BARREIRO - Carreira 7«Não perder a esperança!»
Pronto, cá está uma «Carreira 7», de regresso, num encontro com as coisas do quotidiano.

Por Jornal Rostos
Não tenho andado com disposição para escrever esta rúbrica «Carreira 7», mas, pelo facto de, por vezes, alguns leitores questionarem sobre a sua ausência, sinto que, de facto, devo manter a sua edição.
Por outro lado, este exercicio diário, de comentar os dias, os encontros e desencontros, é algo que, também, a mim próprio, me dá imenso prazer e sinto a sua falta.
A Carreira 7 desde sempre procurou ser, uma viagem pelos dias, um encontro com os acasos do quotidiano.
O que me motivou a escrever esta Carreira 7, hoje, aqui e agora, foram dois encontros fortuitos durante a tarde.
Num, um amigo, comentava o falecimento de um familiar, e, como sempre, nestas circunstâncias, todos nós, nos interrogamos e comentamos sobre o sentido da vida.
Parece que, na verdade, é nestes momentos, perante a morte, que nós mergulhamos um pouco por dentro de nós mesmos e reflectimos, mesmo que momentaneamente, sobre os dias, a procura de felicidade nos dias e descobrimos que, o final, será igual para todos, sejamos bons ou maus. Portanto melhor é mesmo viver e sorrir.
Depois, instantes depois, outro amigo, lá ia sorridente com a sua esposa transportando um bébe recém nascido.
“É gente nova?” – interroguei. Respondeu-me com um grande sorriso que sim –“É gente nova”.
Uns morrem. Outros nascem. Senti nestes dois encontros fortuitos o ritmo da vida.
A vida que, sem dúvida, para todos, é essa realidade – nascer e morrer.
Nós morremos e nascemos todos os dias. E, talvez, foi por essa razão, que decidi fazer renascer a Carreira 7 que estava um pouco hibernada.
É esta vontade de retomar as «viagens» pelos dias nos seus encontros e desencontros.
Estamos a caminhar para o final de mais um ano, começa a ser tempo de fazermos o balanço. E, como sempre, pensar, fazer planos para um novo ano que se aproxima.
Quando penso os dias, uma coisa que me dá muita alegria, é esta, na verdade - sentir que faço diariamente o que gosto, com um prazer enorme.
Tirando os problemas que penso, hoje, afectam toda a gente, resultantes da crise, os dias são uma maravilha.
Mas, é preciso, como dizia um empresário que entrevistei um destes dias – “não perder a esperança!”
Trabalhar diariamente neste projecto Rostos é emocionante, e, depois, dedicar algum do meu tempo à vida associativa e sentir que, desta forma, dou um contributo voluntário para dar vida à comunidade, também satisfaz emocionalmente.
Sinto, muitas vezes que o tempo é curto, os dias, por vezes, precisavam de ser maiores, e, de facto, as semanas passam a correr que nem as sinto passar…
Hoje já é sexta-feira, mas, para mim, é um dia como outro qualquer, pois, não sei o que são fins- de- semana, nem férias, sei, isso sim, que vivo todos os dias de forma intensa.
O tempo passa. Nascer de novo em cada dia, e olhar o sol com um sorriso, dá muita energia.
Pronto, cá está uma «Carreira 7», de regresso, num encontro com as coisas do quotidiano.
De repente, ocorreu-me à memória, que, quando estava na redacção de «O Setubalense», nos anos 70, escrevia uma Crónica regular, naquele tri-semanário, intitulada «Quotidiano da Cidade» - era um encontro com «estórias» dos dias. Se nós pensarmos bem, de facto, cada dia tem uma história muito própria, acontecimentos que registamos na memória e fazem reflectir sobre a vida. Era um exercício diário que me dava um grande prazer.
Por essa razão, também, hoje, sinto que a ausência da Carreira 7, acreditem, gera um vazio nos meus dias. Sinto essa ausência de partilhar emoções e reflexões sobre os acasos dos dias.
Todos os dias têm «estórias». Umas gostamos de comentar, outros preferimos colocar de lado…porque afinal a vida é isto : nascer e morrer.
Um dia escrevi um poema dedicado a um associativista o Ti’Jenónimo Alves, homem que admirei pela sua simplicidade e humanismo.
O Comandante Aníbal Luis, dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste, já, por diversas vezes, tem utilizado, estes versos, nos seus discursos.
Aqui fica, neste final de dia, onde o nascer e morrer tocou os meus nervos.
Não morre o homem que vive
lado a lado sempre a sonhar,
só morre o homem que morre,
nesta vida sem lutar!
Até amanhã,
Sousa Pereira













