a vida passar ao nosso lado.
Ignoramos as nossas potencialidades. Não puxamos para cima os nossos valores naturais. Não puxamos os nossos trunfos que são essenciais para que a estratégia do PROT-AML não vá para a gaveta ou seja adiada, adiada, adiada…
É, talvez por essa razão que, continuo a pensar que existe um «grande silêncio» em torno do Aeroporto low cost no Montijo, pois, apenas sinto uns ruídos que parecem existir para cumprir agendas políticas.
Poderão colocar a pergunta: mas que tem isto a ver com as auto estradas do mar?
Eu que não percebo nada da matéria acho que tem muito, mas, se não tem os especialistas e os políticos que o digam, que nos esclareçam…não deixem o futuro continuar a passar ao nosso lado.
António Sousa Pereira
Citações fonte – APLOP













