Bruno Vieira Amaral escritor do concelho da MoitaMeu percurso é muito marcado pela Biblioteca do Vale da Amoreira
“Numa zona onde faltava quase tudo, onde vivia uma população muito carenciada, foi construída a primeira Biblioteca deste município”, sublinhou ao jornal «Rostos» o escritor Bruno Vieira Amaral.
“O meu primeiro romance nasceu um pouco desse confronto entre o que este Bairro é agora e o que ele era na altura que cá vivi e o que dele recordo”, refere.

Por Jornal Rostos
A Biblioteca Municipal do Vale da Amoreira, no concelho da Moita, foi a primeira Biblioteca da Rede Pública de Bibliotecas Municipais do concelho, inaugurada no dia 10 de Junho de 1990.
Para assinalar os 25 anos da Rede Pública de Bibliotecas foi lançado o livro «As Bibliotecas Municipais da Moita – Serviço Público em Liberdade».
Nesta biblioteca li livros que me marcaram
Na sessão marcou presença o escritor Bruno Vieira Amaral, que desde criança mantém laços afectivos com aquele equipamento cultural.
Bruno Vieira Amaral, nasceu em 1978, no Vale da Amoreira e viveu no Bairro até ao final da sua licenciatura.
Ali, frequentou frequentou a Escola Básica 2º e 3º ciclo D.João I e fez o Ensino Secundário na Escola Secundária da Baixa da Banheira. Concluiu licenciatura de História Moderna e Contemporânea no ISCTE.
“A Biblioteca Municipal do Vale da Amoreira foi inaugurada tinha eu 12 anos. Não sei se estive na inauguração, mas estive cá logo nos dias seguintes”, recorda.
“Foi nesta biblioteca que li alguns dos livros que me marcaram. Aqui requisitei, entre outros ‘Cem anos de solidão’, ‘O nome da rosa’, ‘A Peste’, ‘O estrangeiro’. Foram livros que marcaram a minha formação.
Mas, não foram só esses livros, no início, li muitos livros de banda desenhada. Lembro-me de ler os livros da Mafalda, do Lucky e Luke.
Sim, também os jornais. Eu tinha 12, 13 ou 14 anos, não tinha possibilidades de comprar jornais, e aproveitava as vindas à Biblioteca para ler os jornais”, salienta o escritor.
Numa zona onde faltava foi construída a Biblioteca
“Fui sempre um leitor desta Biblioteca. Ao longo dos anos, mantive sempre uma relação emocional com este espaço e com as pessoas que por aqui vão passando”, refere Bruno Vieira Amaral.
“Esta era uma zona onde quase tudo faltava, não existiam infraestruturas, não havia um mercado, não existiam a maior parte dos serviços que ao longo dos últimos anos foram aparecendo.
Numa zona onde faltava quase tudo, onde vivia uma população muito carenciada, foi construída a primeira Biblioteca deste município.
Esse é um facto extraordinário que transformou a vida de muitas pessoas. Sem a Biblioteca não tinham acesso, nem possibilidade de contactar com livros, nem qualquer outro tipo de informação” – sublinha.
Meu percurso é muito marcado por esta Biblioteca
Foi neste espaço que descobriu a sua vocação de escritor? – perguntámos.
“Não sei se foi aqui, essas coisas normalmente, surgem um pouco antes de nós nos apercebermos da nossa condição de leitores. São coisas anteriores. Agora que, digo, o meu percurso é muito marcado por esta Biblioteca, isso é verdade”.
No primeiro romance a Biblioteca é central
Bruno Vieira Amaral lançou três livros. Em 2013, «Guia Para 50 Personagens da Ficção Portuguesa», pela «Guerra & Paz Editores».
Nesse mesmo ano editou o seu primeiro romance «As Primeiras Coisas», pela Quetzal Editores.
Este ano lançou a obra ‘Aleluia’, ensaio-reportagem, pela fundação Manuel dos Santos.
“São livros muito diferentes. ‘As primeiras coisas’ é um livro que tem muito a ver com este território, a recriação de um pouco da história das pessoas do Vale da Amoreira, algumas histórias baseadas em pessoas reais, outras inventadas.
Mas curiosamente, logo no início, esse livro tem esta Biblioteca como um ponto central”, sublinha Bruno Vieira Amaral.
A biblioteca para mim é mais uma casa
“Por todos esses motivos, tenho uma ligação muito próxima com este espaço, com esta Biblioteca, que eu tenho alguma dificuldade em ver como um espaço, para mim é mais uma casa, um lugar que sinto com uma dimensão familiar e de proximidade que para cada um de nós tem uma casa”, afirma o escritor.
Tenho aqui as minhas primeiras memórias
Actualmente reside na Baixa da Serra, mas o Vale da Amoreira faz parte do seu roteiro de vida.
“Eu gosto sempre de voltar aqui ao Vale da Amoreira. A minha mãe ainda cá vive.
Gosto de voltar aqui, e, por hábito, visito os sítios que estiveram na génese do meu romance.
O meu primeiro romance nasceu um pouco desse confronto entre o que este Bairro é agora e o que ele era na altura que cá vivi e o que dele recordo.
Procurei traçar essa mudança. Não do ponto de vista social. Mas do ponto de vista pessoal, porque, se é verdade que o Bairro se transformou ao longo destes anos, eu também me transformei, e o meu olhar sobre o Bairro também se transformou.
Eu gosto muito de voltar aqui, porque tenho aqui as minhas primeiras memórias. Foi aqui que eu cresci.
Foi aqui que tive as minhas primeiras alegrias e as minhas primeiras frustrações. Foram todas neste espaço geográfico.
Portanto, para mim, estar aqui é sempre um regresso que tem muito significado”, refere Bruno Vieira Amaral.
Não vivo exclusivamente da escrita
“Não vivo exclusivamente da escrita. É difícil em Portugal, não só em Portugal, mas particularmente em Portugal viver da escrita”, afirma o escritor.
Na sua actividade profissional exerce a função de Assessor de imprensa das editoras do Grupo Bertrand Círculo.
É também Editor Adjunto da revista Ler.
De referir que, com o seu romance ‘As Primeiras Coisas’, conquistou o Prémio de Livro do Ano da revista TimeOut, o Prémio Fernando Namora 2013 e o Prémio PEN Narrativa 2013.
Um novo romance até ao final do ano
“Estou a escrever um romance. Espero ter concluído até final do ano. É baseado numa história real, um homicídio de um primo meu, aqui nesta zona, que aconteceu há cerca de 30 anos, em 1985.
É um pouco a história da minha investigação sobre esse homicídio”, refere.
LER CRITICA LITERÁRIA ao primeiro romance de Bruno Vieira Amaral.
Texto de Manuela Fonseca, publicado no jornal Rostos













