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Inferências

Quotidianos da Cidade – BarreiroPois é, cá vamos..um dia de cada vez!

Escrevo estas notas, ao fim da tarde, depois de escutar a noticia da Caritas Portuguesa, que, hoje, alertou, para as consequências das políticas de austeridade, sublinhando o aumento do “risco” de pobreza e na necessidade de criação de emprego.
Isto cansa mesmo, ano após ano, quando parece que as coisas vão equilibrar-se, lá vem mais um corte e voltamos ao principio…

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Quotidianos da Cidade – Barreiro Pois é, cá vamos..um dia de cada vez!

Por Jornal Rostos

Hoje, pela manhã, dei uma volta pelo centro da cidade. Sentei-me a tomar café na esplanada, junto à estátua de Alfredo da Silva, e, ali, aproveitei para ler umas páginas do livro «A I República e O Movimento Operário no Barreiro», de Armando Teixeira, que amavelmente enviou para o jornal «Rostos». Atenção que, naturalmente, agradecemos.
É uma cronologia interessante de factos e nomes que contribuíram para fazer a história do Barreiro.

Entretanto, no jornal «Público», de hoje,Meira Soares, que pediu a demissão da presidência da Comissão de Acesso ao Ensino Superior, em entrevsta, refere que “aceitando que os cortes têm que ser feitos, eles têm que ter alguma lógica, têm de ser feitos com muita sensibilidade social, que não tenho visto. Vão sempre aos mesmos. Não se corta nas mais valias, por exemplo. As pessoas têm direito à dignidade e a ser tratadas de maneira digna ”.
Recorda os cortes que já sofreu na sua reforma, desde 2011, começando no Governo de José Sócrates, refere os cortes dos subsídios de natal e de férias – os tais que o nosso primeiro-ministro, Passos Coelho, quando candidato considerava uma afronta.
“Não tenho paciência para este Governo, vou-me embora já chega” – sublinha Meira Soares, acrescentando que – “a demissão é a indignação de um cidadão”.

Enfim, é este Portugal que temos corta, corta, corta..sempre aos mesmos.
Entretanto, nesta mesma Europa, da Grécia, hoje, chega a noticia – “o governo grego dá um rotundo não aos cortes adicionais de 2.000 milhões de euros em 2014, como pede a troika”.
E, nós, como temos um povo calmo e sereno, que grita e sofre, que canta a Grândola e lá vai aguentando, cá vamos de corte em corte… lá vamos cumprindo demonstrando que somos «bons alunos».

No Parque Catarina Eufémia, encontrei o Helder do Be Jazz, calmamente sentado, olhando a paisagem, serenamente.
O Be Jazz é um espaço e referência de convívio e de cultura no centro da cidade.
Trocamos breves palavras. E o comentário final é que – “Vamos vivendo um dia de cada vez”.
Vou caminhando, pela Avenida Alfredo da Silva, encontro um amigo, que comenta – “Fiquei colocado na Escola Alfredo da Silva. O ano passado estive na Mendonça Furtado. Tem que ser um ano de cada vez, um dia de cada vez”.
É uma colocação provisória no âmbito de programas do Centro de Emprego.
“Estamos ocupados, mais um ano.” – diz ele.

Junto ao Forum Barreiro, encontrei o meu amigo Jorge Fagundes.
“Então, senhor director, veio hoje à vila. Como vai isso?” – comentou.
“Vai indo. Como nos deixam ir. É assim um dia de cada vez” – comentei.
Sente-se, nas conversas, nos olhares, que existe um sentimento de descrença, e parece que todos vivemos os dias com esta ansiedade e conformismo – “um dia de cada vez”.

Quando estava sentado no café, ali, na esplanada, junto ao Alfredo da Silva, uma senhora comentava para uma amiga- “Vim agora do Centro de Emprego”.
Apontou para os seus próprios pés e referiu – “Fui lá de chinelas, mas estavam lá outros pior do que eu…”.
Sussurra baixo, mas, eu, na mesa ao lado, apercebo-me da conversa, dizia ela: “Estava lá um casal, com um filho, cujo cheiro era insuportável. Eles estão pior do que eu…”
Pois, é assim que vamos descobrindo um sorriso – “há outros piores do que eu”.
É este o nosso país, nos dias de hoje, desemprego, empregos provisórios, situações dramáticas.
E o nosso Governo, afinal, o que nos diz e repete – “é a troika que exige”, ou que “temos que aceder aos mercados”.

Escrevo estas notas, ao fim da tarde, depois de escutar a noticia da Caritas Portuguesa, que, hoje, alertou, para as consequências das políticas de austeridade, sublinhando o aumento do “risco” de pobreza e na necessidade de criação de emprego.
Isto cansa mesmo, ano após ano, quando parece que as coisas vão equilibrar-se, lá vem mais um corte e voltamos ao principio…
Pois é, cá vamos..um dia de cada vez!

António Sousa Pereira

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