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Inferências

A(nota)mentos - BarreiroSer vereador é estar afastado do «mercado de trabalho». E esta, hem?

Afinal, os trabalhadores da Câmara e dos TCB’s não devem ser trabalhadores, e a experiência de gestão da vida autárquica, não serve para curriculum de ninguém, no caso dos eleitos da CDU, e no caso da opinião expressa pelo líder socialista, nem pertencem ao «mercado de trabalho» .

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A(nota)mentos - Barreiro Ser vereador é estar afastado do «mercado de trabalho». E esta, hem?

Por Jornal Rostos

O debate politico, o debate da “coisa pública” não pode ficar no “parecer”, é preciso “ser”.
A diferença que existe entre o debate que “parece” e aquele que “é”, reside, essencialmente numa simples realidade – o que “debate do parecer” não tem interior, só tem estratégia, jogo mediático, vive de tácticas, de afirmar agora sim, logo não, é um «debate de conveniência”, não tem conteúdo e, até, as próprias «razões ideológicas», não passam de um ornamento, para gerar «ódios» e «paixões», com base em dividir o mundo nos «maus» e os «bons».

O «debate do ser», esse, pelo contrário, tem interior, tem por base convicções, afirma ideologia, defende valores, combate por esses valores, tem um caminho, tem uma estratégia, tem carácter, depois, podemos, ou não estar de acordo, e, no «combate politico», demonstrar opções diferentes e alternativas.

Vem isto a propósito da primeira reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro.
Procurando separar a «reportagem» da «opinião», em breve, vou procurar, fazer uma análise dos sentimentos que me percorreram, como cidadão, como alguém que acompanha com regularidade as reuniões daquele órgão municipal.
Hoje, neste breve a(nota)mento, quero apenas fazer um registo.

No decorrer do debate da proposta dos vereadores socialistas, sobre «auditoria financeira», que depois, no meio da discussão, deixou de ser «auditoria financeira», para se transformar num «instrumento de gestão da autarquia», num debate politico marcado por uma discussão que seria, sem dúvida do agrado de Górgias – onde o justo e o injusto, o medo e a verdade, se digladiaram, apenas como retórica de persuasão, ao ponto de uma noticia saída no dia ( por sinal, muito mal contada), era a razão que fundamentava a proposta que tinha sido agendada dois ou três dias antes da dita.

Mas, dizia, que a propósito, desta discussão, de trocas «argumentativas» e «sofisticas», a certo momento, Marcelo Moniz, vereador eleito pelo Partido Socialista e também Presidente da Comissão Politica Concelhia do Barreiro do PS, referiu, para fundamentar e defender a proposta, que os eleitos da CDU – “estão afastados do mercado de trabalho”, onde as auditorias são uma prática das empresas.

Ouvi a resposta dos eleitos da CDU, justificando que tinham exercido actividades profissionais em empresas e tinham experiências na vida empresarial.

Fiquei estupefacto! Afinal, pelos vistos, a Câmara Municipal do Barreiro e os Serviços Municipalizados dos Transportes Colectivos do Barreiro, não fazem parte do «mercado do trabalho».
Afinal, a CMB e os TCB’s já não são um dos grandes empregadores do concelho do Barreiro.
Afinal, os trabalhadores da Câmara e dos TCB’s não devem ser trabalhadores, e a experiência de gestão da vida autárquica, não serve para curriculum de ninguém, no caso dos eleitos da CDU, e no caso da opinião expressa pelo líder socialista, nem pertencem ao «mercado de trabalho» .

É por isto que há diferenças entre o «debate do parecer» e o «debate do ser».

É muito grave que se afirme que os eleitos de uma Câmara «estão afastados do mercado de trabalho», porque isto, sem dúvida, é uma ofensa à dignidade, ao empenho, à entrega diária de muitos funcionários da CMB e dos TCB’s ( e não está aqui em causa erros ou deficiências, que certamente existem), que ali exercem a sua actividade profissional.

A CMB e os TCB’s são um mercado de trabalho, são um mundo de trabalho, onde centenas de homens e mulheres exercem a sua actividade para servir a comunidade e ajudar a implementar as politicas e os programas eleitorais – ao serviço da comunidade.

Um vereador que considera que no exercido da sua função está afastado do «mercado de trabalho», não sabe o que é uma autarquia, não sabe o que é gerir uma autarquia.
E, por muitas «auditorias financeiras», ou «auditorias instrumentos de gestão» que sejam implementadas, ou propostas, se a base de partida de análise e reflexão politica, é, esta de considerar que este mundo autárquico está «afastado do mercado de trabalho»…então, resta-me dizer tenho pena dos trabalhadores municipais, se lhes calha ter a geri-los eleitos desta envergadura que os consideram um subproduto da actividade económica e social.

António Sousa Pereira

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