Uma pedrada no charcoPor Jorge Fagundes
Barreiro
Porque segue uma linha editorial independente e coerente, porque tem um leque pluralista de colaboradores, porque não se subordina a interesses político-partidários ou a interesses económicos. E porque, e esta é mesmo dura de encaixar em certas cabecinhas, tem projecção local, regional e nacional expressa nos seus milhares de leitores.

Por Jornal Rostos
Em 06 de Novembro de 1999 tive o prazer de, na Biblioteca Municipal, apresentar um livro do João Liberal Correia, com o título de “Histórias Breves do Antigamente”.
Depois de historiar a sua vida pessoal, profissional e de homem ligado às letras, não resisti à tentação de acabar a minha intervenção contando uma história verídica.
Com efeito, em Setembro de 1964, um ano após a publicação do seu primeiro livro de poesia ( Ânsia de limite) ia o João Liberal a atravessar o Parque e, perto de uma das suas saídas, onde era habitual permanecer um grupo de pessoas bem colocadas na vida local, a maioria licenciados em várias áreas, ouviu- e por tal sentiu uma grande mágoa- esta piada: “Eh, rapaziada, agora até o filho do fragateiro escreve e publica livros”.
João Liberal era filho de um arrais de fragata e de uma operária corticeira, e tinha como habilitações literárias o Curso Comercial tirado na Escola Alfredo da Silva.
Ou seja: segundo o prisma elitista desses e de muitos outros barreirenses, não deveria atrever-se a ultrapassar a barreira da sua profissão de empregado de escritório.
E, ao fazê-lo, incomodava muita boa (?) gente, até porque, tendo nascido no Barreiro, nunca lhe poderiam atirar à cara, como era então comum (e hoje, por vezes ainda é) o facto de não ter cá nascido.
Ora, o Jornal Rostos, surgiu neste Barreiro há doze anos. E também veio incomodar muita gente, como, aliás, ainda hoje incomoda.
Porque segue uma linha editorial independente e coerente, porque tem um leque pluralista de colaboradores, porque não se subordina a interesses político-partidários ou a interesses económicos. E porque, e esta é mesmo dura de encaixar em certas cabecinhas, tem projecção local, regional e nacional expressa nos seus milhares de leitores.
E, apesar das contrariedades e dos dissabores, doze anos já são passados. Parabéns!
Jorge Fagundes













