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Barreiro - Dia Internacional do Património ImaterialEspaço Memória promove visita guiada ao Cemitério do Lavradio
. Ao encontro de memórias

A visita guiada ao Cemitério do Lavradio, decorreu no passado sábado, dia 17 de outubro, no âmbito das celebrações Dia Internacional do Património Imaterial e integrada na Semana Cultural dos Cemitérios. A visita proporcionou aos participantes um encontro com memórias da comunidade e com a arte funerária.

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Barreiro - Dia Internacional do Património Imaterial Espaço Memória promove visita guiada ao Cemitério do Lavradio . Ao encontro de memórias

Por Jornal Rostos

Fernando Motta, historiador, Técnico Superior do Espaço Memória da Câmara Municipal do Barreiro, foi o guia da visita. Recordou que a primeira visita aos Cemitérios no concelho do Barreiro realizou-se o ano passado, ao Cemitério da Vila Chã, sendo esta a segunda iniciativa desta natureza.

Junto à entrada do Cemitério, o historiador recordou as memórias de romagens que, nos dias antes do 25 de abril, eram feitas às campas de operários, pelos Movimentos Operários e pela Resistência à Ditadura, ou no dia 1º de Maio, ou no dia 5 de Outubro, data de celebração da implantação da República.

Jerónimo Paiva, sindicalista, ferroviário, republicano, jornalista, fundador do jornal Eco do Barreiro, em torno da sua campa, naquelas efemérides operários, resistentes, juntavam-se para lhe prestar homenagem e, após uma tradicional intervenção calorosa do resistente e republicano, Mestre Manuel Cabanas, seguiam em desfile rumo ao Barreiro, mas, a GNR entrava em acção para dispersar, seguindo-se as agressões e prisões dos manifestantes. O Cemitério do Lavradio faz, pois, parte da Rota da Resistência.


Cemitério foi inaugurado no ano de 1925


Fernando Motta, recordou que o cemitério do Lavradio existia, junto à antiga Igreja de Santa Margarida, mantendo-se ali até aos anos da República. O actual cemitério foi inaugurado no ano de 1925, numa zona alta e descampada, afastada da Vila.

No decorrer da visita foram referenciados diversos aspectos da arte funerária existentes em campas ou jazigos, que de carácter religiosos ou que definiam as profissões – padeiro, agricultor, de cereais ou vinhas, assim como ferreiro ou farmácia.


Cândido Manuel Pereira do célebre vinho bastardinho


Foram recordadas personalidades, ali, com suas perpetuadas, como Cândido Manuel Pereira, do célebre vinho bastardinho, do seculo XIX.

A Professora Judite, que formou diversas gerações, na antiga escola Primária. Os Mortos da Guerra Colonial. O Talhão dos bombeiros. Os Talhão dos Combatentes. José Caro Proença, o investigador da vida local, com uma obra dedicada a Álvaro Velho. A família Couto, nome indissociável da história da SFAL.

Recordado o menino, cuja campa foi edificada com uma subscrição pública, vítima das Cheias de 1967, cujo corpo foi encontrado nas margens do Tejo. Recordada a jovem Catarina, vítima da tragédia da Praia do Meco.


Uma manhã enriquecedora de memórias


Enquanto acompanhava a visita guiada, atento às lições de estórias e memórias que iam sendo proporcionadas aos visitantes pelo historiador Fernando Motta, os meus olhos, por vezes, encontravam-se com os rostos de muitas pessoas com as quais convivi e partilhei os meus dias.

Na verdade, foi uma manhã, enriquecedora de memórias, num encontro entre a vida e a morte, segredos espelhados nem diversas simbologias da arte funerária, que, “apenas o olhar atento” do historiador nos alerta para sentirmos e descobrimos.

Esse foi mérito do trabalho prévio de Fernando Motta e da equipa do Espaço Memória, que, no próximo dia 14 de novembro, já agendaram outra visita, desta vez, será ao Cemitério de Vila Chã. De referir que as participações nas visitas são de inscrições limitadas. A visita ao Cemitério do Lavradio esgotou as inscrições.


António Sousa Pereira

Jornalista TE 180

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