Saltar para o conteúdo
Inferências

Uma Carta para ti Judite - MoitaGostei de estar contigo, numa tarde de Abril, que já cheira a Maio

Estou aqui a escrever e sinto os teus dedos a afagar o meu cabelo branco e as tuas palavras ao meu ouvido: “Não esperava encontrar-te aqui!”.
Estou aqui e sempre estarei com os meus AMIGOS, aqueles que guardo no coração, como referência de vida.
Sabes, alguns já partiram mas ainda os sinto caminhar ao meu lado.

4 min de leitura
Uma Carta para ti Judite - Moita Gostei de estar contigo, numa tarde de Abril, que já cheira a Maio

Por Jornal Rostos

Olá Judite,

Estou escrever-te estas palavras porque, ontem, não tive oportunidade de falar um pouco contigo.
Sabes gostei de estar ali, naquele momento da tua vida, partilhando o lançamento do teu livro «truz,truz,Salgueiro!”, no qual através da poesia proporcionas um reencontro com as tuas memórias de mulher lutadora e de grande nobreza.

Gostei de te reencontrar, olhar teus olhos e sentir o teu sorriso.
Disseste: “Não esperava encontrar-te aqui”. Fizeste-me uma caricia e sorris-te!
Cheguei a casa, sentei-me a ler as tuas palavras. Li os teus poemas e senti o teu calor humano, a tua energia criadora, o teu amor pela vida.

Enquanto lia as tuas palavras, recordei aqueles momentos hilariantes que partilhámos naquele autocarro, quer na ida, quer no regresso do Porto, onde fomos ambos participar no Congresso do PCP.
Foi a primeira vez na minha vida que fui Delegado a um Congresso, por acaso um Congresso muito agitado, principalmente naquele período reservado a Delegados, onde foi forte e intenso o debate, em torno do chamado grupo da terceira via – Zita Seabra, Vital Moreira e outros. Houve debate intenso e agitado.

Na altura eu estava na idade dos trinta e tu nos quarenta. Eu sonhava. Tu lutavas. Eras uma activa dirigente sindical.
Depois fomos nos cruzando na vida, em contextos diferentes, em situações diversas, na minha actividade de cooperativista e tu sempre na luta sindical.

Tu seguiste sempre o teu caminho, do ideal que sonhas e abraças com paixão. Eu parti noutro rumo, no meu sonho de Liberdade e amor pela vida.
Mas, sei, sempre senti, que quando te encontrava, encontrava o teu sorriso, a tua amizade, porque, de facto, por razões afectivas, aquelas que se sentem, quando gostamos de alguém porque gostamos, porque as guardamos no coração, em ti, Judite, encontrei sempre esse carinho de uma amizade, que vai para além das circunstancias daquilo que vivemos ou estamos.

Ao ler o teu livro, a simplicidade das tuas palavras, o carinho dos teus versos, reencontrei esse teu lindo sorriso, a ternura dos teus sentimentos.
És tu que estás ali viva nos poemas, na tua sinceridade, nos teus valores.
E, decidi escrever-te estas palavras ao ler o teu poema escrito no ano de 1970, onde sublinhas:”Não há dinheiro ou valor/ que pague carinho e amor/duma amizade sincera.”
Escrevo, pois para te dizer, que é para mim uma honra, uma enorme alegria contar com a tua AMIZADE.
Escrevo, para te dizer, nesta hora que partilhas-te com todos os teus amigos as tuas lindas palavras que reflectem o teu olhar sobre a vida, neste teu livro «truz,truz, Salgueiro!”, que é para mim uma honra estar ao teu lado e dizer-te : “Obrigado!”
Obrigado pela Amizade! Obrigado pelo respeito que sempre mantivemos um pelo outro!

Gosto de contar contigo como uma pessoa de referência na minha vida, alguém que aprendi a respeitar e sentir como um exemplo de vida.
Tu és daquelas pessoas que dá sem querer nada em troca, e vive a vida sempre com UM SORRISO.
Gostei de estar contigo, numa tarde de Abril, que já cheira a Maio.
Gostei de sentir que continuas viva e apaixonada pelos teus valores que nortearam e continuam a nortear, tua luta, e a tua vida.
Gostei de sentir a tua AMIZADE.
Estou aqui a escrever e sinto os teus dedos a afagar o meu cabelo branco e as tuas palavras ao meu ouvido: “Não esperava encontrar-te aqui!”.
Estou aqui e sempre estarei com os meus AMIGOS, aqueles que guardo no coração, como referência de vida.
Sabes, alguns já partiram mas ainda os sinto caminhar ao meu lado.

Um beijo para ti, e força para os teus dias!

António Sousa Pereira

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção