CARTA ABERTA AO PRIMEIRO MINISTROPor Rosário Vaz
Barreiro
Se ainda lhe corre nas veias algum resto de sangue lusitano, retire-se, antes que a isso seja obrigado!

Por Jornal Rostos
Senhor Primeiro Ministro,
Diga-nos, por favor, como consegue fazer tanto mal a este país, como é capaz de provocar tamanhas situações de desespero, como não pára para pensar que Portugal é hoje um pais paralisado, com a sua população em idade ativa a ter de passar as fronteiras, em busca do futuro que o seu país lhe nega, que os seus mais idosos perderam a tranquilidade e vivem sem a menor réstia de segurança, que a falta de esperança e a angústia dos cidadãos os leva a desistir de viver?
Só na semana passada, tivemos conhecimento de nove casos de suicídio no setor da restauração, nas semanas anteriores duas mães matam os filhos e suicidam-se elas próprias.
Por acaso já pensou até onde vai o desespero destas pessoas para que se sucedam atos tão macabros?
O senhor consegue viver tranquilo, sem alterar um milímetro as suas políticas da maior crueldade e injustiça social, num país que tem potencialidades para se autosustentar, para dar trabalho aos seus compatriotas e ser feliz, ao invés do que o senhor quer fazer crer com a austeridade que, à força, vai impondo a todos, incluindo os que trabalharam uma vida inteira para poderem ter um fim de vida digno?
Falo dos reformados e pensionistas, a quem é confiscado o mealheiro que pensavam ter ido fazendo, graças aos descontos feitos ao longo de anos de trabalho e de contributo para a economia deste país.
Sr. Primeiro Ministro, não basta constatar que a corda já esticou o que tinha a esticar, porque numa larga percentagem de casos, ela já rebentou e lançou estilhaços sobre um círculo muito alargado de gente.
Se ainda lhe corre nas veias algum resto de sangue lusitano, retire-se, antes que a isso seja obrigado!
Ou não acredita na consciência política dos que se sentem ultrajados, daqueles que já não deixam escapar uma só oportunidade para o mandar embora a si e aos seus correligionários, como esse ministro de licenciatura faz de conta, ou esse falinhas mansas do ministro das finanças, ou o matemático de contas erradas para com os professores e educadores deste país e todos os outros que o rodeiam e animam nas políticas de destruição de um povo que mal sobrevive?
Não lhe parece uma afronta e grande despudor que ande a recapitalizar os bancos para depois os banqueiros virem para a praça pública dizer que têm ordenados mensais de 165 mil euros, com carro à porta e avião privado?!
Pense que os brandos costumes têm limites, porque a fome, a miséria, o desespero, a desesperança e a injúria são mais fortes do que as forças desde há muito contidas.
Uma aposentada injustiçada.
Uma portuguesa atenta.
Rosário Vaz













