As coletividades não são clientelas!Por José Torres
Seixal

Por Jornal Rostos
Num contexto de uma alteração orçamental recentemente promovida pela Câmara Municipal do Seixal e segundo notícias vindas a público, o senhor Vereador Samuel Cruz (SC) terá feito afirmações que reputo de especial gravidade abordando a temática dos subsídios que aquela edilidade tem atribuído ao Movimento Associativo Popular (MAP) do Concelho.
Afirma aquele vereador que a Câmara “vai retirar meio milhão de euros ao investimento… para contentar as coletividades”. Declarou ainda que se vai perder o financiamento de vários projetos “em prol das clientelas”.
Lamentamos estas declarações de um edil do Seixal na medida em que constituem uma afronta para os milhares de dirigentes associativos e outros colaboradores que de forma voluntária e benévola se dedicam a uma causa que todos reconhecem ter virtudes únicas e que o senhor vereador apelida de “clientelas”.
Estas posições de SC contrariam frontalmente afirmações suas durante a última campanha eleitoral para as eleições autárquicas, em reuniões que promoveu com as direções de diversas coletividades, segundo as quais a CMS deveria subsidiar o MAP do Concelho com o dobro das verbas que até aí lhes tinha atribuído. Pois, mas nessa altura estávamos em campanha eleitoral….
O MAP do Seixal tem uma dimensão inédita e é reconhecido no panorama nacional como um exemplo a seguir. Este elevadíssimo dinamismo resulta em importantes benefícios para as populações, para a sua qualidade de vida e bem-estar. Incrementa e fortalece os laços das populações com a sua terra, constitui um fator de identificação cultural e prestigia extraordinariamente o Seixal numa escala que até ultrapassa a dimensão nacional.
Como é seu dever, o Poder Local tem dado uma forte contribuição para este vigor e esta pujante atividade do MAP. Não só em termos financeiros, mas também ao nível técnico e logístico, a profunda ligação entre estas duas realidades tem sido a chave do sucesso.
Ao invés, têm sido políticos medíocres, com mentalidade e perspetivas semelhantes às de SC, que têm governado este país com os resultados conhecidos por todos. Os apoios ao MAP têm sido nulos, preferindo canalizar os impostos dos portugueses para os regabofes dos BPN’s e outros que tais. Neste caso as “clientelas” não são as coletividades mas sim, os antigos e futuros patrões dos governantes, os grandes senhores do dinheiro, o pessoal das Jotas, futuros dirigentes partidários como os que atualmente dirigem os partidos do arco do poder, as parcerias público privadas que estão a arruinar o país e outras de teor idêntico.
Contrariamente ao que SC afirma, as verbas atribuídas às coletividades não são retiradas ao investimento, porque elas próprias são um investimento. São conhecidos estudos científicos e credíveis, segundo os quais, as verbas atribuídas ao MAP em termos nacionais, constituem um investimento que gera o triplo dos resultados económicos relativamente à generalidade dos restantes investimentos. Com a vantagem de elas serem aplicadas em infraestruturas que estão ao serviço das comunidades e não ao serviço de uns poucos.
Estas afirmações dão-nos uma ideia dos critérios que a CMS aplicaria ao MAP, se SC fosse eleito seu Presidente, como pretende. Felizmente podemos estar descansados porque, com atitudes destas, mais depressa o senhor Cavaco Silva considerará que, enquanto reformado, recebe o suficiente para ter uma vida condigna, do que SC alguma vez se venha a sentar na cadeira do poder do Seixal.
José Torres
Presidente do Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho













