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Inferências

Barreiro - tempo de superar «angústias ideológicas» e «crises de identidade»

«REVISTA ROSTOS ON LINE»

O Barreiro é uma marca, é uma marca histórica – uma marca de luta pela Liberdade, uma marca de gente de trabalho, do operário ao pequeno patrão, do empregado de balcão ao engenheiro, do professor ao advogado,etc.
Uma terra que sempre soube viver de forma solidária, fazendo quotidianamente uma intensa vida associativa.

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Barreiro - tempo de superar «angústias ideológicas» e «crises de identidade»

Por Jornal Rostos

O Barreiro é um concelho marcado pela memória, só que não pode continuar a viver como se essa memória fosse uma realidade actual, hoje, tem que ser capaz de potenciar as «energias» que emergem dessa memória como projecto de construção de futuro.
A vida mudou. O Barreiro mudou. Desde os anos 80 que o tecido social do Barreiro começou a ser marcado pela emergência do seu sector de serviços.

O Barreiro é nos tempos de hoje uma cidade que procura rumos, dividido entre as potencialidades que pode desenvolver e estão emergentes nos territórios do antigo complexo industrial, e as potencialidades naturais e históricas que estão inscritas no seu território.
O território do concelho do Barreiro está carregado de memórias, com uma riqueza patrimonial de dimensão nacional e internacional, que é urgente potenciar.
Não refletir sobre esta realidade de forma a projectar-se as suas potencialidades e dar-lhe uma dimensão estratégica é, sem dúvida, adiar o futuro.
Concordo com as palavras de Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, quando sublinha que “temos que construir uma visão estratégica”, porque ela ainda não existe.

O Barreiro tem que ser capaz de lançar as bases de um projecto de actividade cultural-turística que será construído ao longo de acções que serão dinamizadas pela actual geração e consolidadas nas próximas gerações.

É preciso captar investidores para o concelho, mas, para tal, é preciso que exista uma estratégia que aponte os caminhos a construir.
Para a construção dessa estratégia é necessário superar «angústias ideológicas» e «crises de identidade», porque estes, de facto, são problemas centrais que marcam as reflexões sobre a nossa memória.

O Barreiro tem imensas riquezas que se perdem no tempo – desde a época dos descobrimentos, que pode ser associada a um projecto de requalificação ambiental; passando pela sua riqueza moageira, ferroviária e corticeira indissociáveis da sua ligação ao rio; ou as memórias de um património industrial único, com marcas de referência como Alfredo da Silva, ou a Real Fábrica do Vidro de Coina.
O Barreiro pode ser e muito bem o concelho dinamizador a nível nacional de uma ROTA DO TRABALHO e DA INDÚSTRIA ao mesmo tempo que se pode inserir em Rotas mundiais de referência: a rota do Vidro, ou a Rota da Fotografia, potenciando o valor do seu grande vulto Augusto Cabrita.

O Barreiro tem, igualmente, condições de ser o promotor de uma ROTA DA LIBERDADE, terra de cultura interclassista, que sentiu na pele a repressão e foi uma referência para Portugal e para o mundo.

Para fazer este caminho é preciso caminhar, e sermos capazes de pensar que o passado já não existe, porque viver com os olhos no passado é viver no imobilismo.
É preciso pegar no passado e erguê-lo com ambição de fazer futuro!
O Barreiro é uma marca, é uma marca histórica – uma marca de luta pela Liberdade, uma marca de gente de trabalho, do operário ao pequeno patrão, do empregado de balcão ao engenheiro, do professor ao advogado,etc.
Uma terra que sempre soube viver de forma solidária, fazendo quotidianamente uma intensa vida associativa.

O Barreiro tem que ser capaz de afirmar como referência na AML e na Península de Setúbal, reencontrando caminhos, potenciando as suas forças endógenas que estão em construção, por exemplo, no plano comercial com o Forum Barreiro, com o Retail Planet, com o Continente, e simultaneamente promover uma estratégica turístico-cultural motivando o Poder Central para que olhe para este território e veja as suas enormes potencialidades como sendo estratégicas e essenciais para a construção da grande Lisboa – capital de duas margens.

António Sousa Pereira

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