Inferências«Eu não fui eleito coisíssima nenhuma»
O dilema do Vítor está resolvido… porque há mais vida para além da técnica
O assunto do técnico que não foi eleito está arrumado. Vítor Gaspar passou à história…regressa ao seu mundo na Europa.

Por Jornal Rostos
O Ministro Gaspar, um dia, no decorrer de uma reunião com a Comissão de Economia, no Parlamento, deixou claras as razões que estavam subjacentes à sua leitura e visão do mundo e da vida.
Naquela reunião existiram dois momentos esclarecedores.
O primeiro quando Eduardo Cabrita, que presidia à reunião, recordou aspectos legais da proposta do Governo e o nosso «Técnico das Finanças», esclareceu que perante
o facto de sermos um país em situação de «resgate» tínhamos que nos submeter ao determinado pela «legislação europeias» que se sobrepõe à nossa «independência nacional».
Portanto, no seu ponto de vista como estamos de tanga, somos pobres, não temos direitos. A Europa manda e nós obedecemos.
Contas são contas. A realidade humana a destruição da nossa dignidade como seres humanos que se lixe.
Ponto final.
A pobreza que nos impõem, fruto de uma gestão política, num país que desde sempre viveu e vive do estado e que ficou pior com a entrada na União Europeia, que nos destruiu a agricultura e as pescas e gerou condições para que a nossa indústria já em decadência finasse.
Esta obsessão pela Europa, que também defendo e penso que não devemos abdicar desse espaço num mundo que já fala de uma «unidade económica» - Estados Unidos /Europa, não deve ser apenas construída com essa dimensão financeira e deve ser solidária e capaz de olhar para realidades diferentes com politicas diferentes, se quer afirmar-se como um todo no mundo.
Ponto final.
Mas para o Ministro Gaspar, homem de visão técnica, a nossa situação financeira impunha a nossa submissão.
Ponto final.
Mas, de facto, este olhar de «técnicos europeus» conhecedores das teorias financeiras, desumanizados, é aquilo que está a conduzir a Europa para um beco sem saída.
Ponto final.
O segundo momento demonstrou que ele, o nosso Ministro Gaspar, é um Técnico.
Ele é um homem com uma «perfeita» visão das «contas públicas» e da importância dos «cortes» para que se abra um novo caminho.
Sim, ele confirmou que é um «Técnico», não é um político. Não estava no Governo para se preocupar com política.
«Eu não fui eleito coisíssima nenhuma» - afirmou.
Os eleitos são Paulo Portas e seus ministros, Passos Coelho e seus ministros, esses sim têm que se preocupar com política. Eles é que foram os eleitos.
«Eu não fui eleito coisíssima nenhuma» - esta é a verdade do pensamento político do ex-Ministro Gaspar.
O Ministro Gaspar naquela circunstância quis dizer, que está «cansado», cansado da politica, quando ele, como «Técnico» acreditava que estava a fazer o «melhor para Portugal».
«Eu não fui eleito coisíssima nenhuma» - registe-se.
Este «conflito» entre o «Técnico» e o «Politico» é uma velha discussão da vida politica.
E, pelos vistos, no Governo português a politica está na «gaveta», quem sempre tem decidido tem sido o «Técnico» Ministro Gaspar.
Que todos sabemos e ele confirmou para que ninguém o esqueça «Eu não fui eleito coisíssima nenhuma»!
A vida real dos portugueses, neste país que vive do Estado à sombra do Estado, há séculos, não deve contar para nada…o que conta é que somos um país «resgatado».
E, pelos vistos, a continuar este caminho, já sabemos, estamos todos esclarecidos, nada vai mudar com um novo Governo que venha a sair de próximas eleições, sejam antecipadas ou sejam em 2015.
O rumo está traçado. Que morram uns milhões, que saíam do país uns milhões. Este é o preço de ficarmos na Europa, de continuarmos no Euro, se a politica europeia não encontrar novos rumos.
É a técnica que conta, é a técnica financeira, é a técnica que permite que uns continuem a viver do Estado e que é preciso reduzir aos limites – retirando aos pensionistas, aos trabalhadores, mas mantendo PPP’s, energias renováveis ( que faz que tenhamos dos preços mais elevados de electricidade na Europa),e até, agora as «swap» e que mais estará para surgir…sempre do Estado, sempre com origem do Estado.
«Eu não fui eleito coisíssima nenhuma» - afirmou o Ministro Gaspar. E tem razão.
Dou-lhe razão. Foram chamar o homem para arrumar as contas. Ele esteve sempre a trabalhar de forma incansável para arrumar as contas. Coisa que todos sentimos na pele e querem culpá-o a ele – o técnico – que não foi eleito….
Estamos quase a entrar nos Mercados e querem culpar o Ministro que como se sabe afirma que «não fui eleito coisíssima nenhuma» como o mau da fita. Não se admite. Ele que até é do Benfica. Ele que até sabe que a chuva causou redução nos investimentos.
O Primeiro Ministro Passos Coelho, que foi eleito, que é politico e não técnico, vivia com este drama quotidiano.
Tinha que resolver este dilema. Estava difícil.
Desde o dia que Vítor Gaspar fez estas afirmações pensei que ele tinha os dias contados.
A dúvida que tinha era se ele saía sozinho ou se saía com o Governo.
No dia seguinte a estas declarações de Vítor Gaspar, Paulo Portas, veio à praça pública para deixar claro que tinha compromissos com os eleitores, demarcando-se de forma subtil do Ministro das Finanças. Tem sido assim nos últimos tempos.
O assunto do técnico que não foi eleito está arrumado. Vítor Gaspar passou à história…regressa ao seu mundo na Europa.
Mas será que a«história» que ele «inscreveu» neste país, feita de submissão sobre submissão vai ter um fim…?!
Será que a história que ele inscreveu que colocou as finanças acima de uma visão politica, prescindindo de negociar, desprezando a realidade sócio-económica do país e pensando apenas «mercado», será que ainda pode encontrar um novo rumo…
O Ministro Gaspar contribuiu para aprofundar a crise na sociedade portuguesa, contribuiu para destruir a dignidade de Portugal e fê-lo apenas por uma razão de fundo – ele não foi eleito coisíssima nenhuma!
E, neste tempo que vivemos, todos nós pagámos a factura de um técnico que era feliz e rei dentro da técnica…
Adeus Gaspar !
Esperemos que ao menos comece a existir uma visão politica da politica…porque há mais vida para além da técnica.
António Sousa Pereira













