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Inferências

InferênciasMata da Machada e Sapal do Rio Coina
Um território âncora para a promoção da nova imagem do concelho do Barreiro

Senti hoje, que estava fechar-se o capítulo começado nos finais do século XIX e que se estendeu ao longo do século XX – a terra que ficou conhecida pelo país e pelo mundo como “uma terra cinzenta e poluída”.

Hoje senti que se abria a página de construção do «Barreiro Verde», aquele Barreiro que começou a ser sonhado num projecto assinado pela Câmara Municipal do Barreiro no ano 2000 ( dinamizado pelo então Vereador Carlos Mauricio) e Universidade Nova, que conduziu à aprovação do Plano Municipal do Ambiente e agora à aprovação de uma área Protegida Local.

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Inferências Mata da Machada e Sapal do Rio Coina Um território âncora para a promoção da nova imagem do concelho do Barreiro

Por Jornal Rostos

Hoje, quando tomei conhecimento da aprovação, por unanimidade, pela Câmara Municipal do Barreiro da proposta de classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina como Área Protegida Local ocorreram-me ao pensamento diversas reflexões.

Novo visual neste começo do século XXI

A primeira é que estava assistir, simbolicamente, à viragem de uma página da história do concelho e a sentir a sua entrada com um novo visual neste começo do século XXI.
Senti hoje, que estava fechar-se o capítulo começado nos finais do século XIX e que se estendeu ao longo do século XX – a terra que ficou conhecida pelo país e pelo mundo como “uma terra cinzenta e poluída”.

A utopia do Barreiro Verde

Hoje senti que se abria a página de construção do «Barreiro Verde», aquele Barreiro que começou a ser sonhado num projecto assinado pela Câmara Municipal do Barreiro no ano 2000 ( dinamizado pelo então Vereador Carlos Mauricio) e Universidade Nova, que conduziu à aprovação do Plano Municipal do Ambiente e agora à aprovação de uma área Protegida Local.
Este é um Barreiro que poucos conhecem ou referem, porque esta é uma realidade do concelho ignorada, mas que o caracteriza como sendo um dos mais importantes “pulmões” da Área Metropolitana de Lisboa, uma área cuja biodiversidade da fauna e flora tem sido estudada desde o século XIX, com importantes referências.
Este é o momento da utopia, uma utopia que nos leva a pensar o Barreiro como um «Barreiro Verde» em contraponto ao «Barreiro Cinzento» que foi a sua marca central no século XX.
O dia de hoje ficará como uma marca, aquele dia em que foi dado um pequeno passo para a realidade que todos temos no imaginário e na vida real, mas é, sem dúvida, um passo de gigante para o futuro do concelho.

Barreiro terra pioneira

Outra reflexão que me ocorreu é que há duas formas de pensar e sentir o Barreiro – uma nostálgica que fala do seu passado, de coisas que já cá não estão nem fazem parte do seu quotidiano, e parece que o Barreiro parou no tempo, vivendo em palavras aquilo que já não é real no seu quotidiano; outra é a visão sonhadora, utópica, que projecta futuro, que sonha futuro, naturalmente, transportando dentro de si as riquezas humanas e saberes de uma comunidade que sempre foi uma referência para o país, mas que acredita tem pela frente um novo caminho a percorrer.
A criação da Área Protegida Local da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina, por ser a primeira na região, coloca o Barreiro, mais uma vez, na linha da frente, sendo um exemplo pioneiro, um concelho que protagoniza, na prática, uma das linhas estratégicas de preservação do ambiente e da biodiversidade definida pela União Europeia.

Desenvolvimento sustentável do concelho do Barreiro

Dou comigo a reflectir sobre as enormes potencialidades da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina, e penso que este de facto, como referiu, hoje, o Presidente da Câmara Municipal, Carlos Humberto, é na verdade “um pilar de desenvolvimento sustentável do concelho do Barreiro”.
Mas, agora, é preciso acreditar, é preciso pressionar e fazer chegar aos senhores de Bruxelas e de Lisboa como é importante dar seguimento à candidatura do «Programa Life +» apresentada pela Câmara Municipal do Barreiro.
Sim, de facto, é urgente que alguém nos defenda em Bruxelas!!

Fornos da Mata da Machada

Dou comigo a reflectir sobre a importância histórica da Mata da Machada e sonho com a criação de um Centro de Interpretação da Natureza, com base em acordos com as Universidades, cujos investigadores reconhecem ser este um espaço de grandes potencialidades.
Dou comigo a sonhar com a criação de um Centro de Estudos dedicado aos Descobrimentos, potenciando os artefactos das escavações dos Fornos da Mata da Machada ( aliás, esta era uma sugestão verossemelhante defendida por Pedro Canário, quando exerceu o cargo de presidente da Câmara).
É uma pena o estado de semiabandono em que se encontram as escavações, e, sabemos outros fornos foram descobertos e estão à espera que um dia possam ser efectuados os respectivos estudos arqueológicos.
Dou comigo a pensar como este seria de facto um potencial espaço do Roteiro Turistico da AML em torno da temática dos Descobrimentos.

Um espaço de lazer

Dou comigo a imaginar uma pista de treinos, circuitos de manutenção, e a criação de um espaço de lazer que proporcione a fruição daquele pulmão aos barreirenses e aos milhares que residem num círculo urbano em crescimento dos concelhos de Palmela, Sesimbra e Seixal, com mais de 400 mil pessoas.

Fins de semana na Mata da Machada

Dou comigo a pensar como seria interessante proporcionar condições para quem quisesse optar por passar umas noites, fins de semana na Mata da Machada.
Imagino a criação de alguns postos de trabalho, a promoção de produtos originários da Mata da Machada como o mel.
Dou comigo a pensar na criação daquelas peças de cerâmica como o «molde do pão de açucar» em diferentes tamanhos e formatos, a ser vendidos como recordação de visitas ao Barreiro. E porque não serem desde já produzidos. O João Gomes ensina.

Na Mata da Machada com os TCB’s

Dou comigo a pensar na existência de uma carreira regular de autocarros dos pequenos a ligar aos sábados e domingos o Forum Barreiro à Mata da Machada, em circuito, com módulos de bilhetes específicos – “Na mata da machada com os TCB’s”.
Dou comigo a pensar, hoje, que Portugal ganhou uma Medalha na canoagem, como seria possível explorar, respeitando os recursos hidricos e paisagisticos, as potencialidade existentes no Rio Coina para a prática do remo e canoagem.

Um território âncora para a promoção da imagem do concelho

Dou comigo a pensar neste «Barreiro Verde», neste Barreiro que sonha futuro e acredita que tem potencialidades para atrair pessoas e dar condições de sustentabilidade aos que cá vivem, e também a outros que queiram para cá vir viver.
A Mata da Machada e o Sapal do Rio Coina não podem continuar a ser pensados, apenas, como aquele espaço onde existe um CEA – Centro de Educação Ambiental.
Este tem que ser um território âncora para a promoção da imagem de um novo concelho, de um concelho que conta com uma frente ribeirinha de luxo – um concelho verde.

Primeiro território classificado

Hoje, com a aprovação da Classificação da Mata da Machada e Sapal do Rio Coina como área protegida local, acredito abriu-se uma janela de oportunidade.
Tem que existir coragem, força, energia, estudar o território, captar investimentos, captar conhecimentos e erguer esta bandeira bem alto, dando-lhe a dimensão que ela merece – hoje nasceu o primeiro território classificado como área protegida local na nossa região de Setúbal.
Que este seja um exemplo para que outros concelhos sigam o mesmo caminho porque afinal nem só de casas vive o homem.
O Barreiro está de parabéns! Está a emergir no presente o Barreiro do séculko XXI.

António Sousa Pereira

Nota Posterior - Na cronologia referenciada, naturalmente, podía ter sublinhado, como salientou o Vereador Nuno Banza, vereador do Ambiente, no decorrer da reunião pública que aprovou a proposta, que na génese deste processo está um abaixo assinado promovido pelos escuteiros de Santo André, em 1992.
E, acrescentar que esse abaixo assinado teve reflexos, sendo apoiado pelo então vereador do Ambiente, João Pintasilgo, PS, que sugeriu que a proposta do abaixo-assinado fosse aceite e incluída no PDM de 1992, considerando a Mata da Machada e Sapal de Coina como zona de reserva natural, de acordo com a legislação vigente.

O que pretendi, obviamente, ao referenciar os estudos propostos no ano 2000 e os factos posteriores foi, apenas, salientar que esses foram os momentos que contribuiram para colocar de forma clara e objectiva a Mata da Machada e o Sapal do Rio Coina na agenda politica local.
Portanto, já agora, que estamos a «historiar» salientar, também, neste processo o papel desempenhado pelo Vereador do Ambiente, Bruno Vitorino.

S.P.

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