A(nota)mentosNovo Papa – começa com um apelo à fraternidade

Por Jornal Rostos
Como cidadão do mundo, obviamente, não ignoro o papel e a importância da Igreja Católica na sua acção na história da humanidade.
Aguardei com curiosidade a eleição do novo Papa. Ontem, foi eleito o novo Papa, e a sua eleição, pelo referido, trouxe novidades.
Pela primeira vez foi eleito um Jesuíta.
Pela primeira vez foi eleito um Cardeal da América Latina.
Pela primeira vez um Papa vai chamar-se Francisco.
Dois gestos registei na sua primeira presença pública. Apelou à partilha, solicitando aos presentes um momento de «recolha interior», unindo-se com eles, no mesmo gesto de vivência da interioridade, e traduzindo esse momento na valorização da palavra «fraternidade”.
Segundo, deixou um recado ao mundo, principalmente à Europa, quando afirmou que o foram buscar «ao fim do mundo», como quem diz, para aqueles que os «europeizaram» que já é tempo de pensar o mundo para além da «cultura europeia», ou seja que há mais mundo para além da Europa.
Gostei da sua opção pelo nome Francisco, porque traduz, talvez, uma vontade de apontar para a Igreja, um novo caminho, nestes tempos actuais, onde os homens vivem no seu quotidiano «um novo tempo».
Sim, o mundo de hoje é marcado por um novo tipo de «guerra», uma guerra que mata milhões, que destrói a dignidade de milhões, que canibaliza as relações humanas, esse novo tempo é o da «guerra financeira».
Talvez, o novo Papa queria dar um sinal que é preciso abrir novos caminhos e colocar o homem no centro da vida e não o dinheiro, colocar o ser acima do ter, fazer politica e economia com ética, com valores, com princípios.
Foi, pelo que se diz, eleito um Papa que no seu quotidiano, na Argentina, vivia e partilhava o mundo dos homens, viajando de autocarro e de metro, cozinhando para si próprio, uma Papa que afirmou sobre a América Latina: “Vivemos numa das mais desiguais regiões do mundo a que mais cresceu e menos reduziu a miséria. A distribuição injusta de bens persiste, criando uma situação de pecado social que envergonha aos céus”.
Essa região, é aquela de onde ele vem – do fim do mundo.
Claro que o mundo não vai mudar, mas, uma coisa é certa, quem vai ser o líder de uma das mais importantes correntes de vivência e pensamento religioso universal é um homem que aprendeu que, para se ser Cristão, é preciso conscientemente sentir todos os dias a força da palavra «fraternidade», porque ela é… o sal da terra!
António Sousa Pereira













