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Inferências

Diz que é uma espécie de Blogue de Notas do Barreiro«A fábrica abriu-se à cidade e deixou de ser um espaço murado»

O afastamento de Mário Durval da liderança do BE local não beneficia o BE, retira-lhe capital politico, retira-lhe força nas autárquicas, porque nas autárquicas conta muito, mesmo muito, o «capital politico dos rostos humanos» que se apresentam aos eleitores.

E, hoje, talvez o que se pode afirmar é repetir palavras ditas no dia 19 de Julho de 2009, por Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, este projecto da Baía do Tejo tem “um elevado simbolismo – a fábrica abriu-se à cidade e deixou de ser um espaço murado sobre si mesmo, passou a ser parte integrante da cidade e do concelho”..e integra o novo centro da cidade.

Sei, pelo que me disseram que João Liberal, cidadão «Barreiro Reconhecido» na área das Artes e Letras, no ano 1992, partiu com a presença de muitos poucos, e mesmo instituições oficiais não marcaram presença na hora do adeus.

7 min de leitura
Diz que é uma espécie de Blogue de Notas do Barreiro «A fábrica abriu-se à cidade e deixou de ser um espaço murado»

Por Jornal Rostos

Tema em destaque
Mário Durval «derrotado» no Bloco de Esquerda

O assunto que pretendo destacar é a noticia relativa à derrota de Mário Durval nas eleições internas no Bloco de Esquerda.
Mário Durval durante as últimas décadas foi o rostos do Bloco de Esquerda no concelho do Barreiro e, quer os bloquistas queiram ou não queiram, o facto é que continua a ser uma figura de referência, quer pela actividade profissional, quer pela sua acção como dirigente associativo, quer como activista de causas culturais e ao nível da saúde.
O Bloco nas suas lutas internas pode ter dado, com esta derrota no seu «rosto carismático» uma grande machadada nas suas pretensões autárquicas, porque Mário Dural se surgir como candidato no Barreiro, ou noutra qualquer autarquia ( recorde-se que já foi candidato á presidência da Câmara Municipal de Setúbal) estará sempre fragilizado. Se foi recusdo internamente e os seus companheiros de acção politica decidiram não lhe confiar a liderança, como pode servir para ser protagonista nas autárquicas.
Mário Durval e a sua «corrente de pensamento» era também a expressão de uma franja eleitoral do BE, com origem na área da UDP.
Se a decisão dos bloquistas no Barreiro foi separar as águas, no âmbito de uma dita «corrente de pensamento» que conceptualiza «um bloco sem correntes de pensamento», deram um tiro no pé, porque o Bloco não é mais que a expressão de «correntes de pensamento» em movimento e feriram de morte uma corrente que tem tradição na dita «cultura operária» da cidade.
O afastamento de Mário Durval da liderança do BE local não beneficia o BE, retira-lhe capital politico, retira-lhe força nas autárquicas, porque nas autárquicas conta muito, mesmo muito, o «capital politico dos rostos humanos» que se apresentam aos eleitores.
O BE com o afastamento de Mário Durval acaba, também, por criar um vazio no seu espaço politico e na sua área de influência que, neste momento, não tem muitas opções para preencher.
Mário Durval até podia não ser o candidato autárquico do BE, até podia ser um recurso de retaguarda, mas, politicamente, ao candidatar-se internamente e ao ser derrotado pelos seus pares, o BE abriu uma brecha profunda nas suas potencialidades.
Surja onde surgir, apoie quem apoiar, como candidatura do BE, Mário Durval, um histórico do BE, irá contar zero!
Será que não perceberam que estavam a desgastar-se em lutas internas, cujos reflexos eram inevitáveis na vida local e na acção politica local?

A noticia da actualidade
Baía do Tejo vai abrir território à cidade

Um assunto que ao longo dos anos tem merecido muita reflexão do ponto de vista de pensar a cidade e viver a cidade, é o «muro» da fábrica que separa a cidade do rio e não se ligar ao seu tecido urbano.
No dia 19 de Julho de 2009, foi com pompa e circunstância que decorreu uma cerimónia para assinalar a abertura da ligação do Lavradio ao Barreiro pelo interior do território da Qumiparque.
“Aqui se encontram e cruzam, uma vez mais, Fábrica e Cidade – Trabalho e Cidadania, símbolos perenes de uma história e alicerces do Futuro – 19 de Julho de 2009” – estas as palavras escritas na placa evocativa da abertura do atravessamento rodoviário – provisório – pelo território da Quimiparque.
Na altura, José Neto, presidente do Conselho de Administração da Quimiparque, referiu que a cerimónia apesar de singela tem “um grande significado”, porque, “mais uma vez, aqui se encontram, como ao longo dos últimos cem anos, fábrica e cidade, trabalho e cidadania”, disse, recordando que este foi um século de convivência “às vezes sempre juntos, nem sempre cara a cara, umas vezes de lado, outras vezes de costas voltadas”, recordando que, a abertura do atravessamento rodoviário do território da Quimiparque significava o cumprimento de mais uma alínea do compromisso assumido com a Câmara Municipal do Barreiro.
Também, Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sublinhou que este é um “momento importante para o concelho”, porque tem “um elevado simbolismo – a fábrica abriu-se à cidade e deixou de ser um espaço murado sobre si mesmo, passou a ser parte integrante da cidade e do concelho”.
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro salientou o significado “cívico, urbanístico, de ordenamento do território, de cidadania” que esta cerimónia e este dia assinala – “é antecipar o futuro, é trazer para o presente o futuro que queremos construir”.
´Desde então, seguiu-se o desenvolvimento do projecto de urbanização, primeiro do território da Quimiparque, depois, do território da Quimiparque e zonas envolventes.
Agora, neste ano 2013, a Baía do Tejo, divulga um projecto que vai contribuir para modificar radicalmente todo a entrada na zona do Largo das Obras, criando uma ampla alameda, pelos vistos acabando com aquela portaria no Largo Alexandre Herculano, gerando uma ampla zona que abre os braços ao centro da cidade mesmo ali ao lado, abrindo acesso fácil à zona das Reservas Museológicas e aos edifícios da Administração da Baía do Tejo.
Está de parabéns a Baía do Tejo com este projecto. Está de parabéns o Barreiro.
E, hoje, talvez o que se pode afirmar é repetir palavras ditas no dia 19 de Julho de 2009, por Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, este projecto da Baía do Tejo tem “um elevado simbolismo – a fábrica abriu-se à cidade e deixou de ser um espaço murado sobre si mesmo, passou a ser parte integrante da cidade e do concelho”..e integra o novo centro da cidade.

Um rosto
Faleceu João Liberal

Conheci João Liberal nas suas funções de Director do «Jornal do Barreiro», onde eu colaborava regularmente. Foi com ele na Direcção que iniciei a minha crónica «Com Pés de veludo», que ali mantive durante vários anos.
Vivi com João Liberal momentos de grande convívio e partilha de amizade. Era um homem simples, de grande humildade, católico profundo, que nunca esqueceu as suas raízes na Rua Miguel Bombarda, nem as suas raízes.
Um poeta apaixonado pela força das palavaras. Um autodicata que investigava a vida local.
Legou-nos obras com história de vida de personalidades da vida local, onde muitas vezes recorremos quando queremos recolher informação de figuras que fizeram a história do Barreiro nos séculos XIX e XX.
Deixou-nos trabalhos de investigação sobre artesanato e história local, escreveu a história centenária dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste.
Deixou-nos centenas de páginas nas edições do Jornal do Barreiro, com memórias e estórias que, sem dúvida, são muito do que vai ficar da nossa memória colectiva.
Foi uma nota da Direcção dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste que fez chegar à redacção do jornal «Rostos» a notícia do seu falecimento no dia 8 de Março.
Tenho pena de ter estado ausente no dia da sua partida. Gostava de lhe ter dito até já.
Sei, pelo que me disseram que este cidadão «Barreiro Reconhecido» na área das Artes e Letras, no ano 1992, partiu e muitos poucos marcaram presença, e mesmo instituições oficiais não marcaram presença na hora do adeus.
É assim. É vida João. Um abraço para ti. Desculpa também ter estado ausente, e como é habitual dizer-se : Até amanhã!

António Sousa Pereira

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