Barreiro – O mistério dos leões do Mausoléu Alfredo da SilvaDesapareceram mesmo ou é um «Mito Urbano»?

Por Jornal Rostos
Tentámos obter informações sobre esses ditos leões de bronze e sobre o assunto surgem as mais díspares informações.
Há quem afirme que os ditos leões desapareceram, de um dia para outro, durante a noite, e ninguém sabe onde foram parar, nem qual o seu destino. Referem que tal terá acontecido nos anos 60.
Depois, outros, comentam que foi nos anos após o 25 de Abril.
Há também quem diga que nunca viram tais ditos leões de bronze.
Mas, são muitos os que referem que ouviram falar dos ditos leões, em muitas conversas, ao longo dos anos, e, que, de facto, o registo do desaparecimento terá acontecido antes do 25 de Abril.
Entretanto, historiadores, referem-nos que no projecto do monumento, não consta a existência dos ditos leões. É mesmo salientado que os leões nunca existiram e que isso não passa de um «mito urbano».
Pessoalmente, nunca vi os ditos leões, mas, se os mesmos desapareceram para «limpar», como alguns sublinham, e nunca mais foram vistos, isso terá sido mesmo muito antes do 25 de Abril.
Conheço o Mausoléu de Alfredo da Silva já há algumas décadas e nunca vi tais leões, nem sequer recordo de ouvir falar do seu desaparecimento, pelo menos nos anos próximos e após o 25 de Abril.
Recordo, isso sim, que no Mausoléu existem leões, e, esses, de facto, continuam no mesmo local.
O acesso directo ao monumento é muito recente, remonta aos anos 90. antes disso, só quem trabalhava na empresa - CUF, Quimigal ou Quimiparque – tinha acesso ao local, que, para muitos ainda é desconhecido.
No entanto, são várias pessoas, com quem conversámos que confirmam ter visto os ditos leões, naquele local, alguns anos antes do 25 de Abril, quando ali existia o cemitério e o campo de futebol da CUF – Estádio de Santa Bárbara.
Se esses leões existiram e faziam parte do monumento, pelas informações mais gerais recolhidas – vox populi - o seu desaparecimento ocorreu antes do 25 de Abril, nos anos 60.
Mas, refira-se historiadores que investigaram o Mausoléu e sobre ele escreveram, afirmam que esta história dos leões não passa de um «mito urbano».
E como há quem escreva referindo, também, com «visão histórica», que os leões existiram, a verdade, é que uns dizendo que viram, outros dizendo que ouviram falar dos ditos leões, a confusão é enorme.
Fica este registo. Não será mesmo possível, de uma vez por todas, esclarecer a verdade do mistério dos leões desaparecidos?
Este assunto faz-me lembrar uma célebre fotografia que era, e por vezes ainda é divulgada como uma carga da GNR sobre mulheres no Barreiro. Uma fotografia que é um ícone da resistência do Barreiro.
Um dia, nos anos 80, quando estava de férias no Baleal, em Peniche, visitei o Forte de Peniche.
Estava a ler o «Diário de Henrique Galvão», do Barreiro, que falava dos dias que passou naquela prisão. Um lugar tenebroso onde muitos resistentes antifascistas conheceram a tortura.
Na entrada deparei, então, com a dita foto, a mesma que era apresentada como a GNR a fazer uma carga sobre as mulheres do Barreiro, mas, ali, no Forte de Peniche, tinha a legenda de uma carga da GNR, sobre as mulheres na Marinha Grande.
Fiz, então uma nota no Jornal do Barreiro, interrogando: afinal a foto foi na Marinha Grande ou no Barreiro?
Esta pergunta suscitou a curiosidade de Leal da Silva, interessado e estudiosos de fotografia e investigou, escrevendo um texto através do qual afirmava e justificava, por referências diversas na foto, que a mesma era uma carga da GNR, não no Barreiro, não na Marinha Grande, mas sim em Lisboa, junto a uma fábrica do Grupo CUF.
Recordo este facto, porque, ficou esclarecida o contexto real da foto.
Em relação aos ditos leões. Não será possível vasculhar em documentação que prove a retirada dos ditos leões, duas pesadas peças de bronze que numa noite desapareceram, ali, no centro de um espaço empresarial fechado, militarizado, pois tinha o quartel da GNR a poucos passos do Mausoléu.
Quem decidiu? Porquê? Para limpar?!!
Não há nenhum historiador que esclareça este mistério? Sem ficções. Esclarecendo. Se é um mito urbano que passe para a história como tal, é uma curiosidade, uma lenda…
Se existiram, que destino levaram…uma coisa é certa, ainda há pessoas vivas que podem falar e comentar este facto…mais tarde, ficará apenas como uma verdade que passou de boca em boca.
Fica o apelo aos historiadores. Esclareçam.
S.P.
Ver fotos e texto
https://www.rostos.pt/postais/15000672-mausoleu-alfredo-da-silva-barreiro-um-monumento-a-visitar














