A(nota)mentosBarreiro: não esqueças Américo Marinho no ano do centenário do seu nascimento!
Neste ano do centenário do seu nascimento, mesmo com algum atraso, o Barreiro não deverá esquecer este seu filho. Divulgá-lo. Homenageá-lo!
Américo Marinho é um Rosto do Barreiro e um nome que faz parte da sua cultura!

Por Jornal Rostos
Ontem ao consultar o meu dossier, onde registo algumas datas de efemérides, verifiquei que passaram 16 anos sobre a data de falecimento do Mestre Américo Marinho.
Pensei que devia fazer uma noticia para assinalar essa data, recordar, aqui e agora, um nome que se inscreveu por direito próprio na história da cultura do Barreiro ( sua terra natal) e Santarém ( terra onde viveu os últimos anos da sua vida).
Por razões profissionais, tive o prazer de conhecer o Mestre Américo Marinho. Desloquei-me a sua casa, em Santarém, para recolher os dados necessários para escrever a sua biografia que foi lida quando a Câmara Municipal do Barreiro lhe atribuiu o galardão «Barreiro Reconhecido» na área da Cultura, no ano de 1987.
Conheci a sua obra. Conheci o homem, de grande simplicidade e ternura.
Um homem que, recordo fazia-me sentir imagens nas histórias que contava, do Bairro Operário, de Alburrica, do Café Barreiro. Um homem que tinha o Barreiro no coração.
Na Biblioteca Municipal do Barreiro, durante os anos de «degredo», que por lá andei, eu deliciava-me a olhar o seu quadro das musas, dedicado a Luís de Camões. Acho que, agora, está à entrada, mal iluminado, mas lá está…
O aluno dos três vintes
Hoje, ao preparar-me para escrever esta nota, notei, que, este é o ano do centenário do nascimento do Mestre Américo Marinho. Uma efeméride que, mesmo com algum atraso, não pode, nem deve ser ignorada pela sua terra natal.
Américo Marinho nasceu, no Barreiro, em 28 de Janeiro de 1913 e, desde cedo, se sentiu atraído pelas artes.
Aluno exemplar, concluiu com distinção os sete anos do curso da Escola de Belas Artes de Lisboa, sendo na época conhecido como o “Três Vintes”, nota que obtinha com regularidade e pelo facto de, no tempo, existir uma marca de tabaco muito popular – “20,20,20”.
Na sua actividade manteve convivido com grandes Mestres, como Carlos Reis ou Columbano.
Passou os últimos anos da sua vida em Santarém, onde veio a falecer, sendo o seu funeral realizado para o Barreiro, sua terra natal, terra que amou desde sempre, nunca esquecendo os recantos telúricos de Alburrica.
Desenhos de Américo Marinho retratam o quotidiano
Américo Marinho, grande amigo do Mestre Augusto Cabrita e de Manuel Cabanas, doou à Câmara Municipal do Barreiro 139 obras com a finalidade de integrarem o acervo do Museu Municipal.
A autarquia possui um conjunto de desenhos de Américo Marinho, feitos "sobre o joelho" que retratam o dia-a-dia do autor - a viagem no barco que liga as duas margens do Tejo, os amigos, a família, em suma, a observação do seu quotidiano. Na produção destes desenhos a técnica empregue é, essencialmente, a grafite sobre papel.
Recorde-se que a toponímia do concelho do Barreiro registou o seu nome atribuindo o nome de - Rua Américo da Silva Marinho – a uma artéria localizada na Urbanização dos Fidalguinhos.
No Parque da Cidade, foi atribuído o nome de Américo Marinho, ao edifício localizado ao lado do AMAC – Auditório Municipal Augusto Cabrita.
Exposição em 1989 na Galeria Bocage
“Considero o Américo Marinho o meu primeiro mito dessa imensa e fabulosa galeria que é o Universo dos Pintores. É também o meu primeiro Mestre.
Américo Marinho tinha ( e tem) a magia dos dedos – que são esse prolongamento de uma rara maneira de Olhar” –estas palavras escritas por Augusto Cabrita, num testemunho prestado a propósito de uma exposição realizada por Mestre Augusto Marinho, naquele que era o espaço nobre e de excelência para os artistas, no ano de 1989 – a Galeria Bocage.
“ Quantos e quantos retratos, inumeráveis, ele fez com o rigor e precisão do seu lápis a amigos e pessoas que, pela sua máscara, lhe interessavam” – escreveu Manuel Cabanas, como testemunho da mesma exposição.
Recorde-se que Américo Marinho foi considerado pela critica nacional e internacional como sendo “um grande pintor europeu e um desenhador entre os maiores”.
Neste ano do centenário do seu nascimento, mesmo com algum atraso, o Barreiro não deverá esquecer este seu filho. Divulgá-lo. Homenageá-lo!
Américo Marinho é um Rosto do Barreiro e um nome que faz parte da sua cultura!
António Sousa Pereira













