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Inferências

Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroA política no Barreiro, ainda, é uma causa nobre?

A estratégia para o conceito do projecto «Rota do Trabalho e da Indústria» é indissociável da necessidade de encontrar respostas a diversas perguntas, uma delas é esta: Barreiro - que projecto de turismo cultural?

É impossível falar de ambiente, hoje, no Barreiro e até na região de Setúbal e AML, sem que a criação da «Área Protegida Local» da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina não seja um tema de referência.

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Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro A política no Barreiro, ainda, é uma causa nobre?

Por Jornal Rostos

Esta rúbrica, quando foi criada, tinha como objectivo ser um conjunto de apontamentos sobre acontecimentos que, de alguma forma, marcam os dias.
Vamos pois, procurar retomar a sua conceptualização inicial, e dentro do possível, manter a sua edição com mais assiduidade.

Dia 26 de Março
A politica no Barreiro, ainda, é uma causa nobre?

No jornal «Público» é publicado um texto de António Tabuchi, onde ele comenta os paradoxos da vida cultural italiana, na sua opinião, “sistematicamente demolida pelo poder politico”.
Refere que Itália nunca deixou de “dar ao mundo o seu génio, o belo e a arte que aqui é quase natural”.
E interroga-se como é difícil recuperar o orgulho por Itália “quando prevalece a malvadez e a ignorância”.
E, por fim, sublinha –“louvemos os que entre nós ainda mantêm esta vontade” de manter vivo o orgulho de Itália.
Li este texto e a palavra que marcou a minha reflexão foi «ainda», sim «ainda»...
Recordei, naquele instante, um recente diálogo que ocorreu na última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, a propósito de uma moção sobre a Greve Geral.
Amílcar Romano, PS, comentava a moção de contestação da Greve Geral, apresentada por Nuno Banza, PSD, recordando-lhe que – “o Barreiro é o Barreiro, ainda é o Barreiro”.
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, dirigindo-se a Amílcar Romano, expressou a sua discordância pelo facto do autarca socialista utilizar – “ainda”, afirmando que – “O Barreiro é o Barreiro, retire lá o ainda…”.
Parece uma coisa simples, mas, nesta reflexão senti que aquilo que separa o PS do PCP no Barreiro, de facto, é a palavra “ainda”.
É que para o PCP o Barreiro “ainda” é o Barreiro de “cultura operária” e da “ganga”, das Greves, do combate, terra onde o coração pulsa à esquerda, “o bastião vermelho”.
Para o PS, o Barreiro é o Barreiro, “ainda”, mas, lá por dentro acha que o Barreiro já é outra coisa, acredita que o Barreiro é outra coisa, que já não é o “bastião vermelho”, mas ainda é o Barreiro que tem o seu pulsar à esquerda.
Há uma coisa que o Barreiro ainda tem, sente-se no quotidiano, esta é uma terra onde a politica fervilha nas discussões e conversas, é uma terra onde, por razões históricas e culturais, muitas pessoas sentem a politica como uma causa nobre, de debate de ideias e valores. E, sendo uma aldeia-cosmopolita todos têm memória de todos.
A política no Barreiro durante décadas era uma causa que orgulhava homens e mulheres, de diferentes classes sociais. Do “reviralho” à “vanguarda” todos sentiam a vida politica com a nobreza dos valores e ideais.
A pergunta que coloquei a mim mesmo, ao ler, o texto de António Tabuchi, foi: A política no Barreiro, ainda, é uma causa nobre?
Será que ainda há Barreiro vivo, com valores, com ideias, que pulsa para além do “ainda” que faz o bulling partidário? Penso que sim.
E, pelo que conheço desta cidade e de muitas pessoas desta cidade, dos mais diversos sectores políticos, sociais e culturais, quero afirmar, tal como António Tabuchi: louvemos os que entre nós ainda mantêm esta vontade de viver a política como uma causa nobre e com valores.
Sim, ainda há Barreiro. Sim, há Barreiro.
Acredito que são as pessoas, e são muitas, que têm da política uma «dimensão cultural», que transcende a vida politica partidária, contribuem de forma positiva para que continue vivo esse sentimento: “Gosto de viver no Barreiro!”.
Talvez por essa razão, cada vez mais, é importante deixar o Barreiro respirar, sonhar, crescer…

Dia 27 de Março
O teatro está vivo no Barreiro

Assisti na SIRB «Os Penicheiros» à estreia da 19ª produção do PROJÉCTOR. A primeira sensação exterior que tive é que, aquele espectáculo, levado à cena no Teatro Municipal tinha outro calor, permitia uma visão diferente aos espectadores, a sala não era tão fria e, de certeza, os actores sentiam mais de perto o calor humano do público.
O texto é difícil. Coloca aos actores a necessidade de um grande domínio do texto e sua plena interiorização para que seja mantido o registo dos personagens. Acho que foi conseguido.
A encenação está sóbria. E, apesar de ser um tema que, em Portugal, não seja dominante nas nossas vivências sociais, os diálogos abrem muitas pistas para pensar as relações humanas, as suas conflitualidades, a força e o peso da memória.
A peça foi levada a cena no Dia Mundial do Teatro. Foi uma forma muito nobre de assinalar a efeméride, demonstrando, mais uma vez que o teatro está vivo no Barreiro, tem actores, tem encenadores e tem público.
Parabéns Projéctor! Parabéns Luciano Barata!

Dia 28 de Março
Pilar de referência na construção de um «Barreiro Verde».

No Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro assisti à «Sessão de Participação Pública» sobre a criação da Área Protegida Local da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina.
Esteve em análise o Regulamento e a definição dos limites da Área Protegida Local.
Foi mais uma sessão de reflexão que permite continuar a percorrer o caminho de criação da «Área Protegida Local» , uma área que corresponde a 23% da área total do concelho, com cerca de 800 hectares.
Um processo que está a começar. Muito ainda sobre ele iremos dialogar, discutir, mas, uma certeza está adquirida, a Mata da Machada e o Sapal do Rio Coina são, hoje, parte integrante da agenda politica local do ambiente, gestão do território, e um pilar de referência na construção de um «Barreiro Verde».
É impossível falar de ambiente, hoje, no Barreiro e até na região de Setúbal e AML, sem que a criação da «Área Protegida Local» da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina não seja um tema de referência.
Esta é uma grande vitória para o Barreiro e para a região.

Dia 29 de Março
Barreiro - que projecto de turismo cultural?

A Câmara Municipal do Barreiro promoveu, no Museu da Indústria, no Parque Empresarial da Quimiparque, uma reunião de reflexão sobre a criação da «Rota do Trabalho e da Indústria».
Após sair da reunião fiquei a pensar sobre os contornos das intervenções, as análises ali efectuadas, as diferenças de opiniões.
Senti que estivemos, por ali, voando sobre um ninho de ideias, por essa razão, para mim, a grande conclusão desta reunião foram as palavras de Carlos Humberto – “visão estratégica temos que a construir, ainda não temos”, porque, afinal, o fundo das questões não é a existência de «rota» ou «rotas», o fundo das questões é a estratégia.
E, a estratégia é indissociável da necessidade de encontrar respostas a diversas perguntas, uma delas é esta: Barreiro - que projecto de turismo cultural?
Várias reflexões ficaram em aberto e, também fiquei com um bichinho a mexer cá dentro que há «conceitos» que devem e merecem ser aprofundados, de forma aberta, livre, criadora e com energia suficiente para superar «mitologias».
Por exemplo, acho importante que se faça uma profunda reflexão sobre o conceito de «identidade do Barreiro», porque, por ele passa também a definição da estratégia.

Dia 30 de Março
Linda festa para a Anabela Laranjeira

Gostei de ver aquela sala cheia de colegas de trabalho, na hora da despedida, de Anabela Laranjeira, que passou à situação de aposentada.
Partilhei com a Anabela muitos momentos da minha vida. Quando lhe fui dar um beijo e desejar-lhe que, agora, vivesse os dias com tudo do melhor, ela fez um comentário, referindo que fui a primeira pessoa que a fez chorar na Câmara – “ele e o Nicolau”.
Não recordo a situação. Nem procurei saber qual o acontecimento.
Sei que sempre tive pela Anabela uma grande estima e respeito, sempre a vi como uma pessoa que dava o seu melhor e que procurava aprender e crescer, trabalhando, sempre trabalhando.
Gostei de ver aquela sala cheia de amigos e companheiros de um percurso de vida.
Sabe bem, sentir um abraço amigo e fraterno, sentir que deixamos a empresa que foi a nossa vida e, os nossos colegas, acham-nos merecedores de um adeus, que é um “até sempre”.
Afinal, a empresa à qual dedicamos uma vida é algo que nos marca.
Senti, também, por ali, o carinho de muitos ex-colegas e, naquele instante, recordei que, estavam ali muitas pessoas com as quais partilhei muitas horas, dias e anos da minha vida…
A Anabela Laranjeira estava feliz. Para ela aqui fica este registo. E, os votos de boa reforma!

S.P.

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