A(nota)mentosUma página da história do Poder Local no Barreiro
Seja qual for o ponto de vista de análise do «facto politico», a verdade é que a tomada de posse de uma lista de «independentes» é um acontecimento de referência.

Por Jornal Rostos
Ontem à noite, na instalação do União de Coina, tomou posse a nova Assembleia de Freguesia de Palhais e Coina, cuja presidência foi conquistada por Naciolinda Silvestre, obtendo a lista de independentes a maioria absoluta, com o apoio do PSD.
Sobre este facto politico podem fazer-se a interpretações que se entenderem, de acordo com as reflexões politico-partidárias, a verdade é que neste «micro-cosmos eleitoral», onde estão inscritos 3.119 eleitores, há diversos aspectos sobre os quais as forças politicas devem reflectir e retirar lições politicas.
É que este «micro-mundo» vai ser um laboratório de acção politica nos próximos quatro anos.
É uma espécie de «cavalo de troia», num mundo de vida politica local de maiorias absolutas.
Votos brancos duplicaram na Câmara e Assembleia
Por exemplo, nas votações para a Câmara e Assembleia Municipal o número de votos brancos duplicaram, comparativamente com os registados na Assembleia de Freguesia.
Ou seja os eleitores não quiseram votar em forças politicas para a Câmara Municipal, nem para a Assembleia Municipal, mas exerceram esse seu direito de voto na Assembleia de Freguesia - escolhendo.
Sabemos que é um número pequeno, mas, nisto de eleições, por um voto se ganha, por um voto se perde, e já vi presidências de Câmara, no Barreiro, ser ganha por margens muito idênticas.
Já vi até, ser a votação na freguesia de Palhais a dar praticamente a vitória à CDU, na Câmara, por deslocação objectiva de cerca de 80 votos do PSD, para a CDU.
CDU não conseguiu aguentar na freguesia a votação
Por exemplo, registar que a CDU, na votação da Assembleia de Freguesia, obteve uma redução superior a uma centena de votos, naqueles que registou nas listas da Câmara e Assembleia Municipal.
Ou seja os eleitores da CDU votaram na Câmara e Assembleia Municipais, mas recusaram dar o seu voto na lista da Assembleia de Freguesia.
A CDU tinha 7 eleitos nas duas Assembleias de Freguesia, passou para 3 eleitos.
Não conseguiu aguentar na freguesia a votação que obteve na Câmara, ou na Assembleia Municipal, e mesmo em votos perdeu, comparativamente a 2009, mais de uma centena de votos. Não será este um facto politico que merece reflexão?
PS é o grande derrotado neste acto eleitoral
O mesmo fenómeno aconteceu com o PS que registou na votação da Assembleia de Freguesia, uma redução superior a duas centenas de votos, naaqueles que obteve nas listas da Câmara e Assembleia Municipal.
Ou seja houve, também, eleitores do PS que votaram na Câmara e Assembleia Municipais, mas recusaram dar o seu voto na lista da Assembleia de Freguesia.
O PS é o grande derrotado neste acto eleitoral, porque, este processo tem origem numa ruptura politica interna, porque desbaratou um capital politico e humano, porque de força politica dominante com maioria absoluta, passou a terceira força politica apenas com um eleito ( tinha dez eleitos, nas anteriores Assembleias).
Bloco de Esquerda votação reduzida a metade
Igualmente o Bloco de Esquerda viu reduzida a metade a sua votação na Assembleia de Freguesia comparativamente às votações alcançadas na Assembleia Municipal e Câmara Municipal.
PSD deu o seu apoio à lista de independentes
O PSD deu o seu apoio à lista de independentes e se compararmos com os resultados de 2009, pode concluir-se que de uma forma global os seus votos foram para a lista de independentes, talvez, dentro da proporção da votação obtida na Câmara e Assembleia.
Abstenção ligeira descida da percentagem
Também ao nível da abstenção registou-se uma ligeira descida da percentagem, devido ao aumento do número de eleitores, porque os votantes foram ligeiramente os mesmos de 2009, menos cerca de meia centena de votos.
Partidos não são donos dos votos dos eleitores
Este «micro mundo» eleitoral, permite verificar que os partidos não são donos dos votos dos eleitores, que quando existem opções ( independentemente da sua avaliação politica) que se colocam como alternativa credível, aceitável, viável, os eleitores escolhem e verifica-se que o fazem com consciência cívica e cidadania activa.
E esta opção é transversal aos diversos partidos, do PSD ao PS, do BE à CDU, os eleitores escolhem em quem acreditam, com provas dadas no terreno.
Uma página na história politica local
A lista de independentes de Palhais e Coina, que ontem tomou posse, escreveu uma página na história politica local, agora, tem pela frente a responsabilidade de demonstrar que não é “o poder pelo poder”, mas, sim, uma vontade cívica e politica que move a sua acção.
O ex-presidente da Junta de Freguesia de Coina, Juvenal Silvestre, protagonista deste movimento cívico, tem sobre os seus ombros uma grande responsabilidade politica, demonstrar que politica de proximidade é politica de proximidade, feita com respeito pelos cidadãos e instituições.
Não pode esquecer que a partir de agora os olhos de muitos que vivem a vida politica local, vão estar atentos e a sentir o pulsar da freguesia de Palhais e Coina.
Diálogo construtivo
Ontem, no acto de posse perdeu uma oportunidade de demonstrar que é diferente, por uma questão protocolar, estando presente Carlos Humberto, presidente da Câmara, embora não sendo obrigatório, mas num contexto de quem defende “delegação de competências” e um “diálogo construtivo”, dar a palavra para uma saudação era um acto politico aceitável e próprio de cidadãos independentes.
O diálogo construtivo faz-se com actos.
PCP/CDU em força
Outra curiosidade na sessão de ontem foi registar a presença, em força, de eleitos da Câmara, Assembleia Municipal, freguesias e militantes do PCP/CDU.
Uma presença que era sentida em absoluto, numa freguesia, que retirou à CDU a concretização dos seus objectivos – conquistar todas as presidências.
14 de Outubro vai ficar para a história da vida autárquica
Em suma, o dia 14 de Outubro vai ficar para a história da vida autárquica do concelho do Barreiro.
Seja qual for o ponto de vista de análise do «facto politico», a verdade é que a tomada de posse de uma lista de «independentes» é um acontecimento de referência.
António Sousa Pereira













