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Inferências

Quotidianos da Cidade - BarreiroUma manhã de domingo na Praia de Alburrica

Ora Alburrica é um alforje de memórias. Promover Alburrica é ligar a cidade ao rio. E isso deve ser feito com estratégia de curto, médio e longo prazo.
Tanta coisa pode ser feita. Uma exposição «Um olhar de Augusto Cabrita sobre Alburrica». Convidar o fotógrafo Guta para dar o seu olhar de hoje sobre aquele espaço telúrico.
Kira o pintor de Alburrica. Que linda exposição.

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Quotidianos da Cidade - Barreiro Uma manhã de domingo na Praia de Alburrica

Por Jornal Rostos

Hoje, pelo final da manhã, fui dar um passeio pela Praia de Alburrica. Foi agradável ver as mudanças registadas com a intervenção concretizada no âmbito do Programa REPARA.
Encontrei uma amiga, que me dizia: “Esta é a minha praia de eleição. Venho para aqui há muitos anos. E vejo agora aqui tanta gente que pergunto: Onde andavam que só agora descobriram esta praia”.
E, com tristeza, ela acrescentava - “Já destruíram os chuveiros e material do circuito de manutenção. É só por malvadez. Não há nenhuma Câmara que suporte isto, sempre que arranjam destroem. Vou ali à Moita e está tudo sempre bem tratado o mesmo vejo no Seixal, ali em frente, aqui destroem”.

Eu disse-lhe: “A minha praia era o Clube Naval, do qual ainda hoje sou sócio. Mas gosto muito desta zona de Alburrica”.
E, obviamente, também acrescentei : “Isto de destruírem as coisas aqui em Alburrica sempre que são feitas obras é muito estranho.”

O espaço está, de facto, mais agradável. Tem caminhos por onde é possível dar um passeio a pé, ou mesmo de carro, até aos Moinhos. Tem zonas para fruir a paisagem, sentado nos bancos, ou deitado no areal.
Há um parque de estacionamento. O Bar do Bento onde é possível beber uma bebida fresca ou tomar um café, numa esplanada com uma linda paisagem.
São centenas de pessoas. Famílias. Jovens. Idosos.
“Temos uma bela praia aqui mesmo ao pé da nossa porta” – dizia-me a Lurdes.
Na passagem de um barco a ondulação convida a um mergulho.

Na última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, nas instalações do Recreativo da Quinta da Lomba, o vereador Rui Lopo, referia com satisfação “a intervenção em Alburrica tem qualidade e foi feita com um projecto realizado com os recursos internos, pelos técnicos da autarquia”.
Sublinhava que a intervenção em Alburrica está concluída na ordem dos 90%, faltando concluir - “as três passadeiras que ligam os Moinhos de Maré e as Caldeiras”.
Referiu, igualmente, que no âmbito do programa REPARA vão realizar-se intervenções na Rua Miguel Pais e na Avenida da Praia - “até ao final de Agosto vai começar a obra que deve estar concluída até ao final do ano”.

Gostei dos arranjos na zona de Alburrica. É um passeio agradável junto ao rio. O espaço está humanizado e convidativo para fruir do sol e da paisagem.
É, de facto pena, que mal a obra tenha sido concluída se registem actos de vandalismo. Tem sido várias vezes assim, após as intervenções verifica-se a destruição.
Deviam ser colocadas umas placas em diversos locais – “Não destruas. Ama Alburrica!”
Devia ser editado um folheto de sensibilização, com histórias e memórias daquele lugar idilico do concelho do Barreiro, de forma a motivar o gosto pela sua preservação e fazer sentir aos que destroem que não estão a prejudicar a autarquia – se é esse o objectivo - mas sim a penalizar os barreirenses.

Uma ideia ficou a matutar o meu pensamento. A intervenção naquele espaço não deve ficar pelas obras, devia-se procurar dinamizar actividades, mesmo no âmbito da «Animação dos Espaços Verdes», porque existem condições óptimas, junto ao Bar do Bento, para promover actividades recreativas.
Ou seja, é preciso dar-lhe vida de forma continuada, ao longo de todo o ano, pensar aquele espaço para além das obras, dar-lhe condições para fruição da sua beleza natural e também estimular a sua utilização divulgando a vertente de circuito de manutenção e as vertentes ambientais de ligação ao rio, à história dos Moinhos e às memórias do local, promovendo visitas organizadas – «Na Descoberta de Alburrica».

Pico Della Mirandola, um dia escreveu: «Só se ama aquilo que se conhece».
Ora Alburrica é um alforje de memórias. Promover Alburrica é ligar a cidade ao rio. E isso deve ser feito com estratégia de curto, médio e longo prazo.
Tanta coisa pode ser feita. Uma exposição «Um olhar de Augusto Cabrita sobre Alburrica». Convidar o fotógrafo Guta para dar o seu olhar de hoje sobre aquele espaço telúrico.
Kira o pintor de Alburrica. Que linda exposição.
Promover um concurso de fotografia tendo como tema Alburrica. Convidar artistas plásticos do Barreiro e promover uma exposição tendo como tema Alburrica.

Em suma, gostei. Está dado um passo em frente. Agora, não fiquemos pela obra física – humanizemos Alburrica. Porque esta é, na verdade, a nossa «Mata da Machada» do Tejo!

António Sousa Pereira

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