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Palavras(Obrigada, Eugénio de Andrade)
Por Manuela Fonseca
Barreiro

Palavras simpáticas, adequadas, no combate que travo contra o mal-estar, o sofrimento, tantas vezes a revolta. Palavras de tantos, alguns antes desconhecidos, que me têm doado disponibilidade, carinho, encorajamento. Enquanto puder, direi, nestas linhas que cirzo, o bem que me fazem.

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Palavras (Obrigada, Eugénio de Andrade) Por Manuela Fonseca Barreiro

Por Jornal Rostos

Tinha, há quase uma década, planos para a aposentação. Não aconteceram como imaginara. Aflita, amedrontada, aterrada, a passagem dos dias minorou os sentimentos negativos. Não há euforia nem esperança fora de propósito em relação à minha situação mas habituei-me a ela; é parte de mim e não tenho alternativa. As pessoas / as palavras apoiam-me.
Palavras simpáticas, adequadas, no combate que travo contra o mal-estar, o sofrimento, tantas vezes a revolta. Palavras de tantos, alguns antes desconhecidos, que me têm doado disponibilidade, carinho, encorajamento. Enquanto puder, direi, nestas linhas que cirzo, o bem que me fazem.
Palavras brutais de um profissional de saúde, altamente diferenciado, num Hospital de Lisboa – a trazerem-me caos e aflição (do que mais “precisava”). Educadas, as de um seu colega, em Cascais, para a mesma situação: terá tudo, até o dom da sapiência, falha, grave, do primeiro, a Ética esquecida ou, quiçá, pouco apre(e)ndida.
Recebo, com alegria, os actos, as palavras-acções que me dispõem melhor, a comunicação. Como a dos netos:
1. O David, adolescente circunspecto, nem (me) refere o excelente desportista que é. Desde o Verão de 2007, momento a partir do qual fiquei muito mais em casa do que noutros locais, faz-me companhia em tardes de domingo, sempre que lhe é possível e à mãe, o progenitor-poeta – o Rui Manuel faz-me sorrir, rir e pensar, os comentários mordazes, oportunos, criados a cada momento – às vezes com eles.
2. A Ana Filipa começa a fazer as graças que deslumbram a família. Quando conversamos, olha-nos, a boquita aberta que se mexe. Bebé dorminhoco, às vezes acorda os pais e vizinhos, tal o chilreio, as palavras dela, a partir das cinco-seis da manhã…
Palavras dos companheiros de profissão no activo: UM ABRAÇO, SOLIDÁRIO, aos roubados do trabalho, aos ameaçados de situação idêntica por políticos ignorantes e maldosos. Não querem, colegas, examinar o ministro? (Ponho os meus préstimos à disposição, na elaboração de uma prova de composição, na área da Cidadania.)
(Políticos, ou ignorantes e maldosos ou lambe-botas, dos amos estrangeiros, em figuras tristes, executantes de crimes de lesa-pátria que hão ser recordados, dentro e fora de Portugal, antes do lixo da História, como o que não deve fazer-se a gerir um país.)
Docentes que calcularão que alegria exprimo na preparação de uma aula ou unidade didáctica que, por duas razões, UTIB e “Histórias vividas e contadas do 25 de Abril”, me movem.
Palavras: continuo a estudar os mais variados temas, alguns com questões que me maravilham, ou, com raridade, me repugnam (mantenho emoções duais).
Palavras: alguma graça, rara, nas recepções dos estudantes aos caloiros pelos “doutores”, na Escola Superior de Educação de Setúbal, a professora ouvinte a dizer, em Língua Gestual Portuguesa, a um colega do nosso Gabinete os disparates escutados…
Palavras: as dos mestres da escrita e, ou, do discurso oral – poucos, na Casa da República, tão ofendida nos últimos tempos, a elaborá-las.
Palavras: a pequena peça dedicada aos cem anos do meu Barreirense, “O Comboio da Pedra”, em dois mil e onze, oferta deste Jornal ao Clube, com cinco representações, no ano seguinte, pelo UTIB-Teatro, em duas Freguesias do Barreiro (agora transformadas numa única. Será para manter a boa forma de fregueses e autarcas, através de corridas de fundo?). Na mesma altura, o surgimento de outro livro, “Crónicas Barreirenses: e Outros Escritos”.
(Obrigada a todos os que tiveram a amabilidade de me / nos receber com tais produções, bem como os que, em textos, imagéticos ou escritos, lembraram tais trabalhos.)
Palavras: na minha casa estiveram profissionais de Comunicação Social, para ser ouvida acerca de cortes medicamentosos em pessoas portadoras de doenças oncológicas e a propósito de morte assistida. Nas quatro vezes em que os recebi, a meta foi a qualidade de vida dos pacientes.
Palavras vibrantes, doridas, corajosas, revoltadas de membros das Forças de Segurança, à frente do Palácio de S. Bento, contra um (des)governo que, em cada segundo, os / nos ofende. Comunicação de militares no gesto, múltiplo, do arriar da bandeira nos quartéis. Palavras corajosas de trabalhadores, sindicalistas, populares, em Ministérios, no Parlamento, nos Estaleiros e na cidade de Viana do Castelo, o Presidente da Câmara a cumprir o dever de se fazer escutar.
“No” por toda a Espanha, em situação também dramática, na luta contra os que (des)mandam no País Vizinho.
Palavras numa das nossas Línguas, a Gestual Portuguesa (LGP), no apelo à partilha de alimentos com os mais necessitados.
Palavras. Sempre.

Manuela Fonseca

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